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La marée haute
terça-feira, novembro 30, 2004
  Henry Miller - l'agent provocateur

Peguei há pouco num dos seus livros, de seu nome Os livros da minha vida e gostei de uma frase do prefácio, escrita por ele próprio:

Qualquer pessoa com a barriga cheia de clássicos é um inimigo da humanidade
Henry Miller

E que era o autor de O Trópico de Câncer senão um provocador inteligente, de uma inteligência em muitas alturas trespassada pela carne e, como todos os provocadores que o sabem ser, alguém que pensando ou jogando, faz pensar, talvez jogar também?
E a vida é um roleta russa.
E ser provocado intelectualmente é bom e pode sê-lo em vários aspectos e reflectir-se em coisas essenciais na vida, da vida.
Para rematar e reportando-me ao tema recorrente dos seus livros, não é por demais que sabido que a sexualidade passa em primeiro lugar pela mente? Daí que a inteligência e o humor sejam das características mais interessantes e apelativas num ser humano.

Se pudesse, devolveria a frase e a provocação, em forma de pergunta, ao Henry Miller:
Qualquer pessoa com a barriga cheia de clássicos é um inimigo da humanidade?
 
  She will be loved

As minhas músicas de momento, a escolher, sendo que a escolha está em constante mutação, acrescento e substituição ( é o meu ascendente Gémeos a funcionar :) , seriam...

She will be loved, Maroon 5;
How to dismantle an atomic bomb no single de apresentação do último cd, U2
O single de apresentação do novo álbum dos The Gift;
A Festa, Maria Rita;
Quase todas as de Lhasa de Sela;
Recriação de música dos Doors, feita pela Orquestra Sinfónica de Praga e por um virtuoso do violino, Kennedy, que descobri num certo blog cuja vieira o punha a tocar enquanto mergulhava na maresia;
A trilogia de Presneir (quase aposto que o nome está mal escrito, mas quem o mandou ser polaco?) - Bleu, Rouge, Blanc, bandas sonoras dos filmes com o mesmo nome protagonizados pela etérea e deliciosa Juliette Binoche;
A minha sobrinha bébé naquele choro intermitente e refilão de mimo dos 17 dias de vida.
 
segunda-feira, novembro 29, 2004
  O elogio do silêncio*

O silêncio também é pleno. O fim de semana parece ter durado mais de 48 horas bem vividas, tal a forma como o tempo se distendeu, em harmonia, na ausência de stress, em busca semi-consciente do eu, perdido que tem andado na confusão e na pressa dos dias.
Disse não, sem esforço e com verdade, à televisão, aos jornais, à internet. Não fui para longe e nesse longe teria acesso a isso tudo. Foi opção interior, vontade de não deixar que o mar me levasse na correnteza dos dias em que cada um não seria mais que a sequência amorfa e sem sentido do anterior.
Semanas cansativas têm sido estas últimas. Na passada sexta à noite, estive quase a ir ao concerto de solidariedade no Fórum Lisboa (Espero que tenha sido um sucesso - à escala micro-mundo deste blog, fiz a divulgação, com gosto, de uma causa que admiro e de que reconheço a premência e a necessidade de quebrar tabus) mas o cansaço, a desorganização da secretária atulhada de papelada pendente que não o deveria estar e o ter que me levantar cedo no sábado, fizeram-me decidir pelo trabalho e lá voltei ao escritório para reorganizar prioridades e planear a gestão dos tempos para a semana seguinte, em sossego e no silêncio preenchido pela voz de Maria Rita, soberba.
O sábado voou. Esqueci-me de que já é Natal e à tarde 'bora lá ao cinema ao Colombo e depois visita prazerosa e demorada à Fnac. Mar de gente em todo o lado e na Fnac a apresentação do último disco de Jorge Palma encheu o espaço de ar quente e abafado, de gente, de ruídos que se infiltravam em todos os poros. Apesar do cansaço do corpo e do sono desregulado, quem corre por gosto... e, munida de algumas notas mentais, indaguei um dos simpáticos e solícitos assistentes que nos ajudam nas dúvidas de quem não sabe bem o nome daquela banda, daquele autor... ;) Lá encomendei a banda sonora Once upon a time in Mexico, comprei um belíssimo disco de um virtuoso do violino, instrumento que adoro ouvir, num som que vibra como as cordas cá de dentro e agarrei, é meu, é meu, um dos livros da bem-amada Clarice Lispector.
Esgotada e cambaleante e feliz e esgotada e cambaleante (modo repeat) despedi-me dos centros comerciais aos fins de semana. Dois ou três meses de abstenção ou ad eternum nas tardes e um mês nas manhãs.
Domingo, perfeita a paz, os livros, o calor da casa. Nem música apeteceu. Uma coisa de cada vez, ritmo lento que também é meu, num respirar interior de prioridades e encontros por dentro. Uma saída para casa de amigos ao fim da tarde compôs um domigo perfeito. Perfeita a paz, os livros, o calor da casa. E à noitinha adormecer ouvindo La marée haute, de Lhasa, estagiando para a próxima segunda feira, Aula Magna, dez da noite.


* Título de livro, bonito o título, de cujo autor não recordo o nome. Recomendada me foi a leitura do livro, avisada estou. Mas que fazer com o tempo que falta? Que ele, tempo, existe, eu sei...mas onde o encontro? E de que terei de prescindir para o encontrar?

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sexta-feira, novembro 26, 2004
  I wish I were here...



Point East
by Daniel Pollera


Tenho que me lembrar que ainda tenho férias este ano; se me esquecer, o corropio dos dias, dos stresses e das horas faz-me desaparecer a alma. Por isso, a arte, a beleza a poesia. Para que me lembre sempre que o sol existe.
 
quinta-feira, novembro 25, 2004
  Mulheres Vítimas de Violência Doméstica Vão Ter Acesso Privilegiado a Apoio Jurídico

Por Andreia Sanches
PÚBLICO, Terça-feira, 23 de Novembro de 2004


A Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (CIDM) e a Ordem dos Advogados (OA) vão assinar amanhã um protocolo que prevê que as vítimas de violência doméstica tenham acesso imediato a consulta jurídica. Vão mesmo ser criados dois gabinetes de atendimento específico para estes casos em Lisboa e Porto, segundo explicou Filomena Neto, da comissão distrital do Porto da OA.

