ccccff
La marée haute
sábado, junho 30, 2007
 

 
 

- O que é que estás a fazer junto ao portão?
- Estou à espera de sábado. O meu pai vem buscar-me no sábado.


Os coristas, de Christophe Barratier

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sexta-feira, junho 29, 2007
  ...e a intimidade da morte

Há uns meses esteve em Lisboa uma exposição fotográfica cujo âmbito era a fotografia de pessoas acabadas de morrer. Aparte o facto de todas as pessoas terem dado autorização para tal manifestação artística, de um ponto de vista estritamente pessoal e subjectivo não me agrada esta extrapolação, mais uma vez e na sequência do post anterior, do conceito de arte. Penso que esta exposição querida e/ou consentida pelos participantes, toca nos limites do ético e do respeito pelo significado da morte. Mas this is me e objectivamente dir-me-ão, como me disseram, que esta forma de exposição de um corpo sem vida que em vida consentiu ser fotografado para divulgação pública mal acabasse de morrer, é tão legítima como outra qualquer que dependa da vontade do sujeito e além disso a exposição só a vê quem quer. Mesmo assim. A morte insere-se na esfera de uma intimidade demasiada e atravessa os limites mais fundos do ser humano. Sei lá. Se pensasse em ir punha o coração ao alto e preparava-me para a visita daquela angústia existencial que de vez em quando mata saudades de mim.
 
  A natureza da arte

A propósito de arte e manifestações artísticas, surge-nos à transparência a pergunta nua: o que é a arte?

Há uns anos vi em Londres na Tate Gallery um cavalo embalsamado e pendurado no tecto. Considerando-me uma pessoa razoavelmente aberta e receptiva ao mundo mercê desta infatigável curiosidade (ai o ego! pira-te e deixa-me trabalhar) não me sinto minimamente inclinada a apreciar toda a modernice pós-ex-pós-moderna. Penso que há coisas que são forçadas. Podemos discutir interminavelmente o conceito de arte e eu até aprecio este questionar que não leva a lado nenhum (e que ajuda a rasgar vendas que tenham sido coladas aos olhos), mas acho que temos que reduzir o conceito de arte a algo mais concreto e belo e intenso. A natureza da arte é ser livre e abanar-nos um pouco. Mas um cavalo morto pendurado no tecto é artístico, pergunta-se.
Não, obrigada.
 
 




Pisco o olho aos apreciadores (e também aos outros) do meu estrondoso e ocidental ego! :)
 
 














Hoje a dona desta mãozinha estendeu os lábios para a minha bochecha, fez um estalido com a língua e soprou levemente: deu-me o seu primeiro beijo.

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quinta-feira, junho 28, 2007
 



American actress Ava Gardner August 1956

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  ...cavaleiro andante

Era um educado transgressor. O cabelo longo, os olhos debruados a carvão e as botas que lhe subiam pernas acima e lhe escondiam as calças até aos joelhos. O casaco comprido de cabedal - preto, obviamente - que lhe acariciava o corpo esguio. O olhar doce e trangressor. Sorri (lhe). Era a imagem perfeita de um...
 
  Toutes les garçons et les filles de mon âge

Não que seja refém do fascínio da juventude, mas se pensar que ele só tem 23 anos corre o risco de ficar devota do mito da idade. Fica? Não fica, não é pela idade dele que ela corre o risco de se apaixonar. Mas o que agora compreende claramente é que uma balzaquiana considere a hipótese ou a evidência de se apaixonar por garçons pas de son age mas under 30. Poderá até haver alturas em que a barreira que a sociedade lhe faz crer que existe se revele em todo o seu cínico esplendor. Agora, hoje, nada a demove da ideia do amor como uma coisa que tem um fim em si mesma, alheia e indiferente a todas as circunstâncias que não sejam as um mulher e de um homem, inteiros e infantis apenas no deslumbramento de estarem vivos e juntos. Ligou o rádio do carro e cantarolou a canção antiga que passava.
 
 

ARTE POÉTICA

Mirar el río hecho de tiempo y agua
y recordar que el tiempo es otro río,
saber que nos perdemos como el río
y que los rostros pasan como el agua.

Sentir que la vigilia es otro sueño
que sueña no soñar y que la muerte
que teme nuestra carne es esa muerte
de cada noche , que se llama sueño.

Ver en el día o en el año un símbolo
de los días del hombre y de sus años,
convertir el ultraje de los años
en una música, un rumor, y un símbolo,

ver en la muerte el sueño, en el ocaso
un triste oro, tal es la poesía
que es inmortal y pobre. La poesía
vuelve como la aurora y el ocaso.

A veces en las tardes una cara
nos mira desde el fondo de un espejo;
el arte debe ser como ese espejo
que nos revela nuestra propia cara.

También es como el río interminable
que pasa y queda y es cristal de un mismo
Heráclito inconstante, que es el mismo
y es otro, como el río interminable.




Jorge Luis Borges

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  Uncle Joe

oferece entrada gratuita até domingo. Tudo a caminho :)

Museu Berardo
Colecção Berardo
 
quarta-feira, junho 27, 2007
  e o tempo deixa de existir



Catherine Deneuve Actress at the age of 20 making her International film debut in publicising the Roman Polanski film Repulsion in 1964

Mirrorpix
 
  JL Borges - 4 de 4

(...)
" Outra recordação, em que também havia uma noite e uma iminência de aventura, brotou daquela. Uma mulher, a primeira que lhe enviaram os deuses, tinha-o esperado na sombra de um hipogeu, e ele procurou-a por galerias que eram como redes de pedra e por declives que se afunda­vam na sombra. Porque lhe chegavam essas memórias e porque lhe che­gariam elas sem amargura, como uma mera prefiguração do presente?
Com grave assombro compreendeu. Nessa noite dos seus olhos mor­tais, onde agora descia, aguardavam-no também o amor e o risco. Ares e Afrodite, porque já adivinhava (já o cercava) um rumor de glória e de hexâmetros, um rumor de homens que defendem um templo que os deu­ses não salvarão e de baixéis negros que procuram no mar uma ilha que­rida, o rumor das Odisseias e Ilíadas que era seu destino cantar e deixar ressoando concavamente na memória humana. Sabemos estas coisas, mas não as que sentiu ao descer à última sombra. "


Jorge Luis Borges, O fazedor

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  JL Borges - 3

(...)
" A recordação era assim. Outra criança havia-o insultado e ele fora ter com o seu pai e tinha-lhe contado a história. Este deixou-o falar como se o não ouvisse ou compreendesse e despendurou da parede um punhal de bronze, belo e carregado de poder, que a criança tinha furtivamente cobiçado. Agora segurava-o nas mãos e a surpresa da posse anulou a injú­ria sofrida, mas a voz do pai dizia: «Que alguém saiba que és um ho­mem», e havia uma ordem na voz. A noite cegava os caminhos; abraçado ao punhal, em que pressentