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La marée haute
sexta-feira, dezembro 31, 2004
  O começo de um amor




Um imenso amor, uma tentativa de conhecimento e descoberta mútuos, um quem és tu, e tu quem és, nós duas de namoro pegado com um olhar que fala. Tia e sobrinha, ambas com um mês e meio de vida neste mundo. Ela é a ondinha cor de rosa a proteger dentro do mar tão meu. Meu amor pequenino.

Até para o ano, blog!

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  O fim de um ciclo

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

nem na polpa dos meus
dedos
se ter formado o afago

Sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras

sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado

minha raiva de
ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda


Maria Teresa Horta
 
  Acalmando...

Esperem por mim que mereço. Trabalhei até às 15h, estou lentamente a de-stressar e nada nelhor para isso para mim que ouvir música, agora os U2, ler um pouco, ler poesia, ah, a poesia. Correr atrás do tempo o tempo todo. Hoje não. Comecem a festa sem mim. Estou demasiado cansada. Apetece estar quietinha agora e daqui a nada acabarei de arrumar meia dúzia de coisas e lá levanto âncora de novo.

Li este texto da jornalista Anna Quindlen, que me apetece transcrever.

"Aprendi isso há muitos anos. Algo de realmente mau me aconteceu, algo que alterou a minha vida de tal forma que, se tivesse podido escolher, nunca a mudaria. E o que aprendi com isto é o que hoje parece ser, às vezes, a lição mais difícil de todas.
Aprendi a amar o percurso, não o destino. Aprendi que a vida não é um ensaio geral, e que o dia de hoje é a única coisa que se tem como certa.
Aprendi a olhar para todo o bem do mundo e a tentar dar algo em troca, porque acreditei nisso completa e absolutamente. E tentei fazê-lo, em parte, ao dizer aos outros o que tinha aprendido, mesmo que muita gente pensasse que eu parecia uma boa samaritana."


Anna Quindlen
 
  31 de Dezembro de 2004

duas almofadas
arroz de passas
arroz doce
canela
sangria
maquilhagem, roupa, brincos, pijama quentinho, pantufas
sapatos confortáveis
cd's
dvd's


Esta lista foi escrita há uns dias, apanhei-a agora no fundo da mala, acho que ainda vou a tempo de me lembrar ao que vou. Acho que é réveillon à la maison. Com alguma escapadela a meio da noite para ir à praia e ver o mar olhar o céu. Acho, que assim de repente parece mais uma lista de férias ou de Carnaval que uma simples e sentida noite que anuncia mais um ano seguida de um relaxante fim de semana (férias férias férias férias).
E por acaso não tenho nada a jeito e a culpa foi de uma conversa nocturna animada e arruinadora dos meus planos. Mas há coisas a que não se consegue resistir.
E como nada de repete é aproveitar os momentos que nascem. Qualquer momento, extrair-lhe todo o tutano, sugar a vida que se escorre a cada dia que passa e por isso cada dia deveria ser mais intensa.

Gostaria de desejar para a humanidade em geral e a humanidade em geral nem sequer sabe nem é para saber, gostava de desejar, dizia, muita paz. As guerras que nos fazemos, pessoais e que atravessam o mundo, o terrorismo, as catástrofes naturais que nos dão a dimensão de quão relativos somos no Cosmos e de quão inúteis podem ser os esforços.
Lições de vida, não gosto que nas imponham. Mas como não pensar m tudo que se está a passar, em Portugal, no mundo, na Terra? Como ficar indiferente? E no entanto precisamos de nos escudar, de não nos deixarmos envolver demasiado sob pena de nos quedarmos inertes, Olhando o sofrimento dos outros*, impotentes e tristes.
(Susana Sontag, que escreveu este* livro faleceu há dias).

E eu estou de parabéns porque através destes poucos meses de net comheci pessoas muito especiais, que não vou nomear, mas cada um delas se sentirá atingido por esta frase.
Pelo que não vou fazer agradecimentos a ninguém.
 
 



math.berkeley.edu/ ~dumitriu/images.html
 
  Rosinha, minha canoa

(...) - Viu, minha filha? Não é assim tão difícil nascer.
- Mas dói um pouco...
- Se não doesse, a vida não teria preço. Agora trate de caminhar. Você precisa sair, andar, perfumar a distância que existe até ao outro lado. E você não tem prática, vai levar todo o resto desta noite...(...)
A chuva reclinou-se para um lado e antes de dormir de todo ainda falou com ternura:
- Você vai achar a vida linda...sempre depois que chove...
Bocejou mais forte e parece que nem escutou todo o agradecimento do seu coração vegetal:
- Obrigado, Dona Chuva...




José Mauro de Vasconcelos,
in Rosinha, minha canoa

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  A passage in time*

Este é o último dia de 2004 (lembram-se de quando dizíamos 'no ano 2000 onde estarei?). Não se impõe um balanço e as solenidades desnecessárias aborrecem-me. Talvez por isso me aborreça às vezes comigo, logo me reconciliando, afinal é comigo mesma que vou acordar todos os dias da vida.
Gostei de tanta coisa na bloosfera. Descobri que os afectos são aqui possíveis, que o calor de umas mãos e de um coração pode alcançar teclados alheios e chegar célere a outro coração, a outras mãos que se abrem.
Este blog não é autobiográfico mas é atravessado aqui e além por bocados de mim, seja eu Vague, seja eu o meu verdadeiro nome lá fora.
Envio daqui um abraço especial para a Noite, que amanhece agora em Macau, 8 horas adiante de nós. No seu tempo o relógio parou no Ad tempus. Mas rapidamente o passo se acelerará e uma coisa quero ter como certa, tudo o que interessa é definir prioridades e dar alento aos que sofrem. Não são precisas guerras pequeninas nem grandes para nos matarmos uns aos outros, a Natureza é por si devastadora. E inimputável.


The Passenger
Bettmann

*Dead can dance
 
quinta-feira, dezembro 30, 2004
  O sorriso aos pés da escada

Coragem me foi pedida por mim mesma, coragem se exigia para enviar uma mensagem, coragem de meses ganhando fôlego balanço e voo para me lançar sabendo que o feed back ou até a sua própria ausência seriam inevitáveis.
As datas podem ser pretextos para balanços baloiçantes entre as dores e os dias. Entre a alegria e uns olhos tristes. Como um palhaço tem.

"Sentia agora próxima a revelação de algo capital. A sua verdadeira tragédia (começava a entender) residia na incapacidade de comunicar aos outros o conhecimento que tinha da existência de um outro mundo, um mundo para além da ignorância e da fragilidade, para além do riso e das lágrimas. Era justamente esta barreira que o forçava a continuar palhaço, o palhaço do próprio Criador, pois em verdade não havia no mundo uma só pessoa a quem pudesse explicar o dilema."


O sorriso aos pés da escada
Henry Miller


 
  Post sem título 2*

Afinal já não vou de férias grandes em Janeiro. Vou de férias pequenas o que é o mesmo que dizer que neste momento um fim de semana prolongado sem obrigações é sinónimo de férias. Um ligeira inflexão dos planos por bons motivos. Hum. Até é bom, dá-me mais tempo para organizar tudo e entrar sorrateiramente pelo espírito viajante dentro. Viajante e não turístico.
A outra parte boa é que vou ter oportunidade de ver a exposição da Paula Rego em Serralves. Sorrio.


(*mas se o tivesse seria 'Desabafo')
 
quarta-feira, dezembro 29, 2004
 


G.B. ENGLAND. Hampshire. Cricket match. 1989.
Chris Steele-Perkins
 
  Post sem título 1*

Lhasa de Sela foi definitivamente o meu encontro musical do ano, desde que primeiro a ouvi e me apaixonei, até hoje, concerto assistido, mágico e envolvente, rendida fiquei mais um pouco e la marée haute continua a ser uma das minhas canções preferidas de Lhasa (fossem todos os amores à primeira vista duradouros infinitos e o bom que era)

'Descobri' Kennedy - um virtuoso do violino que já cá canta, ele e a Orquestra Sinfónica de Praga playing Doors.

Relacionei finalmente os Da Weasel com as músicas dos Da Weasel e fez-se luz (Só no carro consigo ouvir a melhor rádio do mundo, no trabalho é só rfm e em casa só cd's, está explicado o mistério.)
Re-definições: excelente disco.

A música portuguesa está de vento em popa, alegre (ou triste) bonita, forte. Toranja, Pluto, Coldfinger, Naifa, Mesa (?), Da Weasel, o incontornável Rodrigo Leão.
E tenho ainda umas coisas mais a descobrir mas não me conformo com o preço dos cd's enquanto não conseguir sacar músicas da net.


