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La marée haute
quinta-feira, março 31, 2005
  Silêncios

Somos definitivamente animais de hábitos. Estive uns dias sem estar atenta à blogosfera e não senti os efeitos da dependência ou direi melhor do hábito que se instala quando fazemos frequentemente uma coisa.
Pelo contrário até me soube a uma certa libertação, como se me estivesse a afastar de um vício. Ler, escrever, comentar, saber o que se passa é um vertiginoso hábito potenciado e de que maneira pela velocidade a que o conhecimento e as ideias circulam nesta de pleno direito sociedade de des/informação que é a net.
Neste momento não sei bem como páram as modas por aqui, quem saiu, quem entrou, que mudanças houve e já coloquei a hipótese de mandar tudo às urtigas e esquecer o blog e todas essas palavras que vou deixando aqui e ali, afinal para que servem? Qual o seu sentido? Alguém disse que o sentido da vida é não ter sentido nenhum e eu vou-me rendendo devagarinho a esta evidência para alguns, apesar de bem no fundo desejar e sentir que tudo tem um sentido e um propósito que desconhecemos, pelo que...só nos resta viver o dia, um de cada vez. Verdade mais básica e lugar comum maior não deve haver mas por vezes é tão difícil aceitar a simplicidade das coisas.
 
quarta-feira, março 30, 2005
  Inspire, expire

Estou sem inspiração nenhuma. Eu queria ver como era se estivesse a ser paga para fazer isto. Hoje escreveria longamente sobre a falta de inspiração que acompanha o descongelamento da sopa de cenoura.
Acho que me vou entregar nos braços de Morfeu que é aquele tipo fardado que nos leva para o país dos sonhos e dos des-cansaços.

...No país dos sonhos podes ser quem tu és
ninguém te leva a mal
,

como na canção.

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  Como diz que disse?

Estou a ver que sem farda não me reconhece, disse a rapariga de dentro do carro, de óculos escuros postos, enquanto abria a janela e me dizia adeus.

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segunda-feira, março 28, 2005
  Apenas viver

"A ociosidade, a miserável ociosidade daqueles interrogatórios. ‘Você está bem?’ O sorriso postiço. ‘Estou bem’. A insistência era necessária. ‘Bem mesmo?’ Oh Deus. ‘Bem mesmo.’ A pergunta exasperante: ‘Você quer alguma coisa?’ A resposta invariável: ‘Não quero nada.’

‘Não quero nada, isto é, quero viver. Apenas viver, minha querida, viver...’ Com um movimento brando, ele ajeitou a cabeça no espaldar da poltrona. Parecia simples, não? Apenas viver."



Lygia Fagundes Telles

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  Para a Azul


Irises
Claude Monet


...que hoje terminou a tese. Parabéns!

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  Cansaço

Apraz-me o silêncio que sinto quando quase durmo, os sentidos se distendem e os pensamentos se perdem. Pois me invade o cansaço e o tédio que insidiosamente penetram, sem eu dar conta senão quando espetam bandeiras na minha pele.

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quarta-feira, março 23, 2005
  Umas férias perfeitas



Lake Lucerne. Lac des Quatre-Cantons
Herbert List
 
  Um recuerdo de Beja

Eu podia falar do passado fim de semana em Beja mas não me apetece escrever muito, porque não me ocorre nada para dizer além do que já foi dito e além do bom que foi estar entre pessoas que por aqui e por ali, blogosfera fora, espraiaram palavras em conversas infinitas e espírito aberto.
Numa dessas noites preguiçosas de dormir surgiu a ideia de se dar rosto às palavras escritas, de tentar completar o círculo da comunicação, e materializar os encontros num encontro. Da ideia à prática foi um pequenorme passo, iniciado de uma forma empenhada pela Mar e pelo Charquinho que se multiplicaram em contactos até nos proporem um local acolhedor e simpático para o fim de semana, um jantar em ambiente medieval num salão enorme e, ao lado, uma acolhedora sala com lareira onde as conversas se acenderam e as palavras se soltaram. Tivémos uma casa reservada só para nós em plena planície alentejana. Gostei do jantar e do pós-jantar, quando se fica ali, saciado e a saborear um café ouvindo música num projector (perdão, num leitor de cd's).
Eu podia falar do fim de semana, das peripécias e gargalhadas desde Lisboa a Beja, da conversa interminável que começou numa esplanada da gare do Oriente e que se sequenciou em vários capítulos, até adormecermos, até acordarmos, até regressarmos à base. Um dia eu conto um conto...
 
