ccccff
La marée haute
domingo, outubro 31, 2004
  Nada. Tudo.



Se eu disser que te amo em frente a esta gente toda, o que é que esta gente toda fica a saber?

P. Mexia
 
sábado, outubro 30, 2004
  até para o ano, Verão

...até para o ano, Outono...




Martin Parr

 
  Madeleine Peyroux

Um sítio muito interessante para ouvir, que descobri através de Amor e Ócio: The Ark.
Destaco a bela interpretação de Madeleine Peyroux. Oiçam, vale a pena.
E agora, ala que se faz tarde, vou fazer-me à vida.
Bom fim de semana!
 
sexta-feira, outubro 29, 2004
  A jUstiça no seu melhor...

Num dos cadernos de capa dura que imitam livros, recolho, ao longo dos anos, frases, notícias, poemas, pensamentos, meus e de outros. Os tais que ficarão para minha memória futura. Excertos de momentos e de vidas, de pequenas vidas que vamos vivendo em cada dia, em cada momento.
Abri ao acaso e procurei:

"As pessoas não valem por aquilo que escrevem, mas por aquilo que são capazes de fazer pelo seu semelhante."
(F. Ferrão)
Não sei quem é este senhor, deve ser um perfeito desconhecido e o mundo pertence na maior parte aos perfeitos desconhecidos.

Segue um abraço para o António Caldeira, do Portugal Profundo e admiração pelo empenho, quase temerário, que pôs neste caso.
E ninguém o pode calar, ninguém tem o direito de o fazer: o processo não está em segredo de justiça (e se estivesse? é um valor absoluto? até onde pode ir? que bens se protegem e que bens se sacrificam? [e por aí fora]) e se não fosse a mediatização potenciada pelo seu blog, à custa de prejuízos pessoais, acredito que o assunto morreria facilmente. Assim talvez morra também, mas nós ficaremos a saber que há pessoas suficientemente corajosas, temerárias mesmo, que dão a cara por causas difíceis de advogar. E isto inspira-nos e move-nos também.
O António Caldeira será porventura o primeiro blogger português que terá deposto (hoje?) como arguido num processo relacionado com conteúdos do blog.
Para além do caso judicial e político, pode fazer-se aqui uma leitura e retirar consequências para um estudo do fenómeno da blogosfera.
 
quinta-feira, outubro 28, 2004
  O Lugar do Amor

Não é uma coisa só.
São muitas coisas nuas.

Não é o desabar de uma casa.
É percorrer os seus escombros.

Não é aguardar por um filho.
É voltar a sê-lo.

Não é penetrar em ti.
É sair de mim.

Não é pedir-te que faças.
É fazer-te.

Não é dormir lado a lado.
É estar jacente de mãos dadas.

Não é ouvir vento e chuva.
É franquear-lhes a cama.

E relâmpago que pela terra se funde.



(O Lugar do Amor, António Osório)

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  Biberons e carrinhos (a minha fase rosa)

Ondas de outras cores arrastam-me para os mares desconhecidos da tiaternidade. Eu sabia lá que havia carrinhos de bébé da marca X e Y, com modelos vários e versões igualmente. A linguagem técinca das mães e pais passa também por termos como chassis. E os biberons? Não bastam terem marca (desconhecia o facto - pensava que bastava pedir na farmácia 'um biberon se faz favor' , são x €, obrigada), têm também modelo. A sweet baby tem desde ontem um biberon que tem estado esgotado (!!) - o biberon não tem nada de especial, mas tem tido muita procura por parte dos progenitores. Ok Pelo andar da carruagem e pela graça que achei ao biberon, isto vai ser giro, ai vai, vai.

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quarta-feira, outubro 27, 2004
  Come on baby!

A minha sobrinha faz hoje 35 semanas de gestação.

Já disse que me sinto insuportavelmente feliz?

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  "O que eu procuro num blog é aquilo que eu aprecio numa pessoa"

Não avisei? andei à descoberta. Remexendo no baú, encontrei este texto, parte de um post de umblogsobrekleist, com o qual me identifico profundamente nesta aventura dos blogs, que é sobretudo um mergulho nas palavras, minhas e de outros e palavras são mergulhos no interior, mesmo o ficcionado ("finge que é dor a dor que deveras sente"?) Pois toda a ficção não deixa de ser autobiográfica e, partilhada, um encontro com o outro, motivo mais que suficiente para andarmos nesta terra sem lei, sem rei nem roque.



O que procuro eu num blog? Talvez pouco mais ou pouco menos do que procuro numa pessoa com quem trave conhecimento. Diz-se frequentemente que «Viver é mais importante do que blogar», ou «Há coisas mais importantes na vida do que os blogs», ou variantes destas máximas. Por detrás da robusta evidência, parece ocultar-se a convicção de que as horas passadas frente ao computador, a teclar textos para o ciberespaço, são excrescências da "verdadeira vida"; na melhor das hipóteses, um luxo; na pior, uma tara. Eu creio que blogar é uma parte da vida, cuja importância relativa variará, como é natural, de indivíduo para indivíduo. Sendo uma parte da vida, por definição, faz parte de um combate quotidiano pela felicidade.

O que procuro eu num blog? Partilhar as palavras de alguém que posso não conhecer, mas que me suscita estima, admiração ou interesse; coleccionar instantâneos dessa luta pela felicidade, a única que vale a pena; espantar-me com as declinações que tais esforços admitem, de pessoa para pessoa, de dia para dia. Expor-me, em suma, à inteligência e à sensibilidade alheias em flagrante delito de interacção com o Mundo das coisas e dos factos.
O que eu procuro num blog é aquilo que eu aprecio numa pessoa, na vida "real".

O que os blogs nos trouxeram foi um meio. Uma resposta à pergunta "como agir?". De hoje para amanhã, os blogs podem deixar de ser mencionados noutros lugares; a moda pode passar. Mas o meio existe; e a única questão que me interessa é saber se continuarão a existir pessoas que dele se sirvam."


(Do autor
deste blog)

 
terça-feira, outubro 26, 2004
  http://metablogue.weblog.com.pt/

Para quem se interessa pelos bastidores da virtualidade dos blogs, pelo que não está à vista, pelo próprio pensar do pensamento, está aqui um sítio que, ou muito me engano, me vai deliciar nos próximos tempos de net. Pena é que não esteja a ser dinamizado e a última actualização seja de há quase um ano. Então, meninos?

 
  Ondulação



Dunes of Ténéré, Niger


(George Steinmetz)
 
segunda-feira, outubro 25, 2004
  O teu destino é outro. Continua.

Neste destino addicted to poetry, cá ando eu, pés na terra e olhos no céu, encontrando e procurando, procurando e encontrando e às vezes perdida da voz quente das palavras que acalmam e acolhem. Que me chega primeiro, a resposta, a pergunta? Talvez apenas a palavra, talvez sempre.


Semáforos

Nada te espera, prosa.
Levanta-te e caminha, como fez o outro.
As imagens guardam o seu tempo de exaltação.
Os sentimentos, não.
Não te preocupes com o homenzinho triste
que entrava o teu caminho, a porta não adivinhada.
O homem dos quarenta pede-te boleia.
Não olhes, não ligues, resiste aos seus lamentos
de cabra desgarrada em cima duma pedra.
Ele quer é seduzir-te com a infância,
essas crias medrosas que nunca soube orientar
e não sabe agora o que fazer com elas.
O teu destino é outro. Continua.
Se o homenzinho chora, atira-lhe ao olhar
toda a imensidão da relva que te resta.
O que ele quer é seduzir-te com amores,
as fátuas labaredas do desterro
e da vergonha.
O teu futuro és tu. Cresce e aparece.
A prosa que se preza não dá ouvidos a gente
que traz nas mãos um punhado de víboras
afinal tão amestradas.
Se o homenzinho implora, indica-lhe o lugar
a quem tem direito no circo:
uma pista feita de memória
e toda uma plateia que cansada urra
e que o pateia.
Nada te espera, prosa.
Deixa o homem gritar.
O mundo das imagens é só seguir em frente
e nunca alcançar a rosa.



(Armando Silva Carvalho)

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  Para a azulinha, um conselho do Calvin ;)


 
  Laços e nós

Sabe a amargo saber-se que se gosta de uma forma tão inteira de pessoas que nos são muito próximas sendo mútuo o sentimento e, ao mesmo tempo, não se consegue conviver com facilidade com elas, de uma forma que flua, sem conflitos. Pequenas coisas que revelam diferenças de sensibilidades, gostos e alguns valores separam-nos. Sei no entanto que estaremos sempre disponíveis, até ao infinito, para gostarmos uns dos outros e nos ajudarmos mutuamente, como sei que qualquer conversa mais profunda embaterá logo na nossa forma tão diferente de nos olharmos, de olharmos o mundo e o outro. O saldo final é mais que positivo: saber que estaremos sempre aqui uns para os outros, e o nosso gostar é intrinsecamente genuíno. E isso é tudo o que conta, se não se pode ter mais.
Estas divagações ao passarem para o papel acabam por me obrigar a perspectivar as situações, a desdramatizar e a 'deixar passar' algumas coisas, focando a atenção no que nos une, perseguindo ao mesmo tempo o ingénuo sonho do entendimento total e do esclarecimento mútuo. Ora! eu sei que é ingénuo, irreal, impossível e um dos pequenos sonhos - mas vivo também através deles.

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  À boleia de um sorriso inventado

Se eu fosse pintora desenhar-me-ia no rosto um sorriso. Se soubesse moldar barro, pegava neste rosto, hoje vincado pelo cansaço e pela noite mal dormida e moldá-lo-ia com a serenidade que me percorre. Só falta um sonho para a quase perfeição.

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domingo, outubro 24, 2004
  Daqui a algumas horas

...vou estar aqui




Templo de Diana, Évora
 
sábado, outubro 23, 2004
  A esmagadora minoria

Este slogan foi usado pela primeira vez, se não laboro em erro quanto à data, no anúncio da revista Vogue, nos idos anos 50 ou 60, querendo significar precisamente o poder que uma minoria numérica pode ter para influenciar decisões. Há alguns anos que conheço a expressão como associada à, na altura, estreante revista.
É com espanto que vejo a actual publicidade à 'Sagres preta', fazer tábua rasa da criatividade alheia e utilizar o mesmo slogan, como se acabadinho de inventar fosse. Não sei quem é o criativo que está por detrás da descoberta, mas seja ele quem for, não deve muito à ética, não é verdade, sr. publicitário?
 
  e com papas e bolos se apanham os tolos

Fujo das livrarias como o diabo da cruz. Os livros estão caros e eu tenho gasto muito dinheiro em livros (...ai!). Faltam-me comprar coisas cá para casa, quero comprar um leitor de dvd's, acabar de decorar a casa, aliás, espero nunca acabar a decoração, já que não gosto de casas estáticas e muito certinhas, cuidado com o tapete, que é branco!, não me partas isso, foi caríssimo, bébé da tia, não mexe!
Por isso passo frequentemente ao largo das livrarias, sem entrar, por exercerem sobre mim um fascínio irresistível, tal como as perfumarias e outros sítios onde gosto de me perder e onde tenho mesmo que dispensar companhia, ninguém aguenta o tempo que eu gosto de me demorar, se o tiver, esquecida das horas e eu não tenho que aguentar a falta de paciência alheia.
A moda dos livrinhos de bolso que nos tempos da adolescência (estou na idade em que se começa a ter já muitas referências, algum passado, quem me dera ter mais mundo...) abundavam, parece ter ressurgido agora, num conceito mais apelativo. Tudo a € 5,00, é aproveitar, minha gente! É a Dom Quixote, Asa, é a Editorial Notícias e outras que mais.
À conta disto, eu que quando olho para o preço dos livros, penso para comigo, hoje não, este custa quase €20,00 e a verdade é que os outros 5 que compraste nos últimos meses ainda estão alinhados na prateleira dos próximos a ler, à conta da conversa dos 1000$00, dizia eu, comprei da última vez os seguintes livros de bolso, todos baratinhos a €5,00:

Algumas crónicas
(A. Lobo Antunes)
O fantasta dos Canterville (O. Wilde)
Meditações orientais de Confúcio e Lao Tse, e
A casa dos budas ditosos
(J. Ubaldo Ribeiro)
5, 10, 15, 20 euros, pois é; fui bem apanhada, não fui?


adenda: valem a pena, são livrinhos pequenos, lêem-se bem e em qualquer lado, não se magoam muito se forem lançados à pressa para dentro da carteira, permitem-nos ter obras clássicas e deliciosas e preços imbatíveis. (Sim, sei que estraguei o efeito e não mostrei arrependimento. E o 1º que atirar a pedra...)
:)

 
sexta-feira, outubro 22, 2004
  Silence is sexy

..E pode ser assustador para pessoas cuja imaginação as quer ultrapassar (O que não quer dizer que consiga, diga-se em abono da minha reputação). Acordei sem despertador, o bébé do andar de cima não chorava, o comboio não apitava (isto está rimar muito, não estou a gostar) e a cortina do chuveiro estava estranhamente composta e corrida. Veio-me à memória a cara da Janet Leigh em Pshyco. Lindo. Para ajudar ao cenário oiço silence is sexy dos E. Neubaten. O meu outro lado ouve remotamente na sala o documentário sobre Imelda Marcos. Excelente este sentido de oportunidade do Canal História. Obrigada rapazes! (Isto é tudo culpa da RCA editores que anda a lançar uns dvs's do tio Alfred por € 11,00 e eu ainda não os consegui encontrar em nenhum quiosque)

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quinta-feira, outubro 21, 2004
  A palavra escrita

Se excluirmos a palavra falada ao vivo e em directo ou ao telefone, comunicamos à distância por carta, mail, fóruns, blogs, grupos de discussão, e o que mais se vai inventando para responder e alimentar a nossa necessidade de encontrar o outro em nós e nós nele. Ao , (gosto desta expressão) comunica-se por palavras ditas ao outro. Principal forma de comunicar são as palavras que dizemos cara a cara. Ou talvez não. O que não se diz literalmente e o que não se diz porque não se diz têm muitas vezes mais importância que as palavras.

Não de diz porque não se quer dizer = Às vezes o silêncio é o melhor aliado de ambos os interlocutores. Não se diz porque não se diz = são as expressões faciais, o tom de voz, a postura corporal, o olhar.

O que é espantoso é que conseguimos realmente comunicar com o outro, sem lhe ouvirmos a voz, sem lhe perscrutarmos o olhar. O que é sinal mais que suficiente de que a palavra escrita se basta a si mesma. Como diz Virgílio Ferreira na frase que a BárbaraG. (lindo nome:P) foi buscar como mote para o seu programa literário-chic: A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana.


 
quarta-feira, outubro 20, 2004
  Sobre a catarse

Nem sempre o que se escreve e soa triste a quem lê significa que se esteja num estado de espírito infeliz. A escrita é catártica, quer tenha contornos pessoais quer se funde apenas em exercícios de escrita.
E não me exponho, não. Dizer tudo, não dizer nada, inventar, vai dar quase ao mesmo. Nunca se escreve igual ao que se vive.
 