(*estou sem imaginação para títulos)
 
segunda-feira, dezembro 27, 2004
 


Old watch faces in sand. The sands of time.
Joel Sartore/National Geographic Image Collection


Recuso

Não me engraxem os sapatos
nem me cortem o cabelo.
A barba cresceu-me
altiva.
Os meus rasgões revelam
que sou um homem livre.
Quando vou pelos caminhos,
vencido pelo cansaço,
sinto homens que ladram
pela boca dos seus cães.
Hoje vomitei
a migalha que me deram.
A esmola revoltava-me
as tripas e deixava-me
um gosto amargo na boca.
Por caminhos de silvas
iniciei meu exílio.
Caminho por outras terras...
e o regresso agarra-se-me
aos pés doridos
e aos braços que se abrem
em ânsia de abraço.
Mas recuso o preço
que me querem impor
estes homens que ladram
pela boca dos seus cães.



Félix Cucurull
 
  paraíso...

Terramoto no mar. Quase na escala máxima. Um dia depois do Natal. Dezenas de milhares de mortos espalhados pelas praias do paraíso do sudeste asiático. Há maneira gentil de dizer isto?
 
  Um blog que faz contas à vida

...e que tem o belíssimo nome de um belíssimo poema de Eugénio de Andrade.


Púrpura secreta

É na terra um fogo breve.

Um fogo doce de palha,
húmido,
quase animal.

Uma concha suave-
mente trabalhada
pelas abelhas da sombra.

Insegura flor abrindo.
Quase boca, quase língua,
agressiva, transviada.

Aglutinada
púrpura secreta
clamando
por luz violenta.

Um punhal extenuado
de ferir
lábio a lábio.

Explosão lenta.



Eugénio de Andrade
 
domingo, dezembro 26, 2004
  26 de Dezembro

E agora ala que se faz tarde - há pessoas que gostam muito de fazer anos a 26 de Dezembro (Isto é também para ti, menina que nunca sei onde pára no mundo).
A parte boa é que foste o melhor presente de Natal que a tua mãe teve há 32 anos.
A parte boa é que tu e a minha irmã me fizeram nascer como titia.


Ps: Espero que passe, não o encantamento que espero dure sempre, mas a compulsão para, a propósito de tudo e de nada encontrar sempre um motivo, não um pretexto! mas um motivo para deixar a minha ondinha cor de rosa entrar pelo blog dentro. Mas este não é um blog 'pro'. É um blog tempos livres, reflexões, o que me apetecer.


Ondinha, aqui vou eu!
 
 



JAPAN. Mt Fuji. Hakone. Boats. 2001.
Chris Steele-Perkins
 
  A 'obrigação maior ' do jornalista

Andando por aqui e por ali em domingo descansado encontrei este blog, JornalismoPortoRádio e indo mais além vasculhei os arquivos até chegar aqui , post com o título "O repórter e a empatia". Inspirado ou potenciado por um artigo de opinião da jornalista Anna Quindlen, fala-se nas obrigações dos jornalistas e aqui perpassa algo como ética, empatia, sensibilidade, colocar-se no lugar de.

Um artigo de Anna Quindlen na Newsweek, com o sugestivo título "The Great Obligation ” fez-me recordar os dilemas que vivi nos primeiros anos como jornalista e repórter. O que mais me preocupava é que por muito que sofresse, devido à dureza das condições em que as reportagens eram realizadas, as pessoas de quem o dia a dia relatava, ficariam lá depois de eu regressar ao conforto da minha redacção. As minhas dificuldades tinham sempre um prazo, as dificuldades dos outros tinham apenas o prazo da incerteza.
É por estas e por outras que me faz alguma confusão a proliferação de jornalistas que têm histórias para contar, vivências para partilhar. As únicas vivências que aceito como legitimas, e que devem ser partilhadas, são aquelas que nos ajudam a perceber o que se passa no local, seja ele o Bairro S. João de Deus ou Gorazde. Diz Anna Quindlen que "Reporters are often asked about their obligation to readers, but perhaps the most important obligation is the one we owe the subjects of our stories, whose lives are limned by our words, for better or for worse".

Pedro Leal
JornalismoPortoRádio




Deixo dois excertos do artigo, que me faz pensar e deveria fazer pensar, se pensar quisessem ou 'pudessem' alguns jornalistas, agrilhoados que estão não só à sua (des)ética de ser humano ou jornalista mas também à (des)ética do jornal, televisão ou rádio para o qual trabalham. Estarei a ser injusta? Penso que não. Acho que qualquer um de nós consegue identificar facilmente na televisão os bons jornalistas. Jornalistas. E também as estações mais tendenciosas.

(...)Reporters are often asked about their obligation to readers, but perhaps the most important obligation is the one we owe the subjects of our stories, whose lives are limned by our words, for better or for worse. David Halberstam, the best-selling author who won a Pulitzer telling the truth about Vietnam, says it was writing obituaries as a young man at the Nashville Tennessean that made this clear to him. "For most people it was the one time they got their name in print," he recalled. "If you got something wrong you could cause enormous pain to ordinary people."
(...)
All this makes you wonder if journalism schools should teach not just accuracy, but empathy. But the truth is, you really get that by covering stories, not studying them, by imagining yourself in the place of the people you interview.(...)

Anna Quindlen
Newsweek, 2004

 
  Sobre todas as coisas

Sobre todas as coisas é nome de um disco de Zizi Possi que coloquei como uma espécie de epígrafe à entrada deste blog. Gosto do duplo sentido que a expressão encerra, direi melhor, liberta para mim. Aqui falo de tudo (o que me apetecer), num tom coloquial como gosto que seja um blog que tem sistema de comentários e ao mesmo tempo, gosto do meu espaço também porque nele há um cantinho zen que mal se vê, apenas se sente. Sobre todas as coisas é também pairar um pouco acima do que se vê, distanciar e perspectivar, cruzar opiniões, aceitar paradoxos, ser-se e desejar-se livre, acreditar mesmo sob ilusão que se o é. E claro que ouvindo La marée haute de Lhasa de Sela e escrevendo sem nome verdadeiro mas não anonimamente, a sós comigo, dou também vazão à veia trágico-cómica da irrequieta e pachorrenta autora deste blog. Não sou feita, diz Vague, de uma água só, mas em mim (vague) cruzam-se rios, mares nunca dantes navegados, outros a descobrir e cascatas de sons e cheiros que transbordam em vagas altas ou baixas ou se descobrem quietas a sentir os cheiros da terra, da água salgada e a ouvir o barulho que o mar faz e que acalma um coração, mil corações ou apenas (tanto) os corações que acertam compasso consigo mesmos.
 
quinta-feira, dezembro 23, 2004
 


The Earth and the moon
by Paul Katz


Deseja este blog aos seus estimados clientes, tanto aos os que o lêem como aos que não (diplomaticamente estou a desejar as boas festas a 100% da blogosfera e é melhor não fazermos mais contas), ora, vocês sabem, o que se deseja nestas alturas.
Uma coisa tem sido certa para mim ao longo desta meia dúzia de anos que levo no mundo, se a vida fosse um dia, eu estaria entre as duas e as três, e menos tristeza ou mais alegria o dia de Natal foi sempre o dia mais diferente dos outros.
Boas festas para esse lado e, como hoje me desejou um colega num mail, entusiasmado e ternurento, desejo um bom ano, "não só em 2005 mas em toda a vida!" :)
 
  It don't mean a thing*

Que dia cansativo. Hoje caiu uma lágrima num documento para entregar a um cliente, mal se nota, é um cisco no olho da folha e ele nunca saberá que leva ali uma lágrima perdida. Estou óptima mas cansada, felizmente cansada. Com os nervos à flor da pele. À flor da pele. Expressão bonita esta. O trabalho acumulado, a falta de férias, os sonos trocados fazem esta bela mistura de olheiras e bochechas rosadas que aqui podem ver nesta vossa humilde criada.
E que ninguém tenha pena de mim que eu não quero pena, nem penas, nem duras penas, aliás prefiro mesmo as aves au naturel. O que me lembra que, valha-me isso, não vou ter grande interferência na parte gastronómica. Adoro cozinhar mas com tempo e bem feitinho. De resto, vou ali ao café e já venho duas sopas para levar e o mais que houver.
A grande maravilha - viver é a maravilha, onde é que li isto, Miguel Torga, será? a grande maravilha é a forma como os dias decorrem e se invertem sentimentos. A um sentimento legítimo de raiva, diga-se em meu abono, foram-se sucedendo momentos de beleza, quando tive de tratar de mais uma emergência (as emergências deviam ir para a fila de espera, sentadinhas, eu um dia destes faço um sistema de senhas só para mim, mas tipo profissional como nas conservatórias e na Periquita de Sintra.). A emergência foi olhar para o papel de controlo do óleo e ver que era uma emergência atrasada há meses. A urgência de agora prende-se com o bi, caducou há dias e eu em Janeiro piro-me. Valha-me o passaporte, já agora espero que esteja em ordem. É melhor nem pensar muito no assunto para não me enervar. Quando tiver a mala feita vou buscá-lo e espero, para bem dele! que esteja tudo em ordem.
Mas a beleza, a verdadeira beleza foi quando estava na oficina. Calma, por favor. Não se passou nada, nem o vi. O que vi foi duas enormes árvores focadas por um sol imenso e luminoso, o que vi foi as folhas e a sombra e o sol e um senhor parecido com o meu avô sentado à sombra enquanto eu me aquecia ao sol. Curiosa a vida. Falámos enquanto o carro estava empoleirado na urgência e o senhor conhece o meu avô e ainda é parente dele e conheceu bem o meu avô que já morreu. Lembra-se da data exacta do nascimento do meu avô, pôs-se a desfilar memórias e eu a puxar por ele, quase enfeitiçada por aquela parecença por aquela memória, o Salazar morreu no dia fulano, o Carmona morreu no dia sicrano, tenho 5 netos e nasceram nos dias tais destes anos.
A sucessão das coisas, os acasos. Às vezes é curioso quando nos deixamos levar numa corrente diferente, levados pelo puro acaso. O meu puro acaso de hoje foi entrar no carro disparada a um sítio e sem querer olhar para a data em que devia mudar o óleo. E isso mudou o meu dia, apanhei sol, conversei com um senhor de idade enquanto ao longe, muito longe, os montes se distendiam no olhar. E os meus nervos ainda estão um pouco na flor da pele. O trabalho continua a asfixiar a minha secretária. Não, não posso pensar em férias para relaxar que isso lembra-me que ainda não fiz reserva.