terça-feira, março 22, 2005
  Por dentro



Little Girl - Mom
Laura Monahan

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segunda-feira, março 21, 2005
  Migração (Bastet)

Voar é-te inato. Nasceste pássaro de asas compridas e por vezes acontece perderes a fé quando as olhas incrédulo como se não te pertencessem. Recordo-te então os inúmeros vôos paralelos, quando voar era tão fácil como outra coisa qualquer. Essa é a verdade, a magia e a fé. No tempo certo saberás da unicidade do corpo, do coração e da liberdade. E aí, belo flamingo, poderás migrar.

Bastet
 
sábado, março 19, 2005
  A primeira de várias negociações com o meu pai

Eu tinha 5 anos e meio quando o meu pai fez o primeiro acordo comigo. Dentro da berraria diária que era deixar-me todos os dias a chorar baba e ranho à porta do infantário, infeliz e abandonada, o meu pai perguntou-me se eu não queria mesmo ir para a escola aprender a ler e a escrever como os outros meninos. Ora como eu já sabia escrever o meu nome e umas letras mais, achava que estava razoavelmente preparada para a vida, mas dei uma oportunidade ao meu pai, embora com reserva. Disse-lhe que não ia naquela altura, mais tarde eu iria. Perguntou-me quando é que eu pensava ir para a escola. Respondi então que iria no dia 1 de Fevereiro.
O meu pai aceitou e eu durante uns meses andei sossegada, senhora do meu destino. O meu pai não me falou mais sobre o assunto. De vez em quando eu perguntava quando é que era o dia 1 de Fevereiro. Não é ainda, respondia o meu pai. Até que um dia a véspera do dia combinado chegou. O meu pai levou-me à escola e eu, já em paz com a vida, entrei no carreirinho das letras e dos números. Esta é umas birras e traquinices que o meu pai conta com um quase indisfarçável orgulho e eu mais orgulho tenho nele, por todas as qualidades que lhe conheço e pela sua força interior, optimismo e lealdade indómita.
Além disso é um pai todo giro e de fato ou de calças de ganga tem a classe de um verdadeiro gentleman. Sem peneiras. Um super pai:)

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sexta-feira, março 18, 2005
  Inauguração de galeria de arte, hoje, 18 de Março

O Cap inaugurou finalmente a sua galeria de arte e muitos de nós acederam ao honroso convite de, sem nada cobrar, contribuir para a primeira exposição colectiva :))

copyright-vague


Olhar-te
Vague
 
quinta-feira, março 17, 2005
  Singing in the rain, just singing in the rain...

A Azul costuma dizer que o seu blog é um saco de boxe. Como te entendo Zu! Hoje sou uma ilha rodeada de papéis por todos os lados, por dois computadores desconfigurados e que deviam trabalhar em rede mas que se incompatibilizaram desde o início. Acho que hoje vou buscar um dvd cómico, sim, porque eu nem tenho a casa para arrumar nem roupa para passar, nem papelada a arrumar, não, a minha casa não está um caos :)

What a marvellous feeling, I'm happy again...
 
 



Vou dormir com um sorriso imenso depois de me passear por um dos mais belos blogs que conheço e onde sempre deixo o meu silêncio mais puro. Com os sentidos todos despertos sinto que ali as palavras dançam, serenas e intensas, cheias da alma que as traz dentro.