A Ordem compromete-se ainda a proporcionar o rápido acesso das mulheres aos serviços de apoio judiciário (destinado a quem não tem meios económicos para pagar a um advogado), quando este for solicitado. Uma das ideias do protocolo é, de acordo com Filomena Neto, "garantir às vítimas destes crimes um atendimento privilegiado".

Esta é apenas uma das iniciativas previstas para assinalar a semana em que se celebra, na quinta-feira, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

"Você está sempre a tempo de mudar a sua história. Diga não à violência doméstica" é o mote de uma campanha nacional que arrancou ontem à noite nos quatro canais de televisão generalista e que se prolongará até pelo menos ao final do mês. Cumpre-se assim, ainda que com um ano de atraso, a primeira medida prevista no II Plano Nacional Contra a Violência Doméstica, aprovado pelo Conselho de Ministros em 2003.

Nas televisões, jornais nacionais e regionais, revistas e rádios passará, nos próximos dias, a mensagem de que "existem ajudas às quais as pessoas podem recorrer para não terem que viver com a violência", segundo explicou ao PÚBLICO Conceição Lavadinho, responsável pela área da violência doméstica na CIDM - uma entidade tutelada pelo ministro de Estado e da Presidência, Morais Sarmento, que ontem participou na apresentação pública da campanha, em Lisboa.

Folhetos com a mesma mensagem serão distribuídos nas farmácias, hospitais e centros de saúde. Cartazes chegarão a universidades, bares e aos estádios da Luz, Alvalade e Dragão.

"Para esta campanha baseámo-nos nos contos de fadas", explica Conceição Lavadinho. Só que nestes anúncios o Capuchinho Vermelho (uma das personagens) não é aquela figura feminina frágil que está na iminência de ser devorada pelo lobo. "Tem um papel activo", continua.

O "spot" televisivo é esclarecedor. Nele se conta como o Capuchinho Vermelho se confronta com o lobo e lhe diz: "Se não fechas a boca faço queixa de ti na esquadra".

O projecto foi apoiado pela Comissão das Comemorações dos 30 anos do 25 de Abril, a Pfizer e a EPAL, tendo estas duas últimas empresas assinado um protocolo onde se comprometem com um subsídio de 50 mil euros por ano, até 2006. As verbas destinam-se, entre outros, a fazer já no próximo ano uma pequena réplica da campanha publicitária e a realizar um projecto pedagógico com escolas do ensino básico.


Continue a ler aqui

 
terça-feira, novembro 23, 2004
  Concerto de Solidariedade pela Saúde Mental - 26/11, 22h. Novo cartaz com a presença confirmada de Rodrigo Leão




A saúde global de um ser humano passa necessariamente pelo bem estar mental e psicológico do indivíduo. Ainda não é comum reconhecer isso com naturalidade e franqueza; Ainda existe um certo tabu, um mito à volta destes casos que conhecemos e que acontecem sempre aos outros. Actualmente, devido à divulgação de situações que podem acontecer a qualquer um (por ex, uma depresssão reactiva a um acontecimento ou uma depressão endógena, relacionada com, segundo julgo saber,um distúrbio químico no cérebro) estas situações aceitam-se, mas ainda há a vergonha, a vergonha de assumir, a vergonha de dar parte de fraco, numa ideia comum partilhada de que 'eu não tenho tempo para depressões'.
Ora, urge desdramatizar e sensibilizar e ACEITAR. Uma doença psiquiátrica ou mesmo uma perturbação a esse nível pode ter custos enormes para a vida profissional, social e afectiva do indivíduo. Não falo apenas de depressões, falo também de bipolaridade e de OCD (distúrbios obcessivos-compulsivos). Felizmente tem havido uma certa tentativa de consciencialização da opinião pública e nisso têm ajudado pessoas conhecidas que dão a cara pela defesa da não discriminação e pela ajuda, pela aceitação. E pode ser tratada ou pelo menos comtrolada uma doença relacionada com a mente (a mente é um poço imenso...) e é por isso que ainda mais necessário se torna a nossa receptividade a casos como estes, que podem dar cabo de uma vida - literalmente - se não forem aceites como são e acompanhados. Ninguém está livre nem inocente e qualquer um de nós pode um dia escorregar em direcção ao abismo. Encaremo-lo.
E no dia 26 de Novembro, enchamos o Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) e assistamos ao que prevejo ser um excelente espectáculo, convictos na nossa cidadania, que não passa só nem principalmente por 'votar'. A solidariedade não é nem pode ser mote de campanha para os políticos nem para aparecer nas revistas cor de rosa. A solidariedade é etérea e real - quem não puder ir passe a palavra. Mas não sabem o que vão perder;)
 
  Infinito imortal amor

O meu olhar tem mais brilho de há 10 dias para cá, o tempo de vida da Maria, meu amor pequenino.

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segunda-feira, novembro 22, 2004
  A lista* segue abaixo:


MOROCCO.
by Bruno Barbey


(*lista de Natal, para quem só agora se ligou à nossa emissão)




VIAGENS
- Um safari ao Quénia, de cerca de 12 dias (super organizado que não quero ficar na boca de nenhum leão, mas descontraído o suficiente para eu poder sair do jeep e fazer festinhas aos tigres bébés).
- Uma viagem ao Tibete, 15 dias, 1 mês, sem prazo.
- 3 semanas em Goa
- 1 mês em Nova Iorque (ou mais)
- 2 semanas em Marrocos e no deserto do Sahara


PERFUMARIAS
- um cheque oferta no valor de € 1 000,00


HAUTE-COUTURE
- (esta fica para quando fizer anos, tenho de emagrecer primeiro)


FNAC
- cheque oferta de € 5 000,00 (1) - facilita-vos as coisas e entre todos é mais simples. Por ex, só o Barbané tem uma grande tiragem diária e agora com os lucros do livro, eles próprios Barnabés podiam contribuir mais generosamente [não sou de esquerda nem concordo com a maior parte das ideias, mas amigos amigos negócios à parte] e um dos Marretas (Animal, Statler?) também lançou um livro, por isso, rapazes...do I need to say more?

(1) o montante parece elevado mas não é, faz-me falta o leitor de dvd's , o rádio Tivoli (O João Pedro do Ruínas circulares, é o culpado disto do rádio) e uma quantidade generosa e absolutamente essencial de cd's, livros e dv's)



Cumprimentos, abraços e beijos
Vague



Adenda: este post foi inspirado no bom exemplo da 1poucomais e do life chaser e porque acho que os bons exemplos são de seguir (18.40h de hoje)
 
domingo, novembro 21, 2004
  O eixo do mal*

Depois de uma tarde de trabalho sossegado, chego a casa, faço chá e torradas e antes de ir ao Staples ligo a Sic notícias:'O eixo-do-mal'. Pedro Mexia (Fora do Mundo), Daniel Oliveira (Barnabé), Nuno Artur Silva (dos Marretas?), a inefável Clara Ferreira Alves e José Júdice (primo do poeta e do advogado? confesso que não sei quem é) dialogam com humor e acinte. Ora com licencinha que tenho de ir ver e o Staples está aberto até às 21h.



*Sic Notícias (domingos, 18h?)
 
  Em cartaz na próxima 6ª feira

 
  Rodrigo Leão, Sétima Legião, Gaiteiros de Lisboa - 26 de Novembro, Fórum Lisboa

O Grupo de Acção Comunitária – IPSS – irá organizar um espectáculo de Solidariedade pela Saúde Mental no próximo dia 26 de Novembro, no Fórum Lisboa, às 22h. O concerto terá a actuação dos grupos Sétima Legião, Gaiteiros de Lisboa e Rodrigo Leão. A instituição GAC dedica-se à reabilitação de pessoas com doenças psiquiátricas, promovendo os cuidados na comunidade, bem como a desinstitucionalização destes pacientes. O concerto tem o Alto Patrocinio da Presidência da República.


Concerto de Solidariedade pela Saúde Mental


Gaiteiros de Lisboa
Rodrigo Leão
Sétima Legião



Fórum Lisboa
26 de Novembro às 22h *



*(Bilhetes na FNAC, Ticket Line e no Fórum Lisboa)



(recebido por mail; o cartaz segue dentro de momentos)

 
sábado, novembro 20, 2004
  E depois da brincadeira...

São horas de ir à vida e depressa. Bom dia!




CZECH REPUBLIC. Prague. 1998.
by Martin Parr

 
  (intervalo entre posts)

- Alguém que sabe explicar porque é que, tendo ido aos settings e ter respondido religiosamente sim ao ping (acho que ele se chama assim), continuo a não ter o blog actualizado; isto é, quando escrevo num blog e se clico no meu nome, vague (o prazer é meu, ora essa), o que aparece como tendo sido o último post é um de 6 de Novembro.

1) Alguém me sabe dizer se é muito difícil sacar música da net? É grave lacuna, não conseguir sacar música e se a minha saca é grande... Sei que isto é ilegal e daqui a nada tenho a PJ à porta. Mas ponho um ar angelical e doce - se não chegar para comover os agentes, tenho sempre a vassoura atrás da porta para emergências.

2) Conhecem o projecto Naifa? Não se admirem, se não conhecerem. Em duas lojas de discos que fui também não conheciam e olharam-me com ar de entendidos e esta está é a fazer confusão com o nome. Ouvi na Fnac e gostei de uma forma curiosa: Não sei do que gostei mais, se das vozes, se das misturas de estilos, se da originalidade de todo o resultado.

3) Por agora é tudo. Brevemente publicarei aqui a minha lista de prendas a serem oferecidas pela blogosfera (ou talvez coloque a lista na Fnac e na Tap, não sei bem, depois decido). A lista não é curta, mas entre todos os leitores de todos os blogs, somos capazes de chegar a algum lado.



ps: oiçam o duplo cd 'Ao vivo na Antena 3' - estou a ouvi-lo agora, foi-me emprestado mas dá vontade de ficar com ele :).
 
sexta-feira, novembro 19, 2004
  Já não sei...

se quero o gato. Mas também não sei o contrário e aqui estou, pensativa, trago o gato, deixo o gato? e os cortinados? (e os miaus acolhedores?) e os sofás? (e os ronrons no colo?) E pensando que um amigo meu tem um gato com 21 anos...ainda fico mais baralhada, confesso.



 
  À flor da pele

Dizes-me que tenho as emoções demasiado à flor da pele. Barafusto, rebato o teu exemplo, e no fim
Onde querias que as tivesse? No coração?

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  Às vezes sinto isso,

(continuando)


Todas as doenças pertencem a toda a gente.
Todos os sofrimentos pertencem a toda a gente.
Todas as mortes pertencem um pouco a toda a gente.
Às vezes sinto isso,
outras vezes muito menos.
Quando sinto isso menos posso preocupar-me com o mundo,
brincar com a poesia,
com a filosofia e as palavras.
Mas quando sinto, deixo de conseguir pensar.
(...)
Estamos sozinhos.



O homem é tonto ou é mulher
Gonçalo M. Tavares


Ontem emprestaram-me o último livro de Gonçalo Tavares, Biblioteca, que tem um conceito que acho curioso e imaginativo mas o que sobretudo me comove é essa sua forma de escrever, de soltar a alma das palavras e de soltar a alma nas palavras.

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Calla Quatro
by Mei-Yu Lo

 
quinta-feira, novembro 18, 2004
  E adormeço com (os escritos de) Gonçalo M. Tavares

Gostava de vos dizer uma coisa para terminar.

Às vezes tenho medo, muito medo.
Às vezes sofro.
Às vezes, penso nas pessoas que amo e penso na possibilidade de as perder.
Às vezes vejo alguém doente e fico incomodado.
Pode não ser um amigo ou um familiar.
Posso estar a vê-lo pela primeira vez.
Aquela doença pertence-me
.


Excerto de O homem ou é tonto ou é mulher, de Gonçalo M. Tavares.

(cont. mais logo)


Boa noite.
 
  Hoje acordei com um poema

...que descobri (conhecer é, pode ser, vulgar novidade, mas para cada um, tem, pode ter, a magia da descoberta) - e foi assim que o poema entrou no meu mundo.