* June Christy
 
quarta-feira, dezembro 22, 2004
  hum...




USA. New York. Marilyn MONROE.
Elliott Erwitt

...aí vem o Natal. O primeiro da primeiríssima cá de casa, lá de casa, e da outra casa ainda. Tudo dela, pais, avós tios e primos. Meu bébé, minha ternurenta sobrinha querida (tanta lamechice diz a tua mãe se se desse ao trabalho de ler o meu blog, [gosto de te ler, mas não tenho paciência nem tempo para blogs e adoro-te] e eu calo-me, aliás ela não lê isto mas lê-me a mim, sacaninha)
Ainda me derreto. Não fosse a Marilyn dar um ar mais sensual à coisa e eu ficava com a reputação avariada.
 
  Alçada Baptista e a viagem

Há uma lenda de inspiração gnóstica que diz que, quando foi da rebelião dos anjos contra o Altíssimo, houve seres que não foram capazes de tomar o partido de Lúcifer nem o do Arcanjo Gabriel.
Se o mal não os atraía, a verdade é que mantinham sobre o bem interrogações e perplexidades. Foram esses seres que, segundo a lenda, o Senhor dos Tronos e Dominações enviou para a terra para que aprendessem a decidir-se. O homem teria tido a sua origem nessa vacilação inicial que o não deixava distinguir o bem do mal e ter sobre o mundo as suas certezas.


António Alçada Baptista em 'Peregrinação interior' (O Anjo da Esperança)


Gosto desta lenda. Acho que foi assim que chegámos do céu, fizémos escala em Paris, voámos no bico das cegonhas.
 
terça-feira, dezembro 21, 2004
 


Bamboo II
by Tsang

Vem beber um copo e descansar,
Os homens mudam sempre, como as ondas do mar.
Nós dois temos envelhecido juntos,
apesar dos reveses, continuamos vivos.
(...)
Porquê tanta pergunta, tanta luta,
os negócios do mundo, as nuvens flutuantes?
Descansa, deixa fuir a vida
e vem jantar comigo.


Wang Wei

 
  Ninguém tem brinquedos a mais, mesmo velhos?



Lembram-se da Filomena e do caso que foi exposto neste blog?

Pois bem, entrei em contacto com ela e, aparte a questão da casa, da doença, falemos dos filhos. Tem dois rapazes, um de 8, outro de 14 anos. E doeu-me um pouco o coração, sim, também por ser Natal, quando ela me escreveu entretanto que o que a magoa muito é não poder dar prendas aos filhos no dia de Natal, a não ser umas prendinhas pequenas que irá comprar com o que sobra de quase nada.

Ora bem, aparte a lamechice que também me é muito própria nesta altura do ano por motivos pessoais (dêem o desconto, please ) ;), vinha perguntar se alguém podia enviar para ela (a morada está no blog que acima mencionei) brinquedos, mesmo velhos ou comprados nas lojas dos 300, para os miúdos, um com 8, outro com 14 anos.

Sei que cada um tem os seus e outros a quem ajudar, que não podemos tomar as dores dos outros e sei também que se alguém me pedir neste momento ajuda para outra causa destas, sei que não tenho disponibilidade mental nem material, nem de tempo.

Quando passei os olhos por aqui é que me lembrei que há mais tempo podia ter deixado esta mensagem, não porque sinta obrigação, não porque nada, mas acho que devia deixar isto, este apelo, como tantos outros que se recebem nesta altura do ano e a que não podemos dar atenção, porque o tempo e a vida nos consome. Faço-o neste caso concreto porque é Natal e porque estou a falar de crianças de olhos tristes que olhei com os meus olhos (e há tantos outros, mas temos que ser práticos, não sou da opinião de que como não podemos ajudar todos, mais vale não ajudar ninguém) mas, como disse por aí num blog ou noutro, não me sinto nem mais nem menos solidária no Natal que em qualquer altura do ano. Nem eu nem muita gente. Não preciso de datas escritas no calendário que me indiquem a tristeza ou a alegria. É por isso também que a passagem de ano vai ser em casa e em Janeiro vou de férias, aí sim, vou celebrar de braços abertos o novo ano, rodopiando feliz, no frio, na neve, quem sabe dançando à chuva.
Fui lamechas? Deixei alguém triste? Espero que não, temos de pôr o coração ao alto e fazer o que achamos que podemos e queremos fazer sem tomarmos demasiado para nós as dores alheias e sem nos deixarmos levar excessivamente pela emoção, diz o roto ao nú.
Ah, e se tiverem
brinquedos
(cá estou eu a reforçar)
velhos
usados
que não façam falta
e mesmo que seja depois do Natal
(O Natal é quando um homem...)
pois,
enviem,
tenho a certeza que dois pares de olhos ficarão imensamente felizes.

E obrigada por lerem até ao fim.
 
segunda-feira, dezembro 20, 2004
 



...está aqui.
 
  O Pai Natal...

" Tretas tretas tretas a mim é que não me levam mais era o que faltava ou um ou outro é um aldrabão disseram-me que o pai natal descia pela chaminé e eu acendi o fogão para lhe queimar o rabo para ele dar um grito para eu o ver e nicles quem ficou com o rabo a arder fui eu que levei bumba no toutiço por ter gasto gás é só para ver como as coisas são disseram-me que ele trazia presentes do céu e o que ele me trouxe foi uma camisola que eu vi numa montra duma loja em saldo com o preço e tudo isto quer dizer que o Céu fica na Rua dos Fanqueiros ou que me aldrabaram por eu ser criança é o que eu digo mentem à gente mal a gente nasce e depois queixam-se de que a gente em grande queira ir para a política outra coisa que o pai natal me deu foi um compêndio de Ciências Naturais aprovado para o primeiro ano ora abóbora que se eu fosse má até ficava a pensar que o pai natal é o meu pai o que vale é que eu sou boa até ver sim até ver que se me pregam outra partida como esta vão ver como é que eu sou por dentro porque lá por dentro sou má como as cobras se julgam que eu saio à minha Mãe enganam-se lá no fundo eu saio ao meu pai mas não quero que se saiba para salvar o toutiço que se ele adivinha isso é bumba no toutiço até mais não outra malandrice que me fizeram foi darem-me um cavalinho de madeira que o meu avô comprou para levar à maternidade quando eu nasci a pensar que eu era menino mas o diabo do velho quando viu a enfermeira mudar-me a fralda meteu o cavalinho no bolso e foi a correr comprar uma roca de prata porque nesse tempo o plástico ainda era caro e levou o cavalinho para casa para quando viesse um menino e como nunca veio porque em Paris deixaram-se de fazer coisas dessas e agora fazem outras o tal cavalinho foi escondido numa mala muito velha onde eu o encontrei há mais de cinco anos estou farta de brincar com ele sem ninguém saber e vai este ano bumba apareceu-me no sapato como se fosse um presente do pai natal assim não vale abóbora que ou a gente é séria ou não é isto até faz com que se perca o respeito pela família terrestre e pela família celeste que o meu pai queira enganar o pai natal vendendo-lhe cavalinhos velhos e Compêndios de Liceu ainda eu entendo agora que ele os compre se calhar pelo dobro do preço é que não entendo nem à bala são estas coisas que fazem a gente perder a fé e depois espantam-se outra porcaria que me fez o pai natal foi dizer ao meu pai que este ano os presentes eram fracotes por causa da crise que há no Céu mas então se aquilo é igual à Terra para que é que lhe chamam Céu anda a gente a privar-se de coisas para ir para o Céu e chega lá e bumba aquilo é como a Graça ou como o arieiro eu é que não vou nisso e se as coisas não mudam para o ano faço de conta que não sei da crise e mando uma reclamação para o deputado que me representa na assembleia e o pai natal vai ver como é que as moscas picam para aprender a ser profissional a valer que isto dum pai natal amador não interessa a ninguém e muito menos a esta vossa GUIDINHa que não está cá por ver andar os outros. "


Redacções da Guidinha
Luís de Sttau Monteiro
 
domingo, dezembro 19, 2004
 


Bacio
by Furman S. Baldwin



Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Pablo Neruda
 
  Um sonho

Temo que os meus sonhos tenham alguma coisa de premonitório e se metam com a vida mais do que deviam, um sonho é um sonho, uma vida é outra coisa, e quando eu falei que o Paulo Portas me tinha (em sonhos, devia ser nos sonhos dele) enviado sms a perguntar-me a que horas nos encontrávamos na Kapital discoteca, na vida havia um fundo de verdade. Combinado às 3 pancadas depois de um jantar com amigas, lá fomos, (eu refilando, não sei se me apetece, se aguento, estou cansada) à festa da Kapital no Pavilhão de Portugal. Não encontrei o Paulo Portas (por acaso preferia mil vezes encontrar o irmão) mas havia imensa, sei lá, gente vip, muitas beleza plásticas verdadeiras, algumas mulheres muito bonitas, alguns homens muito interessantes, um ou outro, enublado pela luz, pareceu-me mesmo um deus grego (e o Nuno Gama ao vivo é melhor que a encomenda que nunca lhe farei), e por aí fora, muitos colunáveis simpaticíssimos para os fotógrafos, muita gente colante e coleante à volta dos ditos, enfim a feira de vaidades que é o que é. Não confirmo nem desminto, até porque o propósito desta mensagem era o de esclarecer ou avisar de uma certa correlação entre os sonhos e a vida. É que esta noite, esta noite encontrei-me nos sonhos com uma pessoa vip na minha vida e ele disse-me depois de um beijo, tímido roubado e ardente, já venho e eu senti a alma inquieta não sei se pela vontade que senti no beijo se por sentir que a nossa história já acabou e não somos os mesmos de há uns meses atrás, por mais que doa o olhar da fotografia, os risos, a alegria pura, a ternura infinita, a paixão da vida. Foi só um sonho e nada terá a ver com o futuro, com a vida, não quero. Não venhas.
Por mais que ainda doa o olhar, o riso e até o esquecimento.


E saio voando, num voo rápido para sítio nenhum, uma multidão de gente aguarda-me numa grande superfície às 9 em ponto para todos juntos invadirmos aquele mundo e comprarmos um pedaçinho mais de Natal. E eu quero ser a primeira a vir embora dali.
 
sábado, dezembro 18, 2004
 



Daisy, c. 1982 (crimson and pink)
Warhol
 
  Voo rápido sem destino

Entrei num blog e li a frase que o autor escolheu para o prefaciar.
"Que outros se orgulhem das páginas que escreveram; a mim, orgulham-me as que li" (Jorge Luis Borges).
Pensei, que grande vaidade esta humildade apregoada, a da pessoa que a adoptou como se si fosse um pouquinho. É que se calhar (o pensamento vive em muitas áreas no campo dos talvez), se calhar só um escritor como Jorge Luis Borges a pode dizer com verdadeiro sentimento e modéstia.
Há pouco houve um clic cá dentro, como foste escolher essa frase, Vague?? (subitamente liguei-me à corrente das ideias) pois eu que nunca escrevi a não ser em cadernos pretos, e num ou noutro jornal regional, não espanta que diga isso, porque não tenho mundo na escrita. Só quem o tem, pode ostentar essa modéstia. Pois quando nos entregamos ao que fazemos com paixão e nos esquecemos que o tempo voa desesperadamente em direcção a lado nenhum, quando nos entregamos assim, não é orgulho a palavra que descreve o que sentimos no que fazemos?
Por outro lado...será orgulho a palavra que melhor define para cada um, individualmente, o sentimento de realização pessoal?
Se calhar o dono do blog achou que estava a homenagear JL Borges e possivelmente mais não fez que defender-se a si próprio.

(Gostava era de, um dia quando morrer, poder dizer, com direito próprio, como Neruda disse nesse livro que está na lista cá de casa dos livros a ler:
Confesso que vivi)

Agora vou dedicar-me a outros prazeres do ócio, entre outros a leitura folheante da Vogue e da Luxwoman e finalmente (infelizmente?) acabar de ler o livro de bolso que me acompanha. Louvado seja o A. Lobo Antunes.

(mas antes vou pegar num Calvin and Hobbes e aprender mais umas manhas)
 
sexta-feira, dezembro 17, 2004
 



Salvador de Bahia. 1984.
(Miguel Rio Branco)
 
quinta-feira, dezembro 16, 2004
  Serre moi très fort

A pequenina tinha isto escrito na roupa, toda janota e desportiva na sua ida ao médico. Não é bem uma marca, faz parte da Jacquardi, marca de que não tenho muita vontade de me aproximar. Que preços.

Serre moi très fort, dizia a camisola e eu só me apetecia mesmo abraçá-la para sempre, à minha linda princesa de nariz arrebitado e enormes olhos rasgados pelo mar.

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  Um dia não são dias, pois não?

Uma noite inteira dormida sem sonhos esquisitos, sem sms's do Paulo Portas a perguntar-me a que horas é que nos encontrávamos na Kapital (não sei de onde me saíu isto) e, cúmulo dos cúmulos, um sonho recente em que o Alexandre Frota aparecia, eu nem quis acreditar quando acordei. Não se passou nada, nem isto é sintoma de algum desejo recôndito (espero que não haja aí nenhum especialista em sonhos, e se houver eu desminto-o), até porque o acho execrável, do pouco que vi na tv e pela profissão paralela que tem. Há preconceitos que não faço mesmo questão de ultrapassar.
Este está a ser o 1º momento de repouso de hoje, sentada e já mais serena enquanto espero a sopa que aquece no micro-ondas.
O dia previa-se cheio. Combinei com irmã ir buscá-la a meio da tarde para levar sobrinha ao médico. Enquanto trabalhava, grande alvoroço pelo escritório dentro. Uma colega foi assaltada por esticão, a meio da manhã, ali mesmo ao nosso lado, numa rua onde passa muita gente e onde todos se conhecem. Cai ao chão, magoa-se, resiste ao assaltante quando faz força sobre a mala que está debaixo do corpo mas ele, mais forte, consegue tirá-la. Para além do choque emocional, o saber que documentos pessoais, cartões de crédito com código perto, e chaves estavam na posse do assaltante. E...incrivelmente...ninguém acudiu aos gritos de socorro, nenhuma pessoa que passava gritou a pedir ajuda, ninguém a tentou ajudar. Entendo que sob o efeito emocional de algo inesperado e violento uma pessoa que assista fique em estado de choque. Mas 5 ou 6 pessoas?? Todas paradas a olhar - pararam para olhar a cena e para a poder descrever em pormenor depois na conversa do café??
Telefonar GNR, levar colega a casa, fazer telefonemas, acalmar ânimos, telefonar bancos. Que dia, passei o resto da manhã nisto.
A violência de algo que nem se passou directamente comigo. Estou mesmo a precisar de férias. Se Deus quiser (e Ele vai querer, já combinámos tudo) em Janeiro vou fazer umas férias, uns dias longe daqui e do trabalho. Só desejo e preciso pôr tudo em ordem até ao fim do ano e não deixar nada pendente nem muito dependente de mim.
As noites mal dormidas, o trabalho e o cansaço devastam uma pessoa. E quem foi mãe há um mês não fui eu : )
Ufa...estou a precisar de ler poesia. Ou de massagens. Ou de sossego. Ou de nada, absolutamente nada. Zen.
 
 

Há ainda lugares que me custa tanto atravessar.

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segunda-feira, dezembro 13, 2004
 


Composition
by Jackson Pollock


(Há títulos de livros que contam sozinhos uma história. )


A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer
Numa noite de Inverno um viajante
Tão longe de sítio nenhum

Queria ter alguém à minha espera num sítio qualquer
Muito, meu amor

Até ao fim

 
  Quantas formas de violência existem? II

No dia 27 de Novembro passado, o PÚBLICO deu à estampa um artigo de opinião intitulado "Notícia da mulher que deixava a comida esturricar ", na co­luna Semana Política, seguido de outro, em 30 de Novembro, sob o título "Estalos e pontapés", na coluna Comentário, ambos versando o desfecho de um processo penal em última instância. O conteúdo dos dois artigos suscita esta resposta e estamos certos de que o PÚBLICO dispensa subli­nhados especiais de natureza legal para a sua publicação.

O processo judicial visado entrou no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) como recurso relativo à pena decidida em pri­meira instância face a um dado crime de homicídio em que o recorrente é o arguido: catorze anos de prisão em cúmulo jurídico, confirmados pelo recurso intermédio a um tribunal de Relação e reduzidos para 11 anos no acórdão do STJ.

Diz o primeiro daqueles artigos (já que o segundo se limita a um comentário, mas em idêntico seguimento) que o acórdão do STJ em causa "refere que não terão sido alheias ao crime as condutas anteriores da vitima", tais como "levantamentos bancários deixando as contas do casal a zero", e que constituiu "atenuante do crime de homicídio o facto de a vítima ter deixado algumas vezes esturricar a comida que confeccionava"'. Nas pala­vras do articulista, "para os juizes do Su­premo na democracia de 2004, é atenuante do crime de homicídio ir ao café ou não avisar o marido de uma saída" e a vitima ter chegado "a mostrar a barriga quando se encontrava junto de pessoas amigas", entendendo ainda que "os juizes admitem serem os
comportamentos resultantes dos problemas psíquicos da vítima decorren­tes da morte de uma filha do casal", para acentuar que estes aspectos comportamen­tais foram reduzidos pelo STJ "à simplória categoria de desavenças conjugais", nos termos do mesmo acórdão.

Afirma ainda o articulista que "foram dados como provadas agressões do argui­do à vítima - `insultos, murros, estalos e pontapés que a suprema judicatura considera irrelevantes para o assunto, reduzindo-as à simplória categoria de desavenças conjugais"', e acrescenta que o STJ "considera conduta atenuan­te de um homicídio o deixar esturricar a comida" para concluir que "a violência doméstica é um crime público" e que "o acórdão do Supremo viola, evidentemen­te, o espírito da lei".

Ora, o teor do(s) artigos) em apreço deturpa totalmente a verdade. Sobre os factos descritos aquele acórdão do STJ (n °3250/04-3) - mesmo apenas pela leitura linear das passagens alheias aos aspectos técnicos - permite entender que o STJ não só não os considerou atenuantes, co­mo, bem pelo contrário, deixa claro que o recorrente pretendeu "empolar" algumas atitudes da vítima como circunstâncias atenuantes. Por isso, o colectivo do STJ acentua que recusou atendê-las e que, da sua análise, "não resulta qualquer moti­vação susceptível de justificar atenuação especial da pena".

No fundo e em rigor, o STJ nem sequer atenuou a pena. O que um colectivo de juízes-conselheiros fez, como lhe compe­tia, foi reponderar a aplicação da lei ao quadro real envolvente de um arguido concreto (análise ao comportamento con­jugal e diagnóstico psiquiátrico do casal, comportamento social e familiar, respon­sabilidade paternal, etc.), do que resultou o seguinte: redução de 13 para dez anos de prisão pelo crime de homicídio; acresce um ano de prisão pelo crime de violência doméstica (no caso, "maus tratos a côn­juge"), aplicado em primeira instância e que não foi objecto de recurso. Por outras palavras: o recorrente reclamava sobre a pena de homicídio, sem apelar da decisão pelo crime de violência doméstica.

De qualquer modo e como é habitual, o STJ está sempre disponível para prestar todos os esclarecimentos sobre quaisquer decisões de última instância e respectivos fundamentos, no sentido de facilitar o mais amplo conhecimento sobre matérias que, muitas vezes, têm um conteúdo técnico-le­ga nem sempre preendido com facilidade pela opinião pública.



João de Carvalho
Gabinete de Imprensa do STJ

Público de 7 de Dezembro


 
  Duas vozes

Aguardo com curiosidade um livro a duas mãos feito (um livro faz-se pois claro), as de Inês Pedrosa e as de Jorge Colombo. A sair em 2005? 'tá quase :)




2004 Jorge Colombo
 
domingo, dezembro 12, 2004
  Um escrever com luz *

Gosto dela na forma desassombrada límpida e sensível como se revela escritora, como gosto do seu registo de jornalista, vincado pela honestidade intelectual que se sente nas posições e coerências que persegue ou a perseguem, na cidadania empenhada.
Ouvi a Inês Pedrosa há pouco na TSF numa entrevista de arquivo. Falava-se, às tantas, no significado de "escrever bem". Tal como ela, tenho a convicção que não basta 'escrever bem', no sentido de respeitar a gramática, a sintaxe de uma língua, para se ser escritor. O que interessa é encontrar a própria voz (se ela existir) que pode até ludibriar os cânones tradicionais da escrita e do conceito de 'bem escrever'- vejam-se os casos de Mia Couto, de António Lobo Antunes ou de Saramago, que enriquecem e (re) inventam (novas) formas de escrever.
Pode-se 'escrever bem' sem que se tenha alma ou rasgo. Para escrever , independentemente das leituras que façamos da expressão, é preciso ter lido. Muito. E para alguém se dar ao luxo de desconstruir palavras e formas tradicionais de escrever tem de as ter absorvido primeiro - é o que lhe dá autoridade e segurança. Mas isto é técnica. Além dela é preciso alma, é de alma que falo, como a Inês Pedrosa fala de encontrar a voz interior, o fluir único, compulsão criadora que comova e espanta por ser.
E eu vou dormir embora me apetecesse ficar noite dentro a deambular pelas escritas da blogosfera, que me roubam o tempo à leitura espalhada pela casa, com cheiro de papel e toque de mestre. Mais logo é Agosto de trabalho e eu não vivo do que leio nem do que escrevo. Vivo também no que escrevo. Para chegar mais perto.



*Agosto de 2004, copiado do meu outro eu
 
  Uma história mais de Lhasa (uma das mais belas)

Começamos a sentir, a ouvir, a tocar as paredes do nosso mundo e, quando nos falta espaço, parece que vamos morrer e, afinal, nascemos. Recomeçamos a sentir, a ouvir, a tocar as paredes do novo mundo e, quando nos volta a faltar espaço, parece que morremos. Ou será que
iniciamos uma nova aprendizagem?

soon this space will be too small



Cortesia de Meia_Praia.
Obrigada, Vento.




(Fotografia gentilmente catrapiscada a O Manancial da noite)
 
 

Se eu pudesse
escrever só
para ti
(que é
um modo de dizer:
como a brisa passa
porque é brisa
como as águas
correm porque
são água
como a planta respira
e a fera mata)
se eu pudesse
escrever
sem endereços
sem sobrescritos
sem o medo
de ser lido
de ter escrito
seria a verdade
dos rios
seria a praia nocturna
a sós com o mar
seria o hálito
da boca desnuda
seria montanha
seria rio
seria mar
seria asa.
Seria
eu.


Fernando Namora
 
sexta-feira, dezembro 10, 2004
 


Bamboo Chorus
by Tsang



Não quero uma revolução
que me impeça de dançar.

Emma Goldman

 
 



Ensemble I
by Richard Henson
 
  Quantas formas de violência existem? I

Nos últimos dias não foi só o discurso primo-ministerial que trouxe à ribalta os "estalos e pontapés".

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu no passado dia 10NOV reduzir em três anos a pena de um homem que estrangulou a mulher, por considerar que o seu comportamento (da mulher) justificou parcialmente o homicídio. O acórdão do STJ considerou que não foram alheias ao crime"as condutas anteriores da vítima, designadamente os levantamentos bancários, deixando as contas do casal a zero". A mulher, para cúmulo, "deixou algumas vezes esturricar a comida que confeccionava, chegou a sair e a chegar a casa de noite, ia tomar café a um estabelecimento de cafetaria, não deu conhecimento ao arguido de uma deslocação e chegou a mostrar a barriga quando se encontrava junto de pessoas amigase se falava da condição física de cada uma delas". O marido agredia regularmente a mulher para a castigar pelo seu comportamento, que considerava tão inaceitável como os juízes do STJ, aplicando-lhe "murros, estalos e pontapés". Um dia achou por bem estrangulá-la. Os juízes acharam mal e condenaram-no a 14 anos, mas compreenderam o gesto e retiraram-lhe três anos reduzindo a pena a 11 anos. "Estalos e pontapés" são, para o PM e para os juízes do STJ, uma forma de expressão.
Um conselho às digníssimas esposas dos juízes do STJ: nunca deixem esturrar a comida.


"Estalos e Pontapés"
(José Vítor Malheiros in Público de 30 de Novembro)


Nota: O gabinete de imprensa do STJ emitiu um comunicado/comentário a este artigo, publicado no Público do dia 7 de Dezembro, que colocarei aqui também, por uma questão de equidade.
 
quinta-feira, dezembro 09, 2004
  Frankie goes to Hollywood

Ouvindo há pouco a Prova Oral da Antena 3, lembrei-me de músicas do passado presentes. Falava-se no António Variações, nos Da Vinci, nos Despe e Siga (ou seria Peste e Sida), nos Heróis do Mar.
O que eu gostava de ouvir a Paixão dos Heróis do Mar. E houve um single (vinil, vinil! tenho saudades, um dia compro um gira-discos que aquele que aqui sossega em casa é presente dos pais do ano em que passei para o ciclo [a bicicleta foi quando passei para a 4ª classe]).
...E houve um single, que foi o 1º dos Xutos e Pontapés, Sémen. Muito bonito. Ainda o tenho, como tenho todos os meus vinis que tenho vontade de tocar.
Back in black dos não me lembro agora o nome, fantástico, ainda hoje gosto de os ouvir nesta canção (acho que é a única que gosto deles).
E os Frankie goes to Hollywood em The power of love e War, acho-os de uma actualidade de sempre. Para mim são, sem dúvida. Ora que rápida foi esta decisão: vou à Fnac encomendar o cd.
Agora estou a ouvir Jamie Cullum, de uma geração completamente diferente, twenty somethig, revivendo alguns clássicos. Bela e quente esta voz, dá vontade de dançar. E amar. The power of love.

