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La marée haute
sexta-feira, agosto 26, 2005
 



Marseille. Allée du Prado. "Je marchais derrière ce monsieur qui tout à coup se retourna."

FRANCE. 1932. by Henri Cartier-Bresson
 
  Não!

A revelação do sr. Paulo Matos deixa-me boquiaberta. Promiscuidade entre autarquias, empresas de construção civil e clubes de futebol? Não pode ser! Nunca ninguém tinha suspeitado de nada!
 
quinta-feira, agosto 25, 2005
  5 + 5 -

Isto das correntes tem que se lhe diga - não lhes acho muita piada. Algemas então nem vê-las. Não entendo o masoquismo (ou a curiosidade) de ver exposições de instrumentos de tortura datados da Inquisição, como há anos aconteceu no Palácio das Galveias, em Lisboa, salvo erro de memória. Imaginar o sofrimento dos pecadores faz com que o meu estômago se contorça, angustiado. Além das torturas brutais havia as perversamente requintadas: uma pessoa presa enquanto uma cabra lhe lambia o pé pintado de mel (Iac).

O jp passou-me a pasta e para não quebrar a corrente e porque para a semana estarei wherever, talvez até aqui, aceito mas não prometo passá-la.

Idiossincrasias - as 5 menos

1- meias brancas, unhas sujas e dentes estragados
3- baixarem o volume da música que eu estou a ouvir
4- pessoas que chegam atrasadas desde que não seja eu
5- dizerem-me a meio de uma conversa : esquece !
3- e sobretudo: falta de carácter, dentro do dúbio de que se reveste este conceito mas que está bem claro, tanto quanto me conheço. Falta de carácter e de valores.

Idiossincrasias - as 5 mais
1- ter tempo para mim e para dispôr dele
2- ajudar os amigos se tiver paciência e tempo, é o lado bom do egoísmo.
2- ter ouvintes atentos
3- fazer o que me apetece que pode ser nada
4- gostar de estar calada ou de falar conforme a lua (a lua e os signos...)
5- acordar bem disposta e com pedalada para a volta a Portugal.

5 albums:
Under a blood red sky - U2
A Ópera do Malandro - Chico Buarque
O último de Anthony and the Jonhsons
Pásion - Rodrigo Leão
Um dos álbuns dos Duran Duran, com o Simon Le Bom no seu auge

5 canções:
Barracão - Eliseth Cardoso
Cajuína - Caetano Veloso
Pásion - Rodrigo Leão
Hope there's someone - Anthony and The Johnsons
Géni - Chico Buarque

5 filmes:
Magnólia
Vanilla Sky
O gosto dos outros
e aqueles filmes do chamado cinema negro, anos 40, com detectives, divas e paixões assolapadas, homens masculinos e mulheres femininas - os actores? Humphrey Bogart, James Cagney, Lauren Bacall e a actriz que protagonizou Pshyco.


jp, algumas respostas são coincidentes, mas aproveitei a deixa e deixei-as estar que estão lã muito bem.
Continuou assim a cadeia da pergunta/resposta/preferência, com algumas adulterações feitas pelas minhas próprias indiossincracias - e agora, há voluntários para a cadeia?

:)
 
quarta-feira, agosto 24, 2005
  Sem tempo,


Apresso-me a rir de tudo, com medo de ser obrigado a chorar.
Beaumarchais
(O Barbeiro de Sevilha)


Tinha 14 anos quando a professora de Português decidiu levar a turma do 9º ano à ópera. Miúdos que éramos, aquela professora especial e apaixonada por aprender e ensinar, levou-nos cedo a descobrir lugares secretos e sensibilidades escondidas.

Aos 14 anos, entrar no Coliseu para assistir à opereta O Barbeiro de Sevilha funcionou para mim como o símbolo precioso de que a cultura formal pode ter simplicidade e ganga nas calças, sem elitismos ultrapassados nem ostentação.

Por essa altura fomos ao teatro A Comuna, e vimos A Castro, projectando o amor mortal de Pedro e Inês. Mais do que assistir, integrámo-nos na peça, rodeando os actores no centro do espaço que nos unia ao aparentemente nos afastar. Momentos mágicos...
 
  Blogs de férias

Olhei para os dias em que, estando fora, não li blogs, não escrevi no meu e nem sequer consultei mails. Descanso total para a vista cansada do rame-rame do dia a dia em que o hábito de blogar se entranha na pele, sem apelo nem agravo. Trabalha-se com um pc uma grande parte do tempo e volta e meia está-se caído no vício.

O melhor de tudo é que não tive saudades nem senti falta. Ocupei-me com o dolce far niente das conversas ao vivo, com os amigos longe que não tive oportunidade de ver durante meses de contigências quotidianas.

Sabe bem descansar de tudo, dos hábitos, das rotinas que se insinuam devagar.

Brevemente voltarei ao descanso sem computadores, apenas (e é tanto) terei o tempo, supremo luxo, de criar os dias à medida do desejo.

Boas as férias que sabem a liberdade.
 
segunda-feira, agosto 22, 2005
 



Jorge Colombo, 2004
 
  Púrpura Secreta, Público, estamos a ficar famosos, ena :)

Procurei-o no google, não me lembrava do endereço. Descubro por portas e travessas que num artigo do Público, suplemento computadores, o meu ex-sempre blog foi referenciado, entre outros, como tendo também sido alvo de usurpação de identidade.


"O último caso, relacionado com a usurpação de identidade, passou-se com o blogue Púrpura Secreta, que viu aparecer um outro com um endereço na Web semelhante e com a cópia integral dos seus conteúdos - gerando a confusão entre alguns blogues que "linkavam" a cópia e não o original. Segundo Paulo Querido, nunca se percebeu a motivação do acto.
Para Pacheco Pereira, este tipo de casos não lhe é estranho porque teve várias experiências no campo da difamação ou da usurpação de identidade - em comentários deixados nos blogues, na criação de blogues semelhantes ou mesmo na transformação e publicação de textos seus em algo que não defenderia.
Considerando tratar-se de "problemas tradicionais", Pacheco Pereira optou por chamar a atenção para o futuro, nomeadamente a "biologização" dos equipamentos e as "futuras literacias", em que "a luta de classes será entre os ricos que podem pagar a realidade e os pobres que apenas têm um acesso mais barato ao virtual". Por um lado, será essa literacia digital que permitirá aos utilizadores da Internet detectarem o que é falso ou manipulador - como certas teorias da conspiração ou racistas facilmente disseminadas na Internet.
Por outro lado ainda, a Internet "é uma memória colectiva mas não oferece esquecimento", referiu o ex-deputado europeu. O que hoje é escrito por uma apaixonada sobre o seu amante poderá amanhã querer ser apagado mas não é possível. "A Internet é um meio pegajoso para a intimidade", onde existe o "efeito da aldeia global: não se gosta da aldeia porque todos sabem tudo de todos".(...)"

Jornal Público, suplemento Computadores, 15/11/2004.


ladonegro.net


Uma achega para o desenvolvimento do tema da liberdade de expressão e dos limites da comunicação imaterial numa terra de ninguém que necessita de enquadramento legal mais eficaz (embora ele exista, de uma forma incipiente e sub-aproveitada).
 
sexta-feira, agosto 12, 2005
  Rebelde sem causa




Uma das mulheres mais bonitas do cinema, Natalie Wood, fez parceria com o mítico James Dean neste filme, Rebelde sem causa, que o consagrou como ícone de uma geração, de várias gerações.

São tantas e tão boas as recordações que tenho dos filmes vistos na televisão, a preto e branco, na altura da minha quase adolescência quando era excelente a programação cinéfila e um prazer ver cinema em casa.
 
  As primeiras palavras

Uma história não tem princípio nem fim: escolhemos arbitrariamente um momento da experiência, de onde olhar para trás, ou olhar para diante.


O fim da aventura
Graham Greene


Esta frase pode traduzir qualquer simples história de amor.
 
quinta-feira, agosto 11, 2005
  Poste de alta tensão



Este espaço está aberto 24 horas por dia para responder às solicitações dos visitantes que queiram revelar-nos as fantasias, eróticas e não só, das suas personagens. O limite é a imaginação.
Este espaço é lido também por menores :) e o meu desafio é a subtileza, a sedutora subtileza do ar...