A PONTE

Para cruzá-la ou não cruzá-la
eis a ponte

na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país

trago comigo oferendas desusadas
entre elas um guarda-chuva de umbigo de madeira
um livro com os pânicos em branco
e um violão que não sei abraçar

venho com as faces de insônia
o lenço do mar e das pazes
os tímidos cartazes da dor
as liturgias do beijo e da sombra

nunca trouxe tanta coisa
nunca vim com tão pouco

eis a ponte
para cruzá-la ou não cruzá-la
e eu vou cruzar
sem prevenções


na outra margem alguém me espera
com um pêssego e um país.



Mario Benedetti
(Uruguay, 1920)

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quarta-feira, novembro 17, 2004
  Paula Rego - A dança


Paula Rego


Isto é só para não me esquecer que a exposição de Paula Rego, talvez a mais completa que fez em Portugal está em cena no Museu de Serralves, Porto, até 23 de Janeiro do ano que vem!
:)
 
terça-feira, novembro 16, 2004
  Sossego*

Dia de trabalho entra e sai, atende telefone, faz telefonemas, marca dentista, liga ao médico, farmácia, traz medicamentos, e finalmente trabalha descansada e sem interrupções até às 21h, com idas ocasionais à net e um post que rapidamente passa a draft.
Chego a casa e acolhe-me o silêncio, deito-me vestida no sofá para descansar só um bocadinho, sem música, sem televisão. Entrego-me aquela harmonia, o bébé do andar de cima não chora, o adolescente do prédio ao lado deve ter já os pais em casa, não se ouve música alta daquelas bandas.
Acordo quase duas horas depois, com o som do telefone e um olá, estavas a jantar?, não, estava a tratar disso.
Acabei a noite, dali a pouco, já devidamente equipada para dormir e um pequeno-almoço-jantar de chá e torrada na cama, sem música, sem net, sem tv, e o tlm pendurado ao ouvido e quase deslizo de novo para o sono, Estás a ouvir-me?, Mais ou menos, estou a cair de sono, falamos amanhã?


*O que oiço agora, do álbum Alma Mater.
 
segunda-feira, novembro 15, 2004
  Áxion Estí



Childbirth, a baby's first 5 minutes.
(1959, by Eve Arnold )


No princípio a luz E a hora primeira
em que os lábios ainda no barro
experimentam as coisas do mundo



Odysséas Elytis
(Louvada seja (Áxion Estí) )

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  Te miro, ñina

La mire veces sem conta, sentindo aquele ser indefeso a adaptar-se suavemente ao mundo, a maior parte do tempo de olhos fechados. Olhava-a fora do tempo, fora do mundo e emocional e espiritualmente consciente da eternidade daqueles momentos.
Numa dessas alturas, a menina abriu o olho esquerdo 'deixa ver quem é esta que está aqui a olhar-me com ar de parva' e esboçou um esgar de choro, que foi prontamente revertido para o sono dos justos. Acho que se assustou com o que viu, e quis logo fechar de novo os olhos para recapturar o sonho interrompido. Filhota, se tu te assustas assim com a tia, a tia fica traumatizada para sempre.

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domingo, novembro 14, 2004
  Nasceu a Maria

A madrugada acolhe-me neste acordar cedo, a noite ainda pisca nas luzes lá fora. Coloco Alma Mater a tocar, som perfeito para me espraiar nas palavras e deixar os sentimentos fluir.
Nasceu a minha sobrinha, a primeira, o melhor presente de Natal que esta tia desde ontem podia ter. A Maria veio ao mundo a 13 de Novembro, às 9.10h, pesando uns generosos 3.550kgs e com uns pulmões prometedores para as cantorias.
A minha dúvida de hoje (abrandemos as emoções, maré revolta) é se vou ocupar o posto em frente ao berçário a olhar para ela a tarde toda, encantada e a surripiar fotografias, discreta e devidamente disfarçada com óculos escuros e gabardine beije de golas levantadas ou se vou ao Festival do chocolate em Óbidos (é bom não esquecer o poder do chocolate). Os amigos que me convidaram já sabem que o suspense se manterá até depois do almoço.



Louvada sejas meu amor pequenino, Maria.



A baby's first 5 minutes.
(1959, by Eve Arnold)

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sábado, novembro 13, 2004
  Louvada sejas

Tenho uma imensa curiosidade por Odysséas Elytis, cujo livro, Louvada seja, editado em Portugal pela primeira vez este ano, usei para dar nome a este post.Não deve ser hoje que o lerei (nem sequer o tenho), ficará adiado mais umas semanas, um mês, um ano, who cares? Eu não quero saber, certamente hoje não.
Hoje será um dia especial, imagino e desejo; e coloco toda a minha energia positiva e amor em êxtase neste dia - não gosto de antecipar, verbalizando certos sonhos, desejos ou acontecimentos, além do mais porque estou de saída ;) A minha auto-contenção traiu-me só um bocadinho ao escrever este textinho opaco-transparente. Até logo *

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sexta-feira, novembro 12, 2004
 




Hoje o céu está mais azul
eu sinto...
*




(*cantado por Rosa Passos, numa letra de Ana Carolina com a música de R. Leão e R. Sakamoto)

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Drop of Water
by Michael Keller
 
quinta-feira, novembro 11, 2004
  Adenda à foto anterior

O facto de ter colocado uma imagem de Yasser Arafat não significa que concorde com as posições que teve ao longo do tempo no conflito entre Palestina e Israel e na forma como geriu o conflito. Era um homem confinado a um espaço, eu sei, mas era o símbolo e o 'pai' e alguns ataques terroristas de alguns grupos palestinianos não poderiam ter sido evitados por ele? Desculpem, mas não embarco na ideia de que um homem quando morre passa a ter só qualidades. Isso reconhece-se em vida. Ele trabalhou para a paz, talvez tivesse sido apanhado no fogo cruzado de grupos extremistas que não conseguiu controlar,talvez. O terrorismo existe dos dois lados e não defendo a posição de Ariel Sharon, na medida em que abomino o terrorismo e a violência. Os únicos que estão inocentes são as vítimas que morrem.
Arafat é, ainda, o símbolo da nação palestina e merece esse destaque, como o pai de um eventual Estado palestiniano a criar. E creio que não outra solução que não passe por esse reconhecimento de que existe nação e que deve haver Estado.

ps: este post está a ser rectificado hoje de manhã; ontem, quando desliguei o pc, cabeceava de sono e o texto ficou meio sem sentido.
 