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quarta-feira, dezembro 08, 2004
 










(foto de Cornell Capa C )
 
  vague testing

hoje a neblina o nevoeiro e o frio acordaram-me definitivamente quando fui à janela o rio não se via mas o ar apesar de gelado soube a água fresca a banhos de (a)mar e eu acordo sempre cedo apesar do quentinho da cama como uma mola espreguiço-me e pulo bem disposta e com vontade de fazer coisas arrumar a casa por exemplo escrever no blog antes de ir trabalhar e hoje é feriado e vai saber bem ter tempo para trabalhar aquele trabalho de concentração que está atrasado sem telefones a tocar nem pessoas a marchar só eu o ar condicionado e a música de lhasa de sela revisitando o concerto uma vez falei com alguém sobre pessoas diurnas e nocturnas e é verdade madrugo mesmo que sedução exista não há ninguém mais diferente que eu e a minha irmã na parte da manhã eu falo e quero saber coisas e ela antes das 11 e meia não funciona a não ser no trabalho que a bem dizer é o principal e eu como ver se pode sou uma escrevinhadora e faladora (quase) compulsiva de manhã também tem a ver com o stress dos últimos dias de trabalho ainda bem mas também cansa quando fui ver o concerto de lhasa saí do escritório às 20h devia ser ainda me apeteceu escrever a letra de la mareé haute o reabastecimento foi na estação de serviço da auto estrada dois chocolates e uma garrafa de água se faz favor comi no carro voando a velocidade média fazendo desvio para buscar amiga e ai meu Deus que já vamos atrasadas eu esquecida que a aula magna é pequena e o estacionamento é grande este post é um teste gosto de experimentar-me a imaginação como quando mudo o relógio de um pulso para outro quando vou por um caminho diferente para o mesmo sítio quando para ir ao meu café de estimação escolho se tiver pachorra que às vezes nem para mim tenho um caminho diferente daqui a nada estou enfronhada em papéis mas amanhã amanhã contra a maré aterro num centro comercial as prendas estão pensadas algumas já compradas e hoje hoje vou ver a minha sobrinha

as saudades que eu tenho de ti meu amor

 
terça-feira, dezembro 07, 2004
  Flutuando...

Às vezes é mesmo triste não conhecer a tristeza. Mas também não vivas dentro das lágrimas. O sofrimento só é bom para quem não o tem.

O apóstolo da desgraça
Nelson Saúte




Flutesong - Monroe and Dean
by Paul Gasenhemier
 
  O concerto de Lhasa de Sela

Se me pedirem numa palavra para descrever a ambiência do concerto de ontem na Aula Magna, eu digo magia.
Duas horas de deslumbramento num concerto cuidado e intimista. Entrei na sala, pensei venho com expectativas altas, é um erro (bem no fundo sentia que não era erro nenhum), saí da sala, confrontei-me, ainda envolta na beleza, na arte, as minhas expectativas foram largamente superadas.
É difícil individualizar o que mais me seduziu (Pierre Balmain, costureiro francês, dizia que uma mulher está elegante quando não se sabe exactamente dizer o que a faz elegante.)

O que me apaixonou e me fez vibrar foi a alma que se sentiu naquele concerto. Seduziu-me a simplicidade e imensa simpatia da intérprete, saber que ela escreve as letras e músicas, ou ela em parceria com alguém, a empatia entre Lhasa e os músicos, a forma como ela se rendeu desde a primeira palabra, se entregou, numa entrega quase sensual (tudo o que na arte [na vida normal também?] ) traz consigo, colado, entrega e paixão ao que se faz é sensual, no sentido de entrega à harmonia com ritmos interiores, organismo, corpo, pele, mente), a forma como ela sorria para dentro e se via cá fora, o corpo que balançava numa pose de prazer de estar ali e se sentir livre.

Tinha 6 anos e fiz uma maldade. As minhas irmãs, para não contarem à minha mãe, obrigaram-me a fazer tudo o que elas quisessem durante duas semanas. Ao fim de uma semana não aguentei mais e contei eu mesma à minha mãe. Foi assim que fiquei livre.

Apaixonou-me a alma do concerto, a alegria e empatia dos músicos em estar ali, a ligação que estabeleceram com o público que lhes correspondeu apaixonadamente, vibrante e à altura, pedindo dois encores e mais pediria se Lhasa não tivesse terminado o concerto com uma canção suave e não apoteótica e não estivesse programado terminar ali.
Para completar um quadro incompleto, posso falar na parte inteligente e também sensível: o alinhamento das músicas, os textos escritos por Lhasa, íntimos para o mundo, as referências à família em palavras cheias, comoveram-me os textos, sabem? não consegui nem quis aplaudir, as pausas, as mudanças de ritmos e registos, a forma como se sentiu que nela a alegria e a tristeza, a morte e a vida se entrelaçam e é assim que nos reconciliamos com a vida, começa e acaba pequenina, como uma luz, e é infinita, até que morra a morte.
Foi sereno, reconfortante, alegre. Infinitamente alegre. Infinitamente tudo o que pode ser um concerto intimista de uma intérprete de encanto, intérprete das músicas, dos textos, da vida, de si própria.

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  (intervalo [lembrete])

Há vários temas que quero aqui colocar, este post é um lembrete: o livro da Maria de São Pedro a propósito da violência doméstica, sempre infelizmente actual, um texto da Luna sobre uma pessoa especial porque diferente, a integração dos emigrantes a propósito de uma entrevista dada pelo António Vitorino na sic notícias.
Há várias coisas que não quero mesmo esquecer porque de alguma forma fazem clic em mim (acho que se há um caminho, uma living road, eu ainda estou a desbravar o meu).
Agora
quero falar de outra coisa.
 
segunda-feira, dezembro 06, 2004
  La marée haute de Lhasa de Sela

La route chante
quand je m'en vais
je fais trois pas...
la route se tait.

La route est noire
à perte de vue
je fais trois pas...
La route n'est plus

Sur la marée haute
je suis montée
la tête est pleine
mais le coeur n'a
pas assez

Mains de dentelle
figure de bois
le corps en brique
les yeux qui piquent

Mains de dentelle
figure de bois
je fais trois pas...
et tu est là

Sur la marée haute
je suis montée
la tête est pleine
mais le coeur n'a
pas assez


Letra de Lhasa de Sela e Riad Malek
Música de Lhasa de Sela


E cá vou a caminho da Aula Magna . Yes :))
 
domingo, dezembro 05, 2004
  Presente de Natal*

Papai Noel me deu
um bom presente de Natal
você embrulhadinha num papel monumental...



*João Gilberto


 
  Sem contabilidade

Na blogosfera como a entendo, não há uma contabilidade organizada de deve e haver, de débitos e créditos.
Tenho os blogs de estimação por onde comecei a navegar e vice-versa e cada qual tem características próprias, que me fazem visitá-los por motivos diferentes.
O leque vai aumentando, até um ponto a que não sei se aguentarei (estou fraca, ainda não tomei o pequeno almoço). What I want to say is that sometimes não me lembro onde escrevi e comentei o quê, navego por aí, nuns blogs sou assídua por fases, noutras não, mas sem o sentimento de obrigação. (Já estou a tomar o pequeno-almoço, obrigada, não é que ontem comprei um panettone [uma especie de bolo típico do Natal, em Itália] numa loja dos 300, vou experimentar-te, deves ser uma grande coisa, pensei eu, e não é que é excelente?)
Ou seja, eu comento onde me apetece comentar sem esperar reciprocidade nos comentários, no sentido de me agradecerem as visitas e me retribuirem com um comentário no meu blog. Claro que gosto de ser lida, ainda mais apreciada, quem escreve num blog não escreve um diário, mas para mim gosto de separar as coisas.
Só para que fique claro que eu não sou da área contabilística :)

A frase seguinte, que fixei, serve para mim como um mote, um exercício, difícil tantas vezes de seguir em contextos de pessoas próximas, da real life:

Quem eu amo, quero que seja livre, até em relação a mim.
Anne Lindbergh

 
sábado, dezembro 04, 2004
  Ainda recém-nascida

A Maria faz hoje 3 semanas. Está linda. Acho que vai puxar o olho azul do bisavô, disse a enfermeira, já descontando a variação que a cor dos olhos dos bébés sofre durante o aleitamento. Há pouco começou a choramingar, cantei-lhe baixinho uma canção. Desviou o olhar para o som, calou-se e ficou atenta a olhar para mim, fixando-me, quietinha a ouvir-me, sem desviar a cabeça. Foi o primeiro tête à tête que tivémos e acho que nunca vou esquecer aquele momento, mágico deslumbramento, uma espécie de reconhecimento mútuo, é a minha tia, é a minha sobrinha, intuiu-se algures na força do sangue e do amor.


Suzanne Szasz

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  Gosto de nadar assim...

...contra a corrente.
Passei na biblioteca o fim desta manhã de sábado, ouvindo e descobrindo novos sons, novos livros, alheia ao frenesim das compras. A biblioteca da minha freguesia é excelente, edifício novo, com bar, zona de lazer com jornais e revistas e costuma ter as últimas novidades em livros, cd's e está agora a ser começado um arquivo de dvd's.
Gosto de bibliotecas, sempre gostei. E a noção democrática que é a sua natureza básica atrai-me. Agora está a ser iniciado um projecto-piloto de uma bébéteca, de crianças dos 6 meses aos 3 anos. Só me posso candidatar daqui a 5 meses...)

Não vejam a revista Photo deste mês. Fiquei chocada :)

A GQ decepcionou-me. Não é que um dos artigos se chama locais de engate em Lisboa?
Fiquei a saber que se for ao bar X ou Y tenho uma probabilidade elevada, média ou baixa de ser engatada - Sr. Domingos Amaral, olhe lá a falta de requinte do artigo, francamente. Um quadro estatístico. Senhores, socorram-se da vossa naturalidade para nos cativar, mais simpático ou mais hipócrita (depende da perspectiva) o termo e esqueçam receitas, acreditem em vocês, eheheh...

Em busca de uma máquina fotográfica ideal (para mim), consultei revista especialista e fotocopiei lista de 88 selecionadas, que traz as características de cada uma, preço e avaliação final em função da relação qualidade-preço. Importante é ver a questão da recarregabilidade das pilhas, da memória. Acho que consigo comprar uma razoável com um orçamento entre €150,00 e €200,00. Agora é levar a lista, passar pela Fnac e pela Worten e pô-la ao alcance da visão de um dos assistentes solícitos e atentos. Trabalhinho de bastidores este, que me evitará, espero, cair na primeira cantiga...Esta conversa não é inocente, aceitam-se e agradecem-se sugestões aí desse lado também :)

O Jornal das 13 horas relatava uma iniciativa da Associação Animal, contra o uso de casacos de pele de animal. Lá fizeram o sacrifício duas modelos de se despirem, nu integral, no El corte ingles. Repórter dispara certeira inquirindo traseuntes escolhidos muito criteriosamente - dois homens com o perfeito ar de quem daria a vida por esta causa: acho que sim, é de iniciativas destas que o país precisa, e outro, isto é tudo muito importante e acho que as campanhas deviam ainda ser mais agressivas. Mais nudez? pergunta a repórter, Sim, mais mulheres nuas.
 
sexta-feira, dezembro 03, 2004
  Sonhos de neve

As minhas sms's com os amigos são normalmente sem grande requinte, mas são simples, práticas e eficazes.
Hoje, eu:
- Café amanhã à tarde?
Responde-me (horas depois):
- Estou no Brasil agora. Beijos.

Este não saber onde é que alguns amigos mais internacionais estão em cada momento, seja por motivos de trabalho ou de lazer, é engraçada e desconcertante por vezes. Reveladora do espírito dos tempos, da vida acelerada, do trabalho a correr e das idiossincracias de cada um também.
Neve, neve, como te desejo, mais que ao calor dos trópicos.
 
  em viagem - O sexo fraco, belo e inteiro texto, Bastet!

Ao longo de séculos de história procurou-se minimizar o sexo feminino relegando-o a um lugar e papel secundários, à estupidez e à fragilidade, vedando às mulheres o acesso à cultura, à decisão, ao trabalho, ao prazer, etc, etc. Talvez seja à custa de ultrapassarem todos estes obstáculos que as mulheres são hoje na sua grande maioria incomparavelmente mais versáteis, mais profissionais, melhores seres humanos, mais resistentes aos confrontos e às adversidades.
A Igreja Católica assumiu e propagandeou secularmente uma perversa e demoníaca imagem da mulher enquanto responsável pela tentação do homem e pela sua queda em pecado (temos pois um Adão fraco, idiota e incapaz de resistir e decidir por si próprio). A Igreja de resto é ainda hoje, no meu modestíssimo entendimento, responsável por inúmeros traumas sexuais e comportamentos desadequados de jovens que se debatem interiormente entre os dogmas católicos (que lhes são impostos como condição necessária para a aceitação familiar) e a liberdade saudável e responsável da prática sexual. Destes comportamentos desviantes são exemplos as jovens que para se casarem virgens se entregam exclusivamente à prática do sexo anal e os jovens de ambos os sexos que se espartilham em "manobras preliminares" consideradas menos censuráveis que o acto sexual completo, ou seja que a penetração. Gostaria muito de saber qual seria o entendimento de Jesus Cristo sobre esta interpretação mitigada da doutrina da Igreja e do natural desejo sexual dos nossos jovens...
Neste contexto e porque há bem pouco tempo me foi oferecido um livro cujo título é "As mulheres gostam de foder", não posso deixar de lamentar que, em pleno século XXI, ainda seja novidade e motivo de admiração a aceitação do papel da mulher como ser humano completo, com vontade própria, sexualidade assumida e, espante-se, com desejo sexual tão ou mais activo que a maioria dos machos que por aí continuam a alardear a sua suposta masculinidade e a considerar como mulheres "duvidosas" as que têm simplesmente a coragem de assumir que gostam tanto de sexo quanto eles.


Sol&Tude

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  (Já amanheceu. 7.45h)

Hoje o céu está mais azul, de um azul escuro a um degradée claro quando chega ao rio. Deve ser da hora em que os fui ver, céu e rio, e tempo.
É sempre a primeira coisa a fazer, acordo e espreito a janela da cozinha de onde vejo o meu pedaço de rio e o o horizonte lá por trás. Oiço a Zizi Possi, num cd que trouxe da biblioteca e creio-me apaixonada (será ilusão a paixão?) por esta voz de cristal, terna e ondulante.
Acordo cedo. Quase sempre. Hoje ainda bem. Estava a meio de um sonho misturado de coisas que se passaram durante o dia, algumas desagradáveis e reveladoras da arrogância e falta de formação de pessoas que pedindo desculpa porque erraram e o erro é flagrante e grave, pedindo desculpa, dizia, fazem-no com um ressentimento e raiva contidos como se lhes estivéssemos a pôr em causa o 'poder' ao exigir a rectificação do erro. Que de medição de forças se trata, parece quase. Certos funcionários públicos, de certas áreas, sentem-se investidos de um poder superior.
Aparte isso e esta dor de garganta que prenuncia festa, tenho que ir à farmácia assim que sair de casa, para atalhar esta dor...

E, como uma salta-pocinhas, lembro-me das letras do cd 'A Festa' de Maria Rita, outra das vozes que descobri e a que me rendi. Uma pessoa tem de ter a humildade, o orgulho, de se curvar perante a beleza e a perfeição, na arte, na vida. Que se confundem. Às vezes.

Maria Rita. Acho que o meu preconceituoso pé-atrás se deveu a ser filha de quem é, Elis Regina, aquela voz. E tendo todas as razões para ter vaidade, apresenta-se e é, ou é, simples, simpática, alegre, sem tiques de vedeta (e não é loira, mas uma belíssima homenagem às morenas ela própria) e parece a filha do vizinho. É o vedetismo e a arrogância, que me servem (também) de critério balizador das pessoas. Mas não atiro a primeira nem a segunda pedra. Imagino que em algumas alturas quando passo e olham para mim, pensam, lá vai aquela de nariz empinado. A verdade é que ninguém está em nenhum pedestal para julgar ninguém; A verdade (a verdade, essa dama de duas faces) é que há coisas que não podemos, não devemos deixar passar, não nos outros não em nós. Acho que já não é orgulho, é educação, formação, sensibilidade,consciência das objectiva das coisas, capacidade (tão difícil) de sair da engrenagem e se revoltar. Não tem nada a ver com cursos, doutouramentos e MBA's (para que conste tenho um curso e uma pós-graduação e por azar não a utilizo na área em que trabalho. Isto é só pontaria. Mas mesmo sem ter pontaria gostaria de tentar mais áreas. Adiante. Um dia acerto.)
Tem a ver com a humana sensibilidade que nenhum curso superior dá. Respeito pelos outros. (E sim, às vezes é tão difícil respeitar certa gente, meu Deus!)