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quarta-feira, março 16, 2005
  E o melhor beijo vai para...

A Hipatia está a revelar-se exímia organizadora de concursos linguísticos e exercícios de escrita. Para mais pormenores relativos à participação (os familiares directos não podem concorrer, adianta-se já), queiram por favor seguir-me e acompanhar-me à Rua da Voz em Fuga.

(Eu não consigo fazer melhor que o poema que segue, Hipatia) :)


Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.
Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.
E dentes se apertando delicados.
É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.



Jorge de Sena
 
  Blogcar

Não tenho andado muito na blogosfera, petisco aqui e ali, qual passarinho numa prancha de surf que debica a água inconstante. Ora, para ajudar o passarinho eu tenho uma ideia fantástica, que é a da fusão de blogs. A sério, um blog por pessoa é pouco económico, as vacas são magras e o tempo é escasso pelo que a ideia é que cada blog leve pelo menos 4 pessoas.
 
  Hope there's someone*

Não sou de paixões fáceis (gaba-te cesto) mas este disco arrebatou-me mal o ouvi e de seguida arrebatei-o eu e agora toca baixinho ao pé de mim esta voz sangrenta e absolutamente melodiosa. Oiçam aqui, onde a descobri.

*Antony and the Johnsons

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terça-feira, março 15, 2005
  la vie en close

la vie en close
c'est une autre chose
c'est lui
c'est moi
c'est ça

c'est la vie des choses
qui n'ont pas
un autre choix


Paulo Leminski
 
  Irá de um corpo inteiro descobrir o gosto*

*de um poema de Jorge de Sena, o meu contributo para o dia do beijo : )


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  Assine já!

A minha última distracção, digna de figurar na APADEDICA aconteceu um dia destes, quando combinei encontrar-me com o meu pai. Eu caminhava no passeio quando vejo um homem a seguir na mesma direcção que eu, uns metros mais à frente. Pelo porte pareceu-me o meu pai e, muito naturalmente, chamei-o. Não se voltou e chamei de novo mais umas duas vezes até que desisti, ele já se sumia na pequena multidão e eu continuei a andar.
Dali a pouco vejo o meu pai à minha frente a perguntar-me Porque é que me estavas a chamar se eu me estava a dirigir a ti?
Conclui para mim própria que, induzida no meu próprio erro de suposição e de aparência, quase nem via que quem procurava estava mais perto, tão perto que quase me assustou.

(O excerto acima transcrito faz parte do manual de sobrevivência e auto-ajuda a publicar na editora Pense por si mesmo e deixe a caravana passar; é um livro on-line, com um formato de jornal, cada semana um capítulo. Faça já a sua subscrição e receba todas as semanas GRÁTIS um copo de cristal desenhado pela dupla de cabeleireiros mais famosa do país!)

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  Dogville

Este é um filme sobre a bondade.

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  There's no place like home

Os móveis cá de casa estão a precisar de mudar de sítio de novo. Já estiveram em quase todos os lugares dentro da respectiva assolhada. A cama por exemplo já teve mais posições que eu dentro dela e o que eu me mexo, acordo sempre com a cama descomposta. Tens bicho-carpinteiro, diziam-me os meus avós em pequena, e eu pergunto-me a origem desta expressão já que não tenho arte nenhuma para a marcenaria e trabalhos de mãos. No entanto (hélas!), a minha sensibilidade táctil está agora a exercitar-se com o pc portátil que tem o pad, acho que é assim que se chama o dito quadrado que temos de tactear com os dedos até ele reagir e nos levar ao lugar pretendido da web, do wmp, do dvd, word, excel e afins.
Uma casa arrumada é tarefa sempre inacabada. Como Picasso gosto de colocar na parede um quadro meio torto, só para o ver numa perspectiva diferente. Quando chega alguém endireito-o; enfiam-me o carapuço da normalidade e eu 'tá bem, deixa'. É curioso como também os amigos nos conhecem tão mal.
:)

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  Jantar na maree haute

Este blog anda a tratar de temas demasiado profundos, urge dar uma volta a isto. A minha ideia é reunir a malta para um jantar no restaurante La Maree Haute.
'Bora lá?
 
segunda-feira, março 14, 2005
  Mas sempre voltaremos à varanda do aberto*

Tacteio o computador tentando apanhar as teclas certas. Hesito, volto atrás, apago, avanço palavras que se atropelam, percebem pouco das minhas prioridades e sinalização.
Agora com licença,que tenho de ir continuar a ler a história de amor de uma mulher britânica na Índia 'heat and dust' dos anos 20, que desafiou todas as convenções para se encontrar a si própria.

(* António Ramos Rosa)

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sábado, março 12, 2005
  !

É ponto assente! Este blog está a precisar de mudar de visual.
 
  ?

Mau mau, isto começa bem, então não é que agora não consigo comentar os comentários??
 
segunda-feira, março 07, 2005
  .

Até já.
 
sábado, março 05, 2005
  Regressar através do vento*



*Maria Sobral Mendonça


Se a religiosidade não existisse, eu teria a necessidade de inventá-la. Os artistas verdadeiros são, em suma, os mais religiosos dos mortais.
(Rodin)


Pedi de empréstimo esta frase de Rodin à Musqueteira para falar de um arquitecto de que gosto muito. Siza Vieira desenhou a igreja de Marco de Canaveses e, sendo agnóstico, foi graças ao empenho do padre local que o nome de Siza foi aceite pela comunidade cristã. A igreja é belíssima, ali tudo é cheio, despido de artifícios, amplo e a própria ideia da morte está presente sem tabus: a zona onde se vela é simples e bonita e emoldura uma cascata de água, fonte de vida.
Siza rasgou janelas horizontais e contrariou a tradicional forma de ver e encerrar Deus dentro de 4 paredes. Ele, que não acredita num Deus, fez naquela casa janelas a apontar o mundo lá fora. Esse mundo cheio de imensidão e abandono. Concordo com Rodin: A Arte é sagrada.
 
  Condenados a viver

Quando a 1poucomais teve de tomar a decisão certa mas difícil de mandar abater o Pluto, pensei na equiparação com a vida humana dentro de insuportáveis condições de sofrimento.

A eutanásia não pode ser encarada como uma porta aberta à morte, mas sou a favor de se darem passos cautelosos e conscientes dentro desta matéria sensível. Não é admissível que uma pessoa que está a sofrer de uma forma inimaginável tenha que ser condenada a viver. Estranha esta frase, não é? Condenada a viver. A vida é uma benção, não um fardo que se carrega.
 
  ensaios enquanto oiço people are strange dos doors em versão violino e orquestra*

há pessoas em nós de uma infinita doçura que rende.
(rende, de renda? não)

há pessoas de infinita doçura que nos rendem.
(o render da guarda? também não)

há pessoas que nos rendem.
(idem idem)

há pessoas cuja infinita doçura nos desarma.
(hum)
Há pessoas cuja infinita doçura nos desarma.


*o meu sonho é fazer títulos maiores que posts. ainda não foi desta. não desesperemos, irmãos.
 
  To be young, gifted and black*

*Nina Simone
 
  No voo de uma palavra e de um olhar

O que um sonha os outros alcançam,
o que um pressente os outros tocam,
o que um projecta os outros erguem.
Foi à vizinhança estreita destas duas palavras
que fui buscar sustento, esperança, alento.
Foi na vizinhança de ambas
que levantei a minha casa
e ocupei o meu tempo.


José Jorge Letria, No voo de uma palavra

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sexta-feira, março 04, 2005
 



As marés altas podem destruir e esgotar. Mas as outras não são vida.

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  A facilidade de reencaminhar mails

Trancrevo um mail que recebi ontem.