  Um homem, uma nação



Yasser Arafat. 1929-2004

Bruno Barbey
 
  Em viagem, 3

Cada pequena história encerra um segredo que não se contém nas palavras que a formam. Se o quiser desvendar, tem o leitor de procurar em si mesmo a resposta. E esse é afinal o segredo de todas as pequenas histórias.
Luís Ene

Mil e uma pequenas histórias
 
  Em viagem, 2

Procurar é em mim um jogo. Um jogo para preencher o tempo, esse sim, o grande problema. Procuro para preencher o tempo em que descubro a tua ausência.

Respirar o mesmo ar
 
  Em viagem

Questiono a minha audiência se a fé será um dom de Deus ou se todos temos capacidade para reconhecer a revelação divina.

Povo de Bahá
 
  Férias precisam-se, alguém tem de sobra?

Apetecia-me ir pelo mar alto, qual maré fotografada assim:


Ruth on cruise to South America, 1947


Esta é Ruth Orkin, fotógrafa, do outro lado da câmara.
 
  Já agora...

Espreitem aqui um caso social que tem sido razoavelmente divulgado. É extremamente delicada, pelo que me apercebo, a abordagem deste drama social, humano e psicológico, que envolve uma família desprotegida e também disfuncional. E muito isolada.
 
  Um subtítulo deste blog poderia ser...

Qualquer semelhança com a ficção é pura realidade.

Lembrei-me desta frase ontem à noite, quando me apercebi que alguns de vós poderiam levar a sério certas coisas mais íntimas que escrevo ou que o parecem ser. Entenda-se que alguns textos são exercícios de escrita e não correspondem necessariamente à realidade.

Vou pois colocar aquela frase em epígrafe. Se houver alguém que a tenha "registado" anteriormente, diga, que não gosto de imitações, a não ser as que faço de mim própria.


E uma boa tarde.

 
  Inquietações de uma balzaquiana a pedir mimo

Ó tia, quando eu nasci me viste pela primeira vez gostaste logo de mim ou viste só um bébé como os outros?


ps: o nascimento iminente da menina-poema faz-me fazer perguntas parvas, carregadas de mimo e interrogar-me (esta é a parte igualmente idiota) se gostarei dela ao primeiro olhar ou ficarei sem reacção e com um vazio dentro do peito cheio de o que é que estou a sentir .

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  Por eso me quedo*



Tu sabes ou intuirás talvez. Não tenho atendido o telefone quando vejo o teu número porque és presente ainda. E é estranho como passados 6 meses ainda me dóis. Isto não é contra as leis da Natureza ou as de Murphy que devem dizer alguma coisa do género, deixa o tempo correr, tudo passa? Uma parte de mim diz que sim e outra parte diz qu e não e é neste (des)equilíbrio que me sustento, que a alma se sente quente e fria quando não penso em ti, que me envolvo na vida, na escrita, nas actividades de que partilhaste os desabafos. Está a tornar-se tudo mais fácil e ainda mais difícil. Um dia deixarás de me ligar, afinal a minha ausência mostra a minha mais profunda indiferença. E nessa altura, quando dentro de ti me tiveres dito adeus, eu me sinta doendo a frio e te envie um poema que tenho guardado, derradeiro presente feito à medida pelo poeta que há 50 anos adivinhou o que viríamos a sentir. É é nessa altura que te quererei ver, mergulhar os meus olhos nos teus e deixar que os teus me invadam, prenhes dessa paixão imensa que descobrimos arrebatadora antes e depois do fim e constatar que nada se repete nunca. Pode-se ter na vida mais que uma alma gémea? Eu achava que não e sem o saberes ensinaste-me que sim, que é possível. Que as almas gémeas existem para aquele momento da vida e que se o momento se vai elas ficam como memórias especiais que o tempo não desmaia, a não ser que tudo não tenha passado de um equívoco sentimental e a cumplicidade absoluta tenha sido apenas um sonho, projecção idealizada do que queremos no outro e naquele momento julgámos descobrir. E se for isso, adeus memória. Achei ter descoberto o mundo nos olhos de alguém e hoje duvido de tudo, do amor, do carinho, do respeito, da perenidade da memória. Por eso me quedo.
Um dia deixarás de me ligar para sempre e eu receio esse dia, e talvez nessa altura te queira eu ligar, enterrado que estará o passado em ti. Esse dia morre-me e anoitece-me o coração. Ainda não consegui fazer destes cacos destroçados coragem. Um dia talvez. Num dia em que tudo acabar dentro de ti (Os amores começam antes de acomeçar e acabam antes de acabar, Pedro Paixão, lembras-te?) talvez assome a dor de já não te saber meu. E aí sofrerei de novo, e serei eu a querer ver-te e aperceber-me-ei então, cruamente, que foste só um sonho e que os sonhos não passam disso se não se realizarem em projectos de vida convictamente defendidos. E eu não quero menos que tudo.
Por enquanto estás escrito com sangue cá dentro. Gravado a ferros. Mas o sangue limpa-se e os ferros apagam-se.


*música de Lhasa de Sela

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quarta-feira, novembro 10, 2004
  Michelle e Gaby, duas pessoas especiais

A Michelle, a mãe especial de que falei no outro blog, já foi mãe da Gaby.
Um beijo terno para a mãe e para a filha, com o desejo de que as estrelas todas do céu as iluminem e guardem.
 
terça-feira, novembro 09, 2004
  O rosto assumido de...uma mão


Morocco, 1997
Bruno Barbey
 
  Responsabilidade e responsabilização na blogosfera

Subscrevo as palavras de uma vieira do mar, que dá voz, neste texto, aquilo que penso e sei, neste particular, por isso o faço, com orgulho e modéstia (orgulho no que penso, acredito e sei, que é sedimentado; modéstia porque as palavras não são minhas).