  Bem me quer, mal me quer

"E se, nove anos depois, voltássemos a sentir exactamente o mesmo pela mesma e única pessoa por quem alguma vez nos apaixonámos verdadeiramente?"
(Vítor Moura, na revista Premiere, a propósito do filme 'Antes do anoitecer')


Depois 'desse amor' pensei que nunca mais iria conseguir amar alguém como 'dessa vez'. Se a perfeição existe, tivémo-la nas mãos, e o amor foi um pássaro que deixámos escapar por entre os dedos enquanto nos olhávamos enfeitiçados. Quando olhámos para as mãos, estavam vazias. E nesse vazio iluminado sangrou tanto tempo o coração - quem sabe (eu sei) o tempo necessário para te arrumar num canto da memória e deixar-te ficar aí, no limbo onde o prazer e a dor coabitam. E há momentos em que uma lágrima vadia me nasce no rosto, espantada perante esse amor quase perfeito, só nosso que foi.
E que acabou.

 
 


(Promise of a new day, Keith Harris)



Não é bastante
que eu reconheça a minha solidão
e a preze como o início de um caminho.
Não é bastante
ser livremente tudo quanto sei
e estar aberto a tudo o que serei.
Tudo o que fui e o que sou e o que serei
já são iguais
no tempo do meu todo ignorado.
Quero abrir o que as palavras não descrevem
por já não responder ao sim e ao não
do meu espelho conhecível.
Já não me basta apenas dar um nome
à morte que me cabe enquanto vivo
porque morrer é ter perdido a morte
para sempre
tornando sem sentido o sim e o não
com que me circundei e defini-me.
Conheço-me as fronteiras.
Quero o resto.


(Helder Macedo)


 
terça-feira, outubro 19, 2004
  Importante

Veja-se aqui a divulgação de uma iniciativa meritória, em favor de uma causa frequentemente subvalorizada.
 
segunda-feira, outubro 18, 2004
  Helder Macedo

Conheço-me as fronteiras.
Quero o resto.

(Helder Macedo)




The Great Wave of Kanagawa
by Hokusai Katsushika

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domingo, outubro 17, 2004
  60 chávenas de café*

Ontem à noite, entre o habitual e irritante zapping que faço, cruzei-me com este* título. Nome inusitado para filme, deixa lá ver de que trata.
Começou da forma mais simples, um rapaz que se dirige a uma estação de serviço e vai pedindo cafés, e vai bebendo, 5, 10, 15, por aí fora. Leu que beber 60 cafés é o limite da sobrevivência física e da sanidade mental, depois disso o coração dá de si e ele quer testar obsessivamente as suas fronteiras, possivelmente o romper de um amor deu o mote, é de lei que os amores perdidos nos levam a encarar os limites, como é de lei que qualquer uma tem excepção.
O que achei interessante (nota caseira: aumentar o leque vocabular de elogios) foi a simplicidade complexa da história, a existência de poucas personagens, ele, a empregada de café, uma criança e a sua mãe, dois homens que fazem apostas sobre o sucesso do desafio auto-imposto. E finalmente o situacionar da história num espaço físico limitado. Como se fosse um palco com um cenário só. E no entanto bastaria mais um enfeite para ser demasiado.
O miúdo pergunta-lhe porque bebe ele tanto café. Responde com uma pergunta: porque é que vais passear ao parque do i.forgot.the.name?
Para ver a paisagem, diz a criança.
Ora aí tens, replica o rapaz.

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  da pele, a memória

Assim é a memória. Onde quer que eu me encontre abre um buraco, entra na terra, o que me dificulta a marcha ao mesmo tempo que acentua esta estranheza de eu me sentir eu até onde nem mesmo as minhas mãos, ainda que escavasse, lograriam ir.(...)Vem sempre dar à pele o que a memória carregou, da mesma forma que, depois de revolvidos, os destroços vêm dar à praia.


Luis Miguel Nava
1957-1995

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  Outono em revista(s) , 2

"A força imensa de Chaplin é fazer brotar sentimentos tão gigantescos de tão ínfimos detalhes. É um cinema escatológico, profundamente frio, calculado e minimalista. O contrário, precisamente, dos que os filmes parecem ser. Daí a sua grandeza, a sua desarmante desmesura. É isso a arte."
João Mário Grilo


"A ninfomania é uma invenção do homem para controlar o desejo da mulher."
(Valérie Tasso)


"Contra as culturas geneticamente modificadas, a revista (Utne) apresenta as culturas inteligentemente modificadas."
(Miguel Calado Lopes)


"Há centenas de erros em 'O Código de Da Vinci', de Dan Brown, e passa-se com ele o mesmo que com Fahreneit 911, de Michael Moore: em vez de de assumir como ficção total, faz os incautos pensar que tem uma base 'científica'. Triste sina."
(Nuno Rogeiro)

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sábado, outubro 16, 2004
 



Uma pessoa estuda, trabalha, refila, está contente por ser mulher neste século, neste canto do mundo e vê esta imagem na internet?
Apetece ir lá e dar umas marretadas valentes na 'obra de arte'. Humpf!
(retirado da caixinha da Pandora)

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  Outono em revista(s)

"Quem escreve ou dá a sua opinião, gosta de ser lido. O resto, é hipocrisia."
(JPP)


"A Inglaterra está acabada. Só produzimos hooligans. E os hooligans de hoje são os soldados de amanhã"
(Tom Sharpe)


"Em Nova Iorque, durante um talk show, perguntaram-lhe (a Brigitte Bardot) qual tinha sido o melhor dia da sua vida. A resposta foi rápida: 'Não foi um dia, foi uma noite'".
(João Gobern)


"No fundo de cada um de nós, existe, também, estou em crê-lo, a má consciência colectiva de quem sente que não fez - como sociedade - nada que justifique o amor que Obikwelu generosamente declarou ter pelo seu país de adopção. É que, no fundo, todos sabemos que o sucesso do jovem Francis é mais um produto da sua própria força de vontade, das solidariedades e generosidades individuais, do que de um sistema de acolhimento generoso, humano ou potenciador das capacidades dos que nos escolhem como destino de emigração"
(Pedro Norton)



[Excertos retirados, para ma mémoire futura, das revistas Sábado, Visão, Única, em edições recentes]


E agora já posso começar a ler a papelada desta semana - se o tempo me deixar e o outro tempo incentivar, o que parece ser o caso...os dias estão a entardecer cada vez mais cedo e apetece aterrar nos livros e nas revistas e absorver o mundo inteiro, aportada em casa.

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quinta-feira, outubro 14, 2004
  acaso, destino...tempo?

Lia uma crónica de Nuno Rogeiro em que ele falava de um livro, cujo nome não recordo, que tinha como ponto de partida o desaparecimento da electricidade. De seguida o meu ilustre ex-professor disserta sobre a mudança radical que isso traria ao nosso estilo de vida. Como (sobre)viver sem televisão, sem computadores, sem internet? E a resposta surge natural e quase atractiva. Seria um mundo em que teríamos mais tempo, esse incomparável luxo. Tempo para passear ao sol ou à lua, com vagar e encanto, tempo para ler os livros que, no meu caso, se acumulam pela casa, espalhando-se estrategicamente à espreita de...tempo.

Se existe destino ou acaso ainda não sei. Mesmo assim ou por isso mesmo, vou fazer um jogo conhecido que finalmente me desafiou.

1- Vou pegar num livro ao acaso (destino?)
2- Vou abri-lo, digamos, na página 20.
3- E vou escrever uma frase, a primeira em que os meus olhos poisarem

... (Vou tentar não fazer batota)
.
Não fiz batota. Paciência. Vou perder uma boa oportunidade de estar calada.

Lá vai:

É claro, que para renunciar ao cigarro, é preciso querer.
("Beleza e cuidados pessoais" - Colecção Guias Práticos das Edições ProTeste)

Pela amostra acima o destino esta noite não existe - longe pode estar o conselho, que dispenso. Cá para mim acho que se faz uma grande questão à volta do suposto binómio destino/acaso e eu tenho um palpite que são uma e a mesma coisa.

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quarta-feira, outubro 13, 2004
 



MANHATTAN II


Isabel Magalhães

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Viragem

Não me resigno. E sigo e sigo. E se
caio, gostosamente em pé, prossigo
e sigo. Se quereis seguir-me,
apressai o passo e escutai o meu.

Lancei a noite pela borda. À beira
do abismo virei, mudei de rumo.
Hoje teço, fio a fio, a esperança
de olhos cerrados, sem perder o fio.

Sigo clamando paz ( a passos
agigantados, avançando em saltos
incontíveis). Se quereis seguir-me
esta é a minha mão, este o caminho.




Blas de Otero
n. 1916, em Bilbao

(poesia espanhola do pós-guerra)

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terça-feira, outubro 12, 2004
 



E a propósito de heróis, vejam-se os atletas paralímpicos.
A foto acima é da mascote dos Jogos deste ano - isto se o Google não me enganou ;)
É uma imagem alegre, como têm sido as das mascotes dos anos anteriores. Porque é sempre motivo de alegria e entusiasmo a superação dos próprios limites.

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  um dia atrás do outro

Cristopher Reeve encarnou no écran o papel do Super Homem, personagem que inspira o desejo impossível de alguém que nos salva de tudo e de todos. Foi ironicamente na vida sem ficções de todos os dias, que ele se revelou uma pessoa acima de si próprio e desafiou os seus limites humanos. Sei, todos sabemos, o quanto as lesões na coluna são praticamente irreversíveis, apesar de alguns tímidos avanços que se têm vindo a fazer na medicina.
Há rostos que não esqueço, vítimas de acidentes de viação, que foram investidos, sabe-se lá como e por quem, de uma infinita força que os leva a superarem-se. Lutam contra si mesmos, contra um corpo que não lhes obedece. Até ao fim. Afinal, cada dia traz um novo amanhecer...

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segunda-feira, outubro 11, 2004
  O sal da língua

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuva
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar.
Para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.

Eugénio de Andrade

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  A razão de ter alguém no meu pé de vez em quando :)

Via Pandora's box






Que personagem do Seinfeld é você?
Trazido a você por Blog do Idiota

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domingo, outubro 10, 2004
  Uma mente brilhante*

(Do comentário que deixei noutro blog fiz post a propósito do dia da saúde mental)

Os dias 'de' têm o mérito de chamar a atenção para realidades que é mais cómodo para muitos fingir que não existem.
A quantidade de depressões e outras perturbações da mente é imensa e uma grande parte das pessoas que não as vive, por si ou através de alguém próximo, desvaloriza o impacto destruidor que podem ter na vida de uma pessoa.
Por sensibilidade minha, talvez pelo facto de ter estado muito próxima de alguém com determinadas características, sei o quão delicado e difícil é lidar com as pessoas que estão em fases ou momentos desses. É um precário equilíbrio. Nem muito nem pouco. Nem tudo aceitar, nem dar demasiado 'desconto'. A verdade é que somos humanos e que pode acontecer a qualquer um. E acontece mais do que quer admitir. O próprio e os que o rodeiam têm de aprender a aceitar e lidar com a situação de uma forma natural, sem dramas, meias palavras ou medos. O medo, aqui como noutras aituações, é o pior inimigo.

Lembram-se do filme*? Gira à volta da vida do matemático John Nash, que, sofrendo de esquizofrenia, lutou toda a vida e continua a lutar contra a doença. Aceitando-a. No meio da luta ganhou o Nobel da Economia.




Little Lady
Daniela Potz

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sexta-feira, outubro 08, 2004
  A vida é um milagre


Mal tenho tido tempo e vontade para me inteirar das notícias do mundo. Soube há dias que houve uma polémica com os comentários do Marcelo Rebelo de Sousa, que se deu uma espécie de sublevação na Guiné-Bissau, e pouco mais sei do mundo. Jornais e noticiários estiveram esta semana ausentes do quotidiano. Ando muito centrada no meu umbigo e no da minha irmã :)
Ontem finalmente deu-se ao trabalho de anunciar a sua presença na palma da minha mão e senti-a rodopiar, feliz, na água materna, através das ondulações na barriga da progenitora.
Na ecografia de ontem, a última antes do nascimento para o mundo, vimo-la levando a mãozinha à boca, sugando o polegar. Cinco dedinhos pequenos e perfeitos na extremidade do braço comprido. A vida é mesmo um milagre.

Peso previsto: 3.50 Kg
Data provável do primeiro choro: meados de Novembro


Welcome, baby!

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quarta-feira, outubro 06, 2004
  Cinema

Ir ao cinema ao domingo à sessão das 13 horas, depois de acordar tarde, tomar um bom pequeno almoço e zarpar rumo a uma sala meio vazia e, depois do filme verificar que há uma fila imensa para comprar bilhetes é deveras compensador. Só não recomendo (perdoem-me!) porque não quero da próxima vez deparar-me com o cinema cheio de madrugadores e entusiastas bloggers (não esquecer que tenho largas dezenas, quiçá centenas de leitores diários, o site meter é que anda avariado):) e ser forçada a mudar de novo os meus horários contra a corrente :)

The village é filme envolvente e misterioso sobre uma aldeia especial que se separa do mundo para melhor se proteger dele. O conflito nasce quando precisa desse mundo de que se separou para continuar a sobreviver enquanto espaço tempo isolado e demarcado.


A Cinemateca tem um mês de Outubro recheado de filmes de culto. Não compreendo é como está fechada ao domingo, nem compreendo porque é que no centro de Lisboa, os domingos e feriados significam a desertificação completa a nível de oferta cultural ou simplesmente de lazer e verde, muito verde. Porque não aproveitar a zona da Avenida da Liberdade para dinamizar e expandir os locais de bem estar em Lisboa? É uma cidade tão bonita...

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terça-feira, outubro 05, 2004
  5 de Outubro

O dia 5 de Outubro merece o meu reparo pela admiração de bisneta: o meu bisavô foi activista lutador pela implantação da República e, como vereador de uma pequena autarquia às portas de Lisboa, reuniu o respeito e a admiração dos conterrâneos pela dedicação, entusiasmo e generosidade que consagrou à causa da sua vida.

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  Rute

Homens que são como lugares mal situados
Homens que são como casas saqueadas
Que são como sítios fora dos mapas
Como pedras fora do chão
Como crianças órfãs
Homens sem fuso horário
Homens agitados sem bússola onde repousem

Homens que são como fronteiras invadidas
Que são como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que são como a negação das estratégias
Que são como os esconderijos dos contrabandistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que são como danos irreparáveis
Homens que são sobreviventes vivos
Homens que são como sítios desviados
Do lugar

Daniel Faria



Era, É, um poeta intenso e profundo, que se cumpriu em 28 anos de eternidade. Comove-me sempre que o leio, como se nele houvesse a premonição do absoluto e indizível futuro. Comove-me a forma suave densa e firme como toca nas palavras e as alimenta e lhes dá ar e água.


Disse a Rute a uma amiga pouco antes de morrer, premonitória e segura da alegria com que sugava a vida e olhava o futuro, não imaginando que a morte já rondava os seus 20 anos.
"Só se vive uma vez e se a vida for bem vivida uma vez basta."
Há pessoas que são mesmo lugares mal situados sítios fora dos mapas.


Dedicado à Rute que olha o mundo do cimo das estrelas, dançando encantada. Os anjos dançam nas estrelas, sabiam?

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segunda-feira, outubro 04, 2004
  recordações

No mínimo é misteriosa a forma como as recordações nos vêm ao espírito e ao coração. A pantera cor de rosa, nome bonito e infantil visto fora do tempo em que era, apareceu-me surgida do aparente nada trazendo tempos que já não existem, o tempo em que o Vasco Granja apresentava as sessões de desenhos animados e eu e o meu pai as víamos juntos e cúmplices.

Penso que era o Sttau Monteiro que punha na boca de uma das suas personagens a reflexão: Tenho saudades dos lugares que percorri em criança; Ou será que tenho saudades da criança que percorria esses lugares?

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  Anonimato

Está aqui um excelente texto de Paulo Querido, de que transcrevo uma parte, a parte que me interessa realçar, a propósito da criação de réplicas de blogs, a propósito de comentários anónimos cuja autoria se quer confundir com o original o que dá origem a confusões sobre quem é quem. Esses falsos blogs não apenas pretendem provocar o visado autor original - mais grave é enganar e desrespeitar quem lê e comenta de boa fé, supondo que está a dirigir-se a outra pessoa. Claro que para alguns a boa fé não significa nada e o que interessa mesmo é manipular a sinceridade alheia, instrumentalizar essa mesma boa fé das pessoas que se dirigem a A pensando que se estão a dirigir a B e etc - e, depois, ficar a rir ao alto do seu sarcasmo desiluminado.


Desde que descobri e frequento este mundo da net, mais me convenço que é em todo igual ao de lá de fora. A cobardia e a coragem expressas lá fora têm a mesma expressão e referenciam-nos, quer sejamos um nome ou um nick. Tal qual.


(...)
Agora outra coisa. Na blogosfera o anonimato é vulgarmente uma defesa do autor, que deseja publicar sem que isso signifique expôr a sua privacidade. [Nem todos nós procuramos os cinco minutos de fama.] O tom intimista dos blogues ajuda a essa escolha. Muitos, uma vez conhecidos os cantos à casa, acabam por assumir a identidade nos seus blogues. Outros, uma minoria, não.

O anonimato não significa cobardia -- embora alguns cobardes anónimos o usem para tentar insultar e denegrir terceiros.

O anonimato não significa irresponsabilidade ou inimputabilidade -- apesar de alguns cobardes anónimos o usarem irresponsavelmente.

O anonimato merece respeito -- sim, apesar de com isso termos de levar com as diatribes de alguns cobardes anónimos. Pensem nos outros, nos milhares de casos em que só em condições de anonimato puderam ser denunciados escândalos e tiranias e mortandades.

A credibilidade não tem uma relação directa com o anonimato ou a assinatura. A credibilidade é outra coisa. Um jornalista é um profissional treinado para reconhecer sinais de credibilidade numa informação prestada seja por quem for. Mesmo (sobretudo?) por um dirigente governamental. Com o tempo muitos bloggers e consumidores de informação na web adquirem esse treino em quantidades diferentes. Com o tempo aprendemos a separar as fontes mais credíveis das menos credíveis numa escala de valores que tem muito de pessoal, claro, mas também muito de consensual, partilhável pela comunidade.

Como a reputação, a credibilidade constrói-se. Na web como no resto. Há figuras públicas sem credibilidade, ou de baixa credibilidade. E há figuras anónimas (não públicas) de credibilidade comprovada. Por vezes ao longo de anos. Há milhares de bloggers credíveis e respeitados apesar de ninguém os conhecer em carne e osso ou de nome. Aqui Furtado observa bem: «a experiência [dos jornalistas] é ainda escassa para encontrar, ou até para procurar, novos códigos». Que lhes permitam reconhecer as fontes mais e menos credíveis da blogosfera. [Observação: o ónus da inexperiência deve recair sobre o jornalista e não sobre as eventuais fontes. Não foi o caso.]

A credibilidade constrói-se através da repetição, no tempo, de informações sérias e relevantes e de opiniões certeiras. Não se constrói com um feliz mas episódico tiro na mouche. E muito menos fornecendo regularmente informação falsa, deturpada ou enquinada (como é vezeiro na política e na economia, prosseguindo estratégias privadas).

A acabar: um nick, ou pseudónimo, tem o mesmo valor de um nome. É uma assinatura. Identifica aquela pessoa. Na Internet como na vida (quantos "jet-sets" são conhecidos pelos seus diminuitivos familiares? Quem sabe o verdadeira nome de Babá Pita?). José Pacheco Pereira é quase mais reconhecido na Internet (e pelos internautas nas conversas informais em ocasiões sociais) pelas iniciais JPP e até por Abrupto do que pelo seu nome -- esteja ou não ele ciente disso, esteja ou não ele disposto a conceder à assinatura JPP foros de nick oficial.

Quem acha que se refugia atrás de um nick, esqueça. Mais tarde ou mais cedo confronta-se com a reputação desse mesmo nick.

No início da vivência online dizia-se a propósito do anonimato que supostamente caracterizaria estas paragens: na Internet ninguém sabe que tu és um cão. Pouco tempo foi necessário para se perceber que, pelo contrário, os nossos passos digitais deixam rastos e marcas a vários níveis, o principal dos quais a esfera comum de diálogo, a comunidade. A frase pode então ser reformulada mantendo o seu humor inicial: na Internet todos sabem que tu és um cão.

Podem não te reconhecer na rua, mas aqui sabem quem tu és. Cão ou não.


(P.Q.)

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domingo, outubro 03, 2004
  Cinema Paraíso

Ele: Estou apaixonado por ti.
Ela: Eu não te amo.
Ele: Eu espero.

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  a sensible friend

É na verdade um amigo muito, muito sensato, o X-file, nome que lhe chamarei aqui para não lhe chamar outra coisa, o nome verdadeiro, por exemplo.
Que amigo diria a uma amiga, sem segundas intenções, que ela é um Ferrari, talvez um Porsche? (Se não te importas fico-me pelo Ferrari). Foi castamente que me chamou isto há pouco e o meu ego não resistiu a vir anunciá-lo ao mundo.
Mas não é por esses motivos que sou um Ferrari, por esses sou mais opel corsa.
Adiante X-file, não que eu tenha pressa, a noite é minha, mas tenho que dar corda às mãos, que isto de ter pensamentos que correm mais depressa que a humana velocidade de escrever é o que dá.
Com que então, caiu na asneira, de fazer na sexta feira, 20 anos, que tolo!, reza assim um verso de um poema que cheguei a saber de cor, tal a graça que os meus pais lhe achavam para nos iniciar na poesia. Ou então achavam-lhe graça, simplesmente.
Com que então, querido X-file, que és uma das pessoas que mais me faz pôr os pés na terra e recuar quando estou à beira do precipício, sou um Ferrari. Gostei. És realmente uma pessoa com olho para a qualidade.
E rematas dizendo que volta e meia lá ando, no arame. Mas por quem és. Conheces alguém mais low-profile que eu? Tenho o profile discreto de uma discreta e pachorrenta Garfield girld que gosta do voar. So what?
A velocidade é demasiada por vezes, queixo-me do mesmo. E cansa isto. Devo ter a caixa das mudanças avariada. Haverá mecânico que conserte a vida?

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  organizemo-nos então

Porque hoje é sábado
há um vampiro pelas ruas


(Vinicus de Moraes)



A casa vai a pouco e pouco tendo mais organização, o haloscan encomendado chegou hoje; Penso mudar o template, algo mais claro, luminoso e amplo, paredes nuas nesta casa onde cada objecto, cada palavra tenha o seu espaço próprio para ser (E ela a dar-lhe para a poesia - miss vague, acorda para o mundo real, o haloscan e os templates não têm magia, rapariga).


Ferrari, Porsche, Tom Waits, Lhasa de Sela, Björk, Michael Nyman, Einstürzende Neubaten, Da Weasel, tudo alinhado no toca cd's, velocidades e mudanças, travagens, poesia, um dos meus mais sensatos amigos, o calor, a ventoinha pequenina a respirar-me para a cara, sincronicidades, a lida da casa, as pessoas, nós mesmos, a vida, a intensidade. Tudo isto a mil à hora. São pistas, sugestões, esboços, transformo este post em moleskine e salto para o próximo. Com licença.

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sábado, outubro 02, 2004
  Que saudades!

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sexta-feira, outubro 01, 2004
  Outubro

Outubro e tanta coisa nos anos da minha vida.
Em diferentes anos, acabei a faculdade, tirei a carta de condução, adoeci num dia 12, recuperando-me depois de 2 meses no hospital, morreu a minha avó, nasceu a Indy, que doçuras e marcas me reservarão os outros Outubros da minha vida?
Hoje nasceu mais um Outubro e eu recebo-o de braços abertos, convoco as memórias. Relembro sobretudo a minha avó, que, há 4 anos, e precisamente um dia antes de morrer, quando lhe dei as mãos para que elas as aquecesse entre as suas, meigas e quentes, me disse, Eu tenho 80 anos, tu és nova, mas sou eu que te aqueço as mãos. Sorrimos as duas. Ainda hoje lhe sinto o calor das mãos.

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  Palácio em Goa

 
  Que engraçadinho que é

O amor é o esforço que o homem faz para se contentar com uma só mulher, diz Paul Géraldy.
 
Sur la marée haute je suis montée la tête est pleine mais le coeur n'a pas assez. Lhasa de Sela


mareehaute.is.vague@gmail.com

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