para acompanhar no Um piano na floresta, local onde de vez em quando descubro tesouros, guiada pela cultura e bom gosto musicais do Fernando.
"A ideia é simples. Ao longo de duzentas entradas, o Piano na Floresta vai listar duzentas obras musicais, uma por cada ano, iniciando a contagem decrescente a partir do ano 2000. Se tudo correr conforme planeado, será possível identificar um disco ou uma obra composta em cada um dos anos no intervalo entre o ano 1800 e o ano 2000. Não há limitações de género musical. A qualidade e a reputação da obra não constituem critério de escolha, embora se entenda que ela é, de algum modo, representativa do ano em questão."
olho para este blog e vejo uma sala de estar ligada a um jardim de inverno, cheia de recantos e espaços diferentes. vejo aqui uma poltrona clássica, vejo mais à frente uma cadeira esguia e linear, vejo um espelho barroco e outro ali ao lado de linhas direitas. muitas plantas verdes dispersam-se graciosamente por todo o lado. a música é variada e em cima do aparador a máquina de café convida ao despique das conversas, atraídas por espaçosos sofás e almofadas gigantes espalhadas pelo chão. as paredes estão pontuadas por quadros, aqui e ali. as fotografias recordam-me a efemeridade eterna de cada momento. circulo pelas conversas, mudo de música.
"Quem escreve ou dá a sua opinião, gosta de ser lido. O resto, é hipocrisia." (JPP)
"A Inglaterra está acabada. Só produzimos hooligans. E os hooligans de hoje são os soldados de amanhã" (Tom Sharpe)
"Em Nova Iorque, durante um talk show, perguntaram-lhe (a Brigitte Bardot) qual tinha sido o melhor dia da sua vida. A resposta foi rápida: 'Não foi um dia, foi uma noite'". (João Gobern)
"No fundo de cada um de nós, existe, também, estou em crê-lo, a má consciência colectiva de quem sente que não fez - como sociedade - nada que justifique o amor que Obikwelu generosamente declarou ter pelo seu país de adopção. É que, no fundo, todos sabemos que o sucesso do jovem Francis é mais um produto da sua própria força de vontade, das solidariedades e generosidades individuais, do que de um sistema de acolhimento generoso, humano ou potenciador das capacidades dos que nos escolhem como destino de emigração" (Pedro Norton)
[Excertos retirados, para ma mémoire futura, das revistas Sábado, Visão, Única, em edições recentes]
E agora já posso começar a ler a papelada desta semana - se o tempo me deixar e o outro tempo incentivar, o que parece ser o caso...os dias estão a entardecer cada vez mais cedo e apetece aterrar nos livros e nas revistas e absorver o mundo inteiro, aportada em casa.
Está aqui um excelente texto de Paulo Querido, de que transcrevo uma parte, a parte que me interessa realçar, a propósito da criação de réplicas de blogs, a propósito de comentários anónimos cuja autoria se quer confundir com o original o que dá origem a confusões sobre quem é quem. Esses falsos blogs não apenas pretendem provocar o visado autor original - mais grave é enganar e desrespeitar quem lê e comenta de boa fé, supondo que está a dirigir-se a outra pessoa. Claro que para alguns a boa fé não significa nada e o que interessa mesmo é manipular a sinceridade alheia, instrumentalizar essa mesma boa fé das pessoas que se dirigem a A pensando que se estão a dirigir a B e etc - e, depois, ficar a rir ao alto do seu sarcasmo desiluminado.
Desde que descobri e frequento este mundo da net, mais me convenço que é em todo igual ao de lá de fora. A cobardia e a coragem expressas lá fora têm a mesma expressão e referenciam-nos, quer sejamos um nome ou um nick. Tal qual.
(...) Agora outra coisa. Na blogosfera o anonimato é vulgarmente uma defesa do autor, que deseja publicar sem que isso signifique expôr a sua privacidade. [Nem todos nós procuramos os cinco minutos de fama.] O tom intimista dos blogues ajuda a essa escolha. Muitos, uma vez conhecidos os cantos à casa, acabam por assumir a identidade nos seus blogues. Outros, uma minoria, não.
O anonimato não significa cobardia -- embora alguns cobardes anónimos o usem para tentar insultar e denegrir terceiros.
O anonimato não significa irresponsabilidade ou inimputabilidade -- apesar de alguns cobardes anónimos o usarem irresponsavelmente.
O anonimato merece respeito -- sim, apesar de com isso termos de levar com as diatribes de alguns cobardes anónimos. Pensem nos outros, nos milhares de casos em que só em condições de anonimato puderam ser denunciados escândalos e tiranias e mortandades.
A credibilidade não tem uma relação directa com o anonimato ou a assinatura. A credibilidade é outra coisa. Um jornalista é um profissional treinado para reconhecer sinais de credibilidade numa informação prestada seja por quem for. Mesmo (sobretudo?) por um dirigente governamental. Com o tempo muitos bloggers e consumidores de informação na web adquirem esse treino em quantidades diferentes. Com o tempo aprendemos a separar as fontes mais credíveis das menos credíveis numa escala de valores que tem muito de pessoal, claro, mas também muito de consensual, partilhável pela comunidade.
Como a reputação, a credibilidade constrói-se. Na web como no resto. Há figuras públicas sem credibilidade, ou de baixa credibilidade. E há figuras anónimas (não públicas) de credibilidade comprovada. Por vezes ao longo de anos. Há milhares de bloggers credíveis e respeitados apesar de ninguém os conhecer em carne e osso ou de nome. Aqui Furtado observa bem: «a experiência [dos jornalistas] é ainda escassa para encontrar, ou até para procurar, novos códigos». Que lhes permitam reconhecer as fontes mais e menos credíveis da blogosfera. [Observação: o ónus da inexperiência deve recair sobre o jornalista e não sobre as eventuais fontes. Não foi o caso.]
A credibilidade constrói-se através da repetição, no tempo, de informações sérias e relevantes e de opiniões certeiras. Não se constrói com um feliz mas episódico tiro na mouche. E muito menos fornecendo regularmente informação falsa, deturpada ou enquinada (como é vezeiro na política e na economia, prosseguindo estratégias privadas).
A acabar: um nick, ou pseudónimo, tem o mesmo valor de um nome. É uma assinatura. Identifica aquela pessoa. Na Internet como na vida (quantos "jet-sets" são conhecidos pelos seus diminuitivos familiares? Quem sabe o verdadeira nome de Babá Pita?). José Pacheco Pereira é quase mais reconhecido na Internet (e pelos internautas nas conversas informais em ocasiões sociais) pelas iniciais JPP e até por Abrupto do que pelo seu nome -- esteja ou não ele ciente disso, esteja ou não ele disposto a conceder à assinatura JPP foros de nick oficial.
Quem acha que se refugia atrás de um nick, esqueça. Mais tarde ou mais cedo confronta-se com a reputação desse mesmo nick.
No início da vivência online dizia-se a propósito do anonimato que supostamente caracterizaria estas paragens: na Internet ninguém sabe que tu és um cão. Pouco tempo foi necessário para se perceber que, pelo contrário, os nossos passos digitais deixam rastos e marcas a vários níveis, o principal dos quais a esfera comum de diálogo, a comunidade. A frase pode então ser reformulada mantendo o seu humor inicial: na Internet todos sabem que tu és um cão.
Podem não te reconhecer na rua, mas aqui sabem quem tu és. Cão ou não.