A blogoesfera é um magnífico espaço de liberdade de expressão que, por isso mesmo, atrai toda a espécie de imbecis e tarados sem vida própria e propicia o desenvolvimento de relações esquizóides entre seres humanos que não se conhecem - as quais, por vezes degeneram na invasão de espaços mútuos e em abusos vários.
É preciso, por isso, que nos consciencializemos de que, ao chamarmos "filho da puta" a alguém numa caixa de comentários, é como se estivéssemos a gritá-lo a plenos pulmões no Rossio, à hora de ponta, e que tal facto nos coloca, automaticamente, sob a alçada da lei penal portuguesa.
Pode, até, ser pior (ao nível das respectivas consequências penais) se o blog em questão tiver (por exemplo) uma média de visitas elevada, caso em que a difamação pode ser agravada, porque praticada através de um meio que facilitou a sua divulgação (art.º 183º, n.º 1, al. a) do C.P.).
Eu, de todas a vezes que chamo nomes a alguém sei bem que o visado, através de uma simples busca no google, pode vir aqui parar e que, se for suficientemente idiota para me dar importância, lhe basta fazer copy paste do meu texto e entregá-lo no DIAP mais próximo. É um risco, este de me poder ver em sarilhos, que eu corro, conscientemente.
Pessoal e profissionalmente, faço uma interpretação muito restritiva daquilo que seja uma injúria (uma ofensa dirigida apenas ao próprio, art.º 181º do CP) ou uma difamação (proferida perante terceiros, art.º 180º), pois entendo que um "filho da puta" ou um "cabrão" proferido no calor de uma explosão emotiva, oral ou escrita, não detém suficientemente dignidade jurídica que justifique, em abstracto, a hipotética aplicação de uma pena de prisão que pode ir até três ou seis meses, respectivamente. Mas, infelizmente, alguns juizes de primeira e segunda instâncias, assim não o entendem.
Já quanto ao crime de ameaça (art.º 153º do C.P.), a interpretação que faço é no sentido contrário, ou seja, bem mais lata e abrangente, pois entendo que, para alguém se sentir com medo (no sentido de cerceado na sua liberdade de auto-determinação) não é preciso que um terceiro lhe diga, expressamente, que lhe quer fazer mal.
Se eu receber, por dias a fio, telefonemas nos quais ninguém fala, ou e-mails em que nada é escrito, ou comentários só com um ponto de exclamação, a ausência de palavras e de imagens pode ser tão ou mais assustadora do que uma profusão delas. O medo pode surgir pelo desgaste e pelo receio do desconhecido, ambos instigados pela imaginação. E não deixa de ser mais verdadeiro, por isso.
Para que se cometa um crime de ameaça, apenas se exige que a actuação do agente seja de molde a, objectivamente, provocar receio e temor (ou seja, tal como provocaria a um homem médio colocado em situação idêntica à da vítima).

Mas, perguntam-me vocês, uma vez que a maior parte dos servidores que alojam blogs se encontram nos EUA e por aí fora, como determinar onde foi cometido o crime?
É fácil. Se alguém vos deixa uma ofensa na vossa caixa de comentários, ou no vosso e-mail, o crime consuma-se no sítio onde vocês a lêem, que é o local onde recebem a informação. O crime consuma-se no local onde nos sentimos ofendidos ou ameaçados porque é nesse momento que o agente alcança o seu objectivo.
Ora, é competente para conhecer de um crime o tribunal em cuja área se tiver verificado a consumação (art.º 19º, n.º 1 do C.P.P.). Não é preciso acrescentar mais nada.

Só um pormenor: os crimes de que vos falei são particulares ou semi-públicos, o que significa que é preciso queixa por parte do ofendido para que se inicie o procedimento penal, sendo que o direito para a exercer se extingue no prazo de seis meses após aquele ter tido conhecimento do facto (art.º 115º do C.P.) Depois de decorrido, já não há nada a fazer.

Na bologoesfera, aplicam-se exactamente as mesmas regras que na vida. Incluindo as jurídicas. É simples, eu acho.


Controversa maresia


 
  Eu Hei-de Amar uma Pedra*

A minha disponibilidade mental não me tem dado hipótese actualmente de ler, de A. Lobo Antunes, mais que as suas crónicas. Tenho há mais de um ano o 'Que farei quando tudo arde?', mas para livros especiais que sei que vão exigir de mim sentimentos e profundidades em que nem sempre quero mergulhar, pelo tempo de imersão exigido e porque livros assim não se lêem aos bocadinhos, eu não gosto nem quero, vou adiando a leitura. 'O idiota' De Dostoievsky é outro que está ali à espera, depois das 'Noites Brancas'. Entretanto vou lendo a Caras :P.

Fiquei pois feliz quando há umas semanas encontrei, em formato de livro de bolso, 'Algumas crónicas' de A. Lobo Antunes. Pequenino, cabe na carteira, ando com ele para alguma emergência em que tenha de ficar sossegada e quieta, o que, a bem dizer, significaria que teria de estar amordaçada :)


*'Eu hei-de amar uma pedra' é o novo livro de um escritor que escreve com a vida toda, sem pausas, com pausas, com amor, com desamor, com lucidez, desencanto, e sem satisfações a dar. E ao mesmo tempo, com toda a humildade do mundo.
 
segunda-feira, novembro 08, 2004
  Casa

Depois de dar a volta à chave e ter fechado as portas do carro, foi o que escutei: casa. Ouvia a palavra dentro do cérebro, pensava nos versos de Sophia, na música de Sakamoto, no sítio onde temos o coração.
Estou feliz se a felicidade não for muito exigente hoje, e também cansada do dia e da formalidade, da simpatia e da imagem com que me sinto bem, mas que se cola demais e me disfarça o eu, asfixia-o como se eu não fosse mais ninguém a não ser a pessoa que está ali a trabalhar. E o tédio está perversamente à espreita.
E dou comigo a pensar em ti, desejando partir em viagem para o sítio branco, só nosso, neve, frio, imensidão e aconchego, poesia nas mãos que só fizeram sentido entrelaçadas. E a frontalidade dos nossos olhos em duelo de paixão. E o sangue de um coração que nos bateu sem compasso, brutal no desejo da ternura e do corpo. O que desejávamos mais, a alma, o corpo? Talvez apenas tudo, sem medida e sem medo, no bailado perfeito das tuas mãos nos meus cabelos e dos meus dedos nos teus lábios, contorno perfeito.