Lá vai a letra, é o vento que a leva (isto é a forma poética de dizer que foram as minhas patinhas de gato a copiá-la) e com licença, que tenho uma pré-constipação para tratar. Até mais ver.

Não vale a pena

Fica difícil,
Tudo aquilo, nada disso,
sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar prá ver o invisível
E depois enxergar
Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal amados
Dos amores mal vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é prá não ter recaída
Que não me deixo esquecer

Que é uma pena...
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema


(letra de J. e Paul Garfunkel)

 
quinta-feira, dezembro 02, 2004
  Onde lemos?


Fauteuil grand confort
, 1929
Le Corbusier



Chaise longue
, 1929
Le Corbusier



Que livro escolheríamos ler em cada uma destas cadeiras?
 
  em viagem - A metade perfeita

Mas ainda procura a mulher perfeita?, perguntou uma, espantada pela durabilidade desta ilusão. Responder a esta pergunta parece mais fácil do que é. Num relance entrevemos toda a nossa vida que não foi, que falhou, que fracassou e essa é, muitas vezes, toda a nossa vida. Defendi-me o melhor que pude, que sim, com uma pequena diferença: com o tempo passamos a ter na linha do horizonte mais a relação perfeita do que a mulher ou o homem perfeitos.

Respirar o mesmo ar

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  em viagem - O casal feliz

Sempre me fascinou a relação que uniu Simone du Beauvoir e Jean-Paul Sartre, mas a verdade é que sempre me fascinaram as relações moldadas no amor.

E se me revejo nestas palavras de Simone de Beauvoir - "Le couple heureux qui se reconnaît dans l'amour, défie l'univers et le temps; il se suffit, il réalise l'absolu." -, talvez estas as esclareçam ou completem - "When we abolish the slavery of half of humanity, together with the whole system of hypocrisy that it implies, then the "division" of humanity will reveal its genuine significance and the human couple will find its true form."

O casal pode ser um espaço de liberdade, de verdade, onde o amor é luz. Sempre acreditei nisso, bem como na imperfeição do homem e da mulher.


Ene Coisas
 
  Nunca te vi

Nunca te vi,
nunca conheci o teu corpo,
mas sinto-o, mesmo que estejas longe,
mesmo que não estejas.
Na luz dos teus doces olhos,
ainda não provei o gosto da tua boca,
mas quero saber que saibas que sei
que nunca te terei...
quem sabe?
Nunca experimentei o toque,
o teu toque suave, suavemente,
e nem sequer te toquei, acariciei.
Sinto o teu perfume no ar
e sem o ter apanhado,
deixando-o voar livremente,
como se fosses uma borboleta,
como se fosses uma luz,
sucumbi à tua sedução,
sem me teres seduzido.



Excerto de um poema retirado
Do meio do azul...
Paulo Roldão
(edição de autor)


Busque-se o cd de Zizi Possi, Estrebucha baby, e deixe-se estar...
 
quarta-feira, dezembro 01, 2004
 



There Really is a Santa
by Thomas S. Sierak
 
  Intimidade

Kureishi, o escritor de Intimidade, escreveu alguma coisa como:

O sonho de uma família feliz é o último desejo utópico que temos nestes tempos.

E eu concordo.
 
  Post-it

Acho que me vou forçar a um auto-internamento compulsivo em casa durante uns dias. Dei-me conta do que tenho pendente, não de trabalho (aí a coisa tem de estar mesmo orientada) mas de lazer. Vejamos:
Tenho 5 ou 6 livros todos começados e que vou lendo mais ou menos ao mesmo tempo, embora um de cada vez. Convém.

'Crónicas' de A. Lobo Antunes;
'Biblioteca' de Gonçalo M. Tavares;
'Mulheres rebeldes', de vários autores, um livro que deve ser interessantíssimo, pelo tema e por a colecção em que o livro está inserido estar relacionada com a equipa de jornalismo de investigação de excelência (do Le Monde diplomatique);
'Poema a três vozes', de Sylvia Plath e uma catrefa de revistas atrasadas na leitura, Visões de há um mês para cá que ainda não li completamente, uma revista nova, Tempo (nova para mim, já q vai no nº 48), recortes de jornais, a Saúde e bem estar, a Première de há um mês, tudo semi-lido e hélas! fui descobrir debaixo de um monte de papéis a revista Ler, que comprei nas férias de Verão, e que se mantém intacta e virgem.
Na caixa do correio, importante a correspondência: as últimas promoções do Continente e do Jumbo, anúncios de canalizadores 'fazemos orçamentos grátis', o folheto de um fim de semana magnífico na Galiza por €25,00 e com tudo incluído, o jornal que trago da farmácia com as últimas sobre medicamentos e com o tempo que estou a escrever isto, já tinha começado a tratar do assunto. Mas assim não me esqueço, tipo post-it de blog e por acaso, só por acaso, tenho de ir trabalhar umas horas (E não é que agora me deu o sono?)
 
  A paz devia existir o ano todo. Sei que sou original, mas...(e nesta foto, a 'paz' não era perfeita, Viena estava sob ocupação estrangeira)



AUSTRIA. Vienna. 1954. by Erich Lessing

(Heldenplatz. In Vienna's quadripartite first district. Army photographers document the monthly change of guard among occupation powers US and Soviet officers. At the end of WWII the Allies : USA, Great-Britain, France and Soviet Union occupied the country. In the background, statue of Prince Eugene of Savoy, hero of the wars against the Turks.)
 
  A força da gravidade*

*A tua gravidade:
o justo peso de que dispões
para rir.


Luiza Neto Jorge

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  A minha crónica de Natal

É uma coincidência esta a de, estando a ler um livro de crónicas de A. Lobo Antunes, reparar que a próxima a ler se chama Crónica de Natal.

"Nesta altura do ano quando chega o Natal lembro-me sempre do meu avô". Não li mais, fiquei parada nas memórias de há quatro anos, o primeiro Natal sem a minha avó paterna presente.
Foi triste o Natal, são-nos todos, assim os vejo, a partir de certos momento da vida há aquelas tristezas paradas no tempo, de memórias felizes. Agarro-me à memória para de seguida, catarse feita, me lembrar da minha sobrinha, a melhor prenda de Natal para todos, que a minha avó tanto gostaria de ter conhecido; amava as netas de igual forma, mas com a minha irmã tinha uma empatia especial. E a minha avó era, é especial. Quando penso muito nela, penso 'Avó, cuida de nós, por favor'.
Nesse Natal de 2000, almoçámos, apenas quatro, o meu pai ausenta-se da mesa no fim do almoço, voltando de seguida com dois embrulhos. A minha avó tinha o hábito de com antecedência, mandar comprar as prendas para cada um de nós. E chega o meu pai e diz. Isto é da avó, para as netas. Formou-se um nó cá dentro e quatro pares de olhos ficaram subitamente brilhantes. Um por um saímos da mesa, nada dizendo uns aos outros, cada um mergulhando em si e na memória do olhar doce e afirmativo da avó, da mãe, no primeiro Natal sem ela. E a minha avó esteve presente e eu fiquei grata ao meu pai por naquele momento, naquele ano, a trazer assim pela mão, naquela doçura, naquela dor, na libertação afinal.
A vida é mesmo assim. A Maria, a bisneta, nunca saberá como a bisavó a amaria se fosse viva, a bisavó a quem Deus não deu tempo de assistir ao casamento da mãe da Maria.
Como o meu avô. Sem ter tido tempo de vida suficiente para saber que dali a 13 meses iria ter uma neta, tinha, nos últimos meses de vida, acamado e corroído pela doença que o matou, malditos cigarros, uma bonequinha de trapos. Dizia ele que era a neta que 'há-de vir'.

São estas as melancolias que nos fazem chorar nestas alturas, quando pensamos muito nelas.
A vida e a morte são duas faces da mesma moeda. Atire-se ao ar, cara ou coroa, o ciclo repete-se, com naturalidade, desde sempre. Mais aos outros. Quando nos atinge a nós, a dor sabe sempre a amargura e a alegria a eternidade.

E este ano, o nosso presente está ali, deitado no berço, o mais valioso dos tesouros. O meu amor pequenino, repetindo, na nossa família, o ciclo da vida.
 
  Gatos e gatafunhos

Para quem gosta de gatos como eu, só que eu não gosto, gostar é pouco, dos gatos não se 'gosta' apenas, sente-se paixão ou indiferença, aqui vai a indicação de um espaço que uma amiga me diz ser fabuloso e que tem várias particularidades, inclusivé a receptividade ao artesanato nacional, dentro da temática, imagino.


"Agora já é mais fácil explicar aos seus amigos que a Gatos & Gatafunhos não tem gatos à venda, nem comida para eles, mas que ainda assim, os nossos amigos ronronantes estão espalhados por toda a loja.
O nosso site já está em funcionamento em: www.gatosgatafunhos.com"


 
Sur la marée haute je suis montée la tête est pleine mais le coeur n'a pas assez. Lhasa de Sela


mareehaute.is.vague@gmail.com

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