Hipatia, chega-te à frente :)
 
  Quase-a-ler

A Clara Ferreira Alves, numa crónica recente no Expresso , no seu modo irónico e descontraído de ser em escrita, falou dos hábitos de leitura dos portugueses, nomeadamente em férias. Uma crítica certeira a desancar no suposto ficar bem dizer que se leva para férias uma quantidade enorme de livros para ler, compensando assim o défice do resto do ano. Claro para mim que me revi um pouco naquelas sábias palavras (a CFA também consegue ser irritante quando quer) excepto na parte do ficar bem, honra me seja feita, embora haja certos livros que não estou a ver a folhear na praia, o Kamasutra ilustrado, sei lá.
Ok, falando bem e depressa, que a campainha está quase a tocar para a entrada no escritório depois do lanchinho, como é que se pode compensar a falta de leitura do resto do ano? Ou uma pessoa está os dias todos de lazer a mergulhar os olhos nas palavras ou então simplesmente não dá! Eu tenho mais de meia dúzia de livros para ler, que quero ler, entre emprestados e próprios e claro que não os vou ler. No entanto a compulsão é grande para os trazer, comprar ou tomar de empréstimo mas vou refrear-me. Levo os livros, todos. É assim uma espécie de segurança, saber que os tenho à mão, reflexo condicionado diário que a visão de uma cama aberta para dormir, um sofá apetitoso ou uma toalha num areal me sugerem.
Posta esta introdução (posta de post), há que dizer a bem da sociedade de informação quais os livros que não irei ler até ao fim, nas férias.
Não, o Código de Da Vinci está fora de questão, até para começar. Nem nenhum dos top mais. Já li a Margarida Rebelo Pinto e o Paulo Coelho, livros que a nossa elite que só lê Dostoievsky não admite sequer ter pousado os olhos na capa. A verdade é que hoje não me dizem muito. A Guidinha MP repete exaustivamente a fórmula ganhadora do suposto retrato da mulher urbana, com um marinheiro em cada porto que não sei como se aguenta tanta viagem, e digo eu que tanto gosto do mar. E depois é a exploração dos dilemas emocionais, das tristezas e dos amores infelizes (há um livro cujo título é brilhante 'Receitas de amor para mulheres tristes'. Espírito positivo,é o que se quer. Bela mensagem.)
Ainda se ao menos as pessoas e os dilemas existenciais fossem abordadas de uma forma menos linear, até se consumia. No entanto, o facto é que os livros se vendem. Uns prostitutos, é o que são. E a GuidinhaA autora está sempre a facturar e faz bem que tem de se fazer pela vida.

O Paulo Coelho é outra persona non grata da elite. Li dois livros deles e acertei pois os outros não me suscitaram curiosidade. A espitualidade ligada à religião e a alegada tentativa de conversão não são argumentos que façam sentido. O que me aborrece mesmo, aqui para nó,s são as unanimidades, mesmo que relativamente a algumas me inclua, mea culpa.

Numa conversa recente com um amigo falavamos do assassinato que a indústria musical e livreira podem fazer às músicas e aos livros, pela exaustão.


Na verdade não gosto actualmente da MRP e do PC (Ficou-me bem dizer isto, não foi?) Trago comigo e estão espalhados pela casa livros vários, por ex, o Gato Fedorento-Blog, O fim da aventura, de Graham Greene e uma antologia erótica de autoras de Língua Portuguesa, ardentemente escrita. Ah e tenho uma Visão de há umas semanas para andar informada e já não tenho paciência para o culto ao Expresso cujas folhas enormes são pouco práticas de manusear. E eu não tenho idade nem estatuto para fazer fretes (hoje andamos muito tolas, menina Vague)
E pronto, tenho mais livros na calha e ao calhas mas não me lembro agora quais são.

(Veja-se que acentuei um tom coloquial neste texto, editora estejam atentas que a seguir ao Barnabé e à Rititi vou eu [ok, há mais gente na fila, esqueci-me, mas eu nem preciso de me pôr em bicos de pés que sou alta]).




Nota da autora: Que não se veja neste texto (ou vejam, a interpretação é de cada um que ler ou não ler) alguma tentativa de diminuir a qualidade e a graça peculiar de alguns livros-blog. Claro que até agora para mim o livro blog de referência é o 'Ruínas Circulares' Unanimidade minha.
Muito mais gente, conhecida e desconhecida merece ver os seus textos editados, pois são de uma qualidade que arruma sem esforço certa concorrência.
E é a esses, que leio com prazer ou não leio, conforme a vontade e a cor do tempo, que espero ter o grato prazer de ler em edição impressa. E sei que vão lá chegar.
E vou trabalhar ou apanho falta.
 
quarta-feira, agosto 10, 2005
  A indústria dos incêndios *

Recebi por mail este texto e transcrevo-o pelas questões e dúvidas que levanta, algumas das quais muitos de nós se colocaram, certos de que aqui algo não bate certo.
Um país em chamas, este ano mais que nunca, que tem supostamente a cada ano mais meios de combate aos incêndios?
Devemos estas chamas aos incendiários sem eira nem beira, que a troco de 5 tostões deitam fogo onde ele mais arde? À negligência? Ao aquecimento global? Ao azar?

Segue o texto.


Publicação: 04-08-2005 21:05

*A indústria dos incêndios


A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

José Gomes Ferreira
Sub-director de Informação



"Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas.

Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:

1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica?

Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências?

Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair?

Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis?

Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?

2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...

3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.

5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.

Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime...

Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal?

Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.

Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime.

Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:

1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.

2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).

3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores

4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.

5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.

6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios.

Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo."

José Gomes Ferreira
 
  Leve

Olhar para a ondinha mais pequena do meu mar, vê-la sorrir, pura e clara, diz-me que Deus existe no infinito daqueles olhos e neste amor que redescubro cada dia inteiro e leve.
 
sexta-feira, agosto 05, 2005
 



Há uma coisa óptima para refrescar o corpo, a roupa, o chão e que a seguir nos faz suar com a esfregona às costas: é trazer um iogurte sólido que decide passar para o estado líquído. Momento lindo. Pego na colher com o ar blasée que fica sempre bem e mal ela se atira ao iogurte, foi emoção de tal forma desvairada que se espalhou o dito, indecente, num raio de meio metro.
Conclusão - levar iogurtes líquidos na mala, à cautela. Esqueçam os outros. Sólidos só os gelados.
 
  Sem título

O ar cheirava a queimado ontem à noite. Fechei a janela com uma difusa sensação de perigo entranhada no corpo.

Abro a janela e cheiro o dia - E vejo o ar envolvido por uma transparente película de opacidade. O céu está branco e solidário com os fumos de outros céus, do mesmo céu.

Um dia de férias longe do quotidiano, ou um dia de trabalho rodeada por quatro paredes com ar condicionado ao nosso desejo e perde-se a noção da realidade.




(E é melhor parar por aqui, que esta última frase trouxe uma pista para abordar outro tema. Estes posts acabam por ser rascunhos, esquissos, textos incompletos mas finitos no essencial, fios condutores que de alguma forma organizam a mente e a esvaziam - era isso ou estar a falar sozinha às 6 da manhã.)
 
quinta-feira, agosto 04, 2005
  Alguém se lembra dos irmãos Metralha?




...os que andavam sempre atrás da fortuna do Tio Patinhas :)
 
  Descobrir

Desde que me conheço e o conheço sempre gostei de Eugénio de Andrade. Do primeiro verso, poema, livro, páginas folheadas ao acaso, foi uma coisa de 'pele', sentido inexprimível por palavra que não seja esta: pele.
(Sim, falámos disso, da empatia, do olhar ao primeiro minuto e sentir afinidade ou não).

Descobri a poesia das palavras.

Sophia acompanhou-me nessa viagem pelo interior do que não é imediatamente visível. Com eles, a partir deles, cheguei a outros tantos e tão vastos lugares onde as palavras voam e mais do que traduzir sentimentos, traduzem pressentimentos e afectos.

Tantos poetas admirei, admiro, tantas descobertas fiz e faço para mim mesma que quase me esqueço da essencialidade breve destes dois poetas. Eugénio e Sophia.

Lê-los ou relê-los é chegar a casa. Descansar um pouco antes de nova viagem.



Escrevo para subir
às fontes.
E voltar a nascer.

E. Andrade
 
quarta-feira, agosto 03, 2005
  Wise up*



The Fraser Valley - Views of Hope Slide and highway landscapes
District of Hope, British Columbia - Canada




It’s not what you thought

When you first began it

You got what you want

Now you can hardly stand it though

By now you know it’s not

Going to stop

It’s not going to stop

It’s not going to stop

’til you wise up



You’re sure there’s a cure
And you have finally found it
You think one drink
Will shrink you ’til
You’re underground and living down
But it’s not going to stop
It’s not going to stop
It’s not going to stop
’til you wise up


Prepare a list of what you need

Before you sign away the deed

’couse it’s not going to stop

It’s not going to stop

It’s not going to stop

’til you wise up




No it’s not going to stop

’til you wise up

Now it’s not going to stop

So just give up




*Aimee Mann
 
  Café com sonhos

Acordei sem sono, apetece-me vestir e beber um café na estação da Galp, comprar o 24 horas e a seguir o Público para disfarçar e a seguir a Caras, mais tarde as palavras cruzadas e o Expresso (que dia é hoje?), depois a Lux e ficar ali até ser acordada pela menina do café, desculpe mas não são horas de ir trabalhar?
Não sei se estou acordadada ou a sonhar pelo que este post se calhar não existe.
Ah, descobri que estava a sonhar, acordei agora.
Era um café, se faz favor.
 
terça-feira, agosto 02, 2005
  Falando de amor*

A sabedoria humana resume-se em duas palavras - espera e esperança.
Alexandre Dumas


Finalmente ouvi a semana passada no telejornal uma reportagem digna sobre a descoberta que médicos portugueses do Hospital Egas Moniz fizeram a propósito das células estaminais. O meu vocabulário científico é limitado, pelo que vou falar dela da mesma forma como a percepcionei e sobretudo falo da esperança que vem dar a milhares de lesionados da espinal medula, que vivem nesse impreciso limbo entre a espera e a esperança.

Li há anos na Visão um pequeno artigo, quase em nota de rodapé, sobre esta descoberta. Um ano depois, na mesma revista, o artigo sobre o tema tinha a honra de ser desenvolvido em duas páginas.

Desde a primeira nota de rodapé vi ali um furo jornalístico, algo absolutamente fascinante de explorar, de fazer chegar às pessoas, a todos e sobretudo a quem vive de perto ou na própria pele, o acontecimento de ter a mobilidade reduzida ou inexistente devido aos milhares de acidentes de viação que todos os anos ceifam sonhos.

Trata-se de um processo inovador e descoberto por médicos portugueses (compreendo porque muitos dos nossos melhores cérebros vão para o estrangeiro), no qual a recolha de células estaminais do nariz, quando implantada na zona da espinal medula que é seccionada, pode fazer unir a mesma, já que as ditas células promovem uma espécie de auto-regeneração e porque as células do nariz detêm certas propriedades específicas para o efeito. Sei que não se aplica a todos os casos, sei que Christopher Reeve estava a par desta descoberta notável e pretendia através da sua Fundação ajudar e incentivar a continuação das pesquisas.

Vários jovens de todo o mundo têm-se deslocado a Portugal, ao abrigo de um acordo existente entre o Hospital Egas Moniz e um hospital americano, acordo esse recentemente formalizado.

A maior parte dos doentes cujo perfil se enquadrava nos requisitos para a cirurgia e que a ela foi sujeita, recuperou parte da mobilidade o que, acompanhado de fisioterapia e terapia ocupacional, tem feito milagres. Milagre é a palavra certa quando alguém consegue mover um pé paralisado e quando cheio de alento e farta felicidade, consegue dar um passo em frente.



*Tom Jobim
 
segunda-feira, agosto 01, 2005
  Ney Matogrosso

Acordar ouvindo Ney Matogrosso, cuja voz e performance adorava e que há largos anos não ouvia é ma-ra-vi-lho-so. Espero que os meus vizinhos não se importem de ouvir baixinho esta voz andrógina, musical e terna. E voraz!


 
  .

Sei que estás em festa, pá,
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim.


Chico Buarque,
Tanto mar
 
Sur la marée haute je suis montée la tête est pleine mais le coeur n'a pas assez. Lhasa de Sela


mareehaute.is.vague@gmail.com

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