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  Mãe





(Klum Photography)
 
  O questionar de quem pensa a blogosfera

As modernas catacumbas

Porquê tanto anónimo neste ciber-espaço?
Escondem-se, assim secretos, da responsabilidade do que dizem, evitando verem descobertas as suas torpezas verbais? Não, pois a esmagadora maioria escreve simpáticas amabilidades, gentis elogios, que qualquer um gostaria de assinar.
Ocultam-se, assim escondidos, para não serem reconhecidos pelos seus próximos conhecidos, poupando-se a serem confrontados pelos seus públicos pensamentos? Também não, pois o que dizem, por certo o poderiam dizer no quotidiano dos seus empregos, na intimidade dos seus lares.
Ou será que, muitos deles, se disimulam de si próprios? E, assim, cibernautas sem rosto e sem nome, o que não querem é confrontarem-se privadamente com aquilo que são: é que há um momento em que um homem, ao reconhecer-se naquilo que é, suicida-se por aquilo em que se tornou.
Assim, é mais fácil: cada escritor anónimo pode assumir então publicamente a sua cidadnia e viver secretamente a sua servidão. Não será verdade para todos, mas não é mentira para muitos deles.



José António Barreiros
A revolta das palavras


ps: linkei o blog há pouco já que ontem o pc teimou em esconder a barra de endereços
 
sábado, novembro 06, 2004
  Que é que eu faço?



Mais logo vou, espero, andar à procura de um gato destes, o meu tipo preferido, todo às riscas; mas isto como é as pessoas que sonhamos amar: queremo-lo altas ou baixas, de olhos verdes ou pretos, high ou low profile e damos por nós apaixonados por pessoas que não correspondiam ao que achavámos que gostávamos. Muitas vezes são melhores, isto dos ideais tem muito que se lhe diga e vamos a ver se é desta que eu me mentalizo para que o gatito desejado faça sua esta minha casa. Que mania esta dos gatos listados! Que mania a dos gatos. Aposto que se me apaixonar por um exemplar deste ou doutros amanhã tenho inquilino novo. Até tenho medo de sair de casa hoje. Os contras ainda estão a pesar muito.
Vou é deixar-me de histórias e trabalhar um bocado. Ai ai...
 
sexta-feira, novembro 05, 2004
  And now... something completely new!

Lhasa de Sela volta a Portugal em Dezembro

Ouvi falar de Lhasa há uns meses, ouvi o disco pouco tempo depois e logo me ficou cá dentro - a voz, as letras, as músicas. Tanto que foi uma das composições deste álbum que deu o nome a esta maré.



 
  Os corredores da memória

A blogosfera é grande demais. É um mundo enorme, apesar de a considerar ao mesmo tempo uma aldeia. Imagino que no início, há 2, 3 anos?, sendo este um meio em que circulavam muito menos pessoas, esse ar e esse conceito de aldeia tivessem um dimensão acolhedora, quase um sítio de amigos. Cheguei aqui há poucos meses, em Junho, e desde então, talvez um pouco antes, que observo, primeiro como espectadora, depois como participante activa, esta forma de comunicação privilegiada e democrática.
A dificuldade que sentirão muitos bloggers será também a minha: a incrível dispersão a que os inúmeros blogs de interesse, cultos e inteligentes (não as pessoas, os blogs :P), dizia eu, a dispersão que nos tenta a toda a hora que aqui se vem. Falo por mim para acrescentar também que, além dos blogs amigos que visito e a que sou fiel por tantos motivos diferentes como os respectivos conteúdos, outros tantos me suscitam igualmente curiosidade, admiração e até espanto pela qualidade da escrita e do discurso.
Por motivos relacionados com experiências menos boas relacionadas com links, optei por não colocar links de blogs que leio habitualmente e outros nem tanto, e outros ainda que são eventuais porque os espreito durante uns dias e vão circulando. A lista, no outro blog, nao era imutável. No entanto, presentes estiveram sempre os blogs mais próximos e os que se aproximaram ou de que me aproximei. Optei também por não fazer ordenação dos blogs linkados, no meu ponto de vista é deselegante assumir um critério para os ordenar e classificar, as classificações são redutoras e ficam coladas ao que é etiquetado. E classificar um blog que é próximo e amigo para depois o desclassificar e fazê-lo baixar de divisão, sem motivos que levem a tal, é acto deselegante e indigno se não houver motivos para o fazer - é o mesmo que asfixiar a amizade, arrefecer a memória.
Realço que a mim tanto me faz que me linkem ou não. É claro que gosto de ser lida e, em segundo lugar, de ser apreciada. Mas não pago um link com outro link nem espero que os outros o façam em relação a mim. Quase tudo, ou o possível tudo na vida deve ser natural e orientado pelo princípio do prazer e da satisfação que tiramos das coisas, das pessoas e de nós mesmos. Tudo muda, os links mudam, as pessoas ainda mais, mas há uma ideia que me é sagrada, colada que está à pele e ao respeito por mim, pelo que sou e pelo que fui: A memória não é imutável.
E com isto me calo e passo à frente.
 
  Clarice Lispector

Clarice Lispector é uma das escritoras que mais me fascina e encanta. A visceralidade e intensidez da escrita, a verdade nua, a transparência, que mais que facilitar, espanta a descoberta das coisas simples.
Em A vida dos meus dias e com a devida vénia :) à Ana , a autora do blog, aqui está um belíssimo texto de Clarice...


"Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.


(Clarice Lispector)

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quarta-feira, novembro 03, 2004
  Song of Sophia*

Quem me roubou o tempo que era um
Quem me roubou o tempo que era meu
O tempo todo inteiro que sorria
Onde o meu Eu foi mais limpo e verdadeiro
E onde por si mesmo o poema se escrevia


(Sophia,
Setembro de 2001)



*Do álbum 'A Passage in time'
de Dead can dance
 
  Divagando por mundos interiores...

Não sendo biologicamente nem de outra forma mãe, sinto a maternidade debaixo da pele. Poderei ou não ter filhos, não é sonho nem objectivo e por isso ainda mais se me afigura curiosa essa interiorização inata do 'ser mãe'.
Dentro destas aparentes contradições, tenho a certeza de uma coisa: a sê-lo, e tanto quanto me julgo conhecer, tenho mais vocação para mãe-leoa que para mãe-galinha. É que o imenso amor que sinto, senti, sentirei(?) nasce da força, da protecção contra tudo e todos e, ao mesmo tempo, de algum protector despreendimento, como se além da maternidade que quer para si, que protege, que está acima de tudo, me estivesse inscrito no sangue esse imperativo interior feito de razão e sentimento que incentiva os sonhos e os voos dos seres humanos. É, imagino, um desafio e uma recompensa muito grande formar alguém para a vida. Penso na minha irmã e no que ela estará a sentir mas sei que não posso imaginar por dentro, há coisas, quase todas, de que só temos a perfeita dimensão quando as vivemos debaixo da pele.
 
terça-feira, novembro 02, 2004
 




Spring Gerbera
by Masao Ota

 
  Liberdade de expressão e consciência cívica não podem ser utopia...pois não?

Recebi esta 'carta' por mail e apercebo-me que tem circulado pela internet fora. Omiti deliberadamente a morada e telefone do autor do texto, já que ninguém me encomendou a divulgação por blog, apesar de este ser um blog de fraca tiragem :) e por seu lado os mails alcançarem muito mais gente.
Não averiguei a veracidade deste caso em concreto mas não me surpreende absolutamente nada que isto tenha acontecido; e se não aconteceu com esta pessoa em particular aconteceram casos de contornos semelhantes com outras pessoas quaisquer. Tomando de empréstimo a expressão de J. Pacheco Pereira, reitero: Pobre país o nosso.
Não são de agora estes condicionamentos à liberdade de expressão, de opinião. Não precisamos de nos reportar aos anos da ditadura, de que não tenho memória pessoal e por isso ainda mais me choca esta possibilidade de não se viver em liberdade de dizer o que se entende, com a ressalva, sempre presente, dos limites da liberdade do outro e do princípio do contraditório, expressão tão em voga também.
Fosse qual fosse a cor política de quem está à frente deste país, aconteceria, como aconteceu no passado, com o PS e, valha-nos Deus, ainda bem que o PC não está na linha da frente do pelotão. São vários os casos que, independentemente do partido que está e esteve no no poder, se tem conhecimento, mesmo que não se fale abertamente no assunto em meios próximo-dependentes (sobretudo aí).
São os compadrios das Câmaras Municipais com os empresários da construção civil, as viagens de trabalho /leia-se lazer e negócios próprios que fazem a capitais europeias, são as ligações a clubes desportivos e isto talvez seja a ponta do iceberg. Imparcialidade exista e preservando o principio in dubio pro reo, não quero acreditar que esta situação seja regra geral. Parafraseando Chico Buarque de Holanda eu diria que a coisa aqui está preta...
Às vezes dou por mim a pensar que acordei de um sonho, e nesse sonho o meu país era o tal cantinho à beira-mar plantado, cheio de sol e gente acolhedora, à margem de problemas graves de violência, de droga, de pedofilia.
Acordo e vejo que o sonho durou tempo demais. Acordo e vejo que enquanto sonhava, feliz na ignorância do país real, este mesmo país vivia uma vida paralela, que se tem vindo a afirmar, no sub-mundo da droga, da pedofilia, da prostituição infantil, sendo mais um local de passagem e de chegada dos circuitos internaciomais. Penso para mim mesmo que não descobri nada de novo no mundo. Que tudo isto existia e existe há tempo demais. Que eu era que não via, enredada nos anos da adolescência e depois jovem adulta na liberdade que não conquistei e que para mim existiu desde sempre. O mundo não vai mudar, eu sei, só porque meia dúzia de gatos pingados fora do círculo da informação profunda descobre a crueza por si. Não posso dizer que estou demasiado surpreendida, de certa forma o que acontece é que tudo isto que se está a passar vem confirmar os meus receios, os receios que me inquietam desde que comecei a pensar este país. Talvez o fim da faculdade e a entrada no mundo real dos sonhos deixa-os estar onde estão tenham marcado a viragem sendo que estes últimos tempos (meses?) têm sido de uma violência cívica muito grande e de uma crescente sensação de impotência. Como diz José António Saraiva no editorial desta semana do Expresso, o 1º poder não é o Político; no pódium estão por esta ordem, o Poder Económico, o Poder dos Média e finalmente, the last and yes the least, o Poder Político.
Segue o mail que recebi e agradecia que me dissesem se este mail é o retrato desta realidade concreta ou então não digam nada, mesmo que não seja, mesmo que seja ficcional, é o retrato do que se sabe e se comenta à boca-pequena, com as tal sensação de impotência e comodismo.
É em alturas assim e porque a Política não me fascina actualmente e porque, para ter voz teria (?) de entrar nos eixos de um eventual partido a que aderisse (pelo que já não sou nem quero ser militante de um partido), é em alturas assim que me apetece fazer as malas e partir para um sítio mais cheio de sol por dentro, em que as pessoas sintam o apelo da res publica e se sintam imbuídas de sentimentos cívicos, em que a solidariedade e a acção possam não ser apenas sonhos mas forças que se unem, até chegar a mundos maiores, pequenos passos que se dão e que fazem um caminho sem regresso ao passado (O caminho faz-se andando, diz o poeta). O que me prende é a casa e a casa são as pessoas que amo e este sol, esta ligação, esta vontade de não os abandonar em busca do arco-íris que nem sei se existe. Mas se tivesse coragem e deixasse o medo escondido, tremendo dentro de mim, iria para a América, para um Estado a escolher, para um sítio onde apesar de tudo a liberdade existe e a consciência cívica é grande. Nova Iorque quem sabe um dia o sonho o medo a casa a realidade.


Exmo. Sr. ou Sr.ª:
Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro> (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974. E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num> espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes. A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia. Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara> Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente. A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me. Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito. Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns encontros realizados entre o presidente da Câmara e a> direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas opções: instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei pela segunda.Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog". Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão... o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada. E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor". É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa, censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.
Com os melhores cumprimentos
Atentamente Orlando
Manuel S. Cardoso
E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt
 
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mareehaute.is.vague@gmail.com

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