O meu nome é Denis e trabalho no Banco Santander. Estamos a abrir algumas vagas na área administrativa para pessoas portadoras de deficiências (pessoas com necessidades especiais). Caso você conheça alguém que tenha interesse, favor enviar currículo para:

Ana Bártolo
Prisma - Soluções Informáticas, S.A.
Avenida 5 de Outubro, 293, 8ºandar
1600-035 Lisboa
Telefone: +351 217991760
Fax: +351 217975117
São aproximadamente 75 vagas na área administrativa do Banco.

ESTE MAIL TEM 3 ANOS. Estive para o reencaminhar para divulgação mas acendeu-se uma luz cá dentro e o tempo de o enviar foi o tempo de fazer uma chamadinha rápida (vulgo rapidinha) e obter a desconfirmação.

Nota: Esta conversa não pretende ser exemplar, se o for será para mim mesma; quanto ao moralismo da coisa sou a pessoa menos indicada para dar lições de moral. Não gosto.

 
quarta-feira, março 02, 2005
  umblogéumblog

A (des)vantagem do formato blog é o tom que se cola ao dito depois do último texto ser escrito e até ao próximo se anunciar. Mas não tem nada que colar nem de permanecer, este é um blog despretencioso (tem dias :D) e que gosta muito de liberdade.
 
  Da coragem?

...Aliviando um pouco a carga mais pesada do texto anterior, reparo que se abordam temas incómodos, do lado de cá, quando não há perigo de sentir a alma despida.
A coragem, esse arregalar perante o próprio medo, mede-se ao vivo e olhos de frente, muitas vezes desarmados a tentar encontrar força onde ela não existe.
Do H. da M. e do D. lembro-me também a propósito de algumas noites completamente surreais, de nós, gatos pingados de pijama num quarto de hospital, atravessando a fronteira dos quartos, até à meia noite, senhora enfermeira, deixe lá, depois voltamos para as nossas camas, contando anedotas daquelas a que não se tira nenhuma letra. Com sexo, sem nexo. Com pessoas entre as quais existem algumas que no estado actual da medicina nunca poderão ter sexo da forma convencional. A minha visão do mundo alargou-se e a elas devo isso, a essas pessoas que um dia procurarei quando tiver coragem de as olhar sem medo de mim mesma.
 
  Promise of a new day*


*Keith Harris
 
  Para o H. o D. e a M.

Procurei um texto* que escrevi no outro blog em Setembro do ano passado sobre o trabalho pioneiro da equipa de neurologia do Hospital Egas Moniz, liderada pelo médico Carlos Lima, trabalho notável a nível internacional e a que infelizmente este belo país de politiques e mesquinhices, não dá o apoio e incentivo que ajudariam muitos milhares de nós ou como nós. Não entendo como não se apela à sensibilização numa área tão intensamente frágil como a das lesões medulares. O Correio da Manhã de domingo passado fala nesta magnífica equipa e na sua descoberta de como as células estaminais do nariz, pela sua capacidade contínua de renovação podem ajudar a tratar lesões da espinal medula.Carlos Lima queixa-se da falta de apoio das entidades oficiais portuguesas para este projecto, fala do reconhecimento que tem no estrangeiro e que está em perfeito contraste com o que se pode chamar de indiferença em Portugal. Que é feito da dinâmica? Será que a gente que manda neste país nunca foi a Alcoitão? Não conhece ninguém que tenha ficado paraplégico aos 15 anos por um acidente de moto ou tetraplégico aos 28 num acidente de carro? Eu também não até um dia (A maioria dos paraplégicos tem à volta de 30 anos e a causa principal da lesões medulares são os acidentes de viação)
E falámos nesses já distantes anos da legitimidade da esperança. Falava-se de Cuba, de Espanha. Há poucos anos li na Visão o artigo sobre esta equipa pioneira que logo recortei. Voltei a ler o ano passado a referência que a mesma revista fez ao caso e vejo com agrado que o Correio da Manhã de 27 de Fevereiro deu honras de destaque à recuperabilidade dos lesionados da espinal medula. Deixo aqui as palavras do neurologista Carlos Lima: Este estudo só avança a partir do momento em que se começa a falar dele lá fora. "Não tenho dúvidas nenhumas que se tivesse ficado nos limites de Portugal já tinha acabado há muito tempo. O grande apoio que temos vem do estrangeiro, não de cá. Por aqui, não atrapalhar é o mesmo que ajudar."


*Movimentos de esperança

Lembro-me de há bastante tempo ter lido na Visão um artigo sobre o neurologista português Carlos Tavares, a propósito da descoberta e desenvolvimento de uma técnica pioneira para tratar lesões da medula. Tanto quanto os meus conhecimentos de leiga me permitem entender, e não pretendendo alongar-me ou dispersar-me em termos técnicos, a recuperação de parte da sensibilidade dos movimentos do corpo, atingida pelo seccionamento da espinal medula, por exemplo num acidente de viação, é feita através do transplante de células da mucosa olfactiva, que, por possuirem determinadas propriedades estudadas e descobertas por este médico do Hospital Egas Moniz, têm o efeito de restabelecer a ligação entre os neurónios e/ou as células; falta-me a terminologia exacta para tentar transmitir a ideia com que fiquei, mas trata-se de um progresso admirável e que nos enche de orgulho e, também, de uma muito cautelosa esperança para as pessoas vítimas de paraplegia e tetraplegia. Não sei se a todos os lesionados da medula espinal pode ser aplicado este tratamento, que consiste basicamente numa cirurgia de transplante, não sei os custos, nem a que ponto a mobilidade e o controlo dos movimentos são recuperada. Sei que em todos os doentes operados se verificou recuperação de alguma sensibilidade e controlo motor. Num país como o nosso, triste rescordista de mortos e acidentados graves na estrada, esta esperança é encorajadora e feliz. São coisas como estas que me deixam deslumbrada com as infinitas possibilidades da ciência e orgulhosa dos nossos investigadores.

Foi também na Visão de uma semana de Agosto passado que tomei conhecimento que Carlos Tavares teve honras de destaque no programa de Larry King, exactamente pelo pioneirismo da investigação e dos resultados alcançados e que em breve iniciará nos EUA as diligências no sentido de aí validar a sua técnica.
Roubo as palavras ao repórter da Visão para dar o título a este texto e para o terminar: Trata-se de verdadeiros 'Movimentos de esperança'.


25 de Setembro 2004, algures


Nota: Quando ontem escrevi este post acentuei a parte negativa da falta de apoio oficial das entidades portuguesas a este notável trabalho de investigação e já cirurgia de auto-transplante de células do nariz, pioneira e única (só se faz em Portugal e no Hospital Egas Moniz este tipo de cirurgia), à qual recorrem lesionados medulares de todo o mundo, sendo que até hoje apenas cerca de 50 pessoas efectuaram a cirurgia, já que existem requisitos para se ser candidato à tal cirurgia. Hoje quero acentuar igualmente mas com maior força, a investigação e a descoberta dela resultante e que é como uma lufada de ar fresco de esperança para alguns dos lesionados e que tem tido resultados práticos efectivos a nível da mobilidade, inclusivé de tetraplégicos. Para uma pessoa que está imobilizada, o pequeno passo de mexer um dedo, de apertar uma mão é uma alegria inimaginável.
2005/03/02
 
terça-feira, março 01, 2005
 

A dança é escultura em movimento
Gene Kelly


 
  Ponto s. de situação

É bom poder estar sem computador e não ter vontade de o ligar quando há oportunidade e tempo. Devolve a sensação de domínio que o alinhavar diário de escritas e leituras blogueiras desafia.
 
Sur la marée haute je suis montée la tête est pleine mais le coeur n'a pas assez. Lhasa de Sela


mareehaute.is.vague@gmail.com

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