Se excluirmos a palavra falada ao vivo e em directo ou ao telefone, comunicamos à distância por carta, mail, fóruns, blogs, grupos de discussão, e o que mais se vai inventando para responder e alimentar a nossa necessidade de encontrar o outro em nós e nós nele. Ao pé, (gosto desta expressão) comunica-se por palavras ditas ao outro. Principal forma de comunicar são as palavras que dizemos cara a cara. Ou talvez não. O que não se diz literalmente e o que não se diz porque não se diz têm muitas vezes mais importância que as palavras.
Não de diz porque não se quer dizer = Às vezes o silêncio é o melhor aliado de ambos os interlocutores. Não se diz porque não se diz = são as expressões faciais, o tom de voz, a postura corporal, o olhar.
O que é espantoso é que conseguimos realmente comunicar com o outro, sem lhe ouvirmos a voz, sem lhe perscrutarmos o olhar. O que é sinal mais que suficiente de que a palavra escrita se basta a si mesma. Como diz Virgílio Ferreira na frase que a BárbaraG. (lindo nome:P) foi buscar como mote para o seu programa literário-chic: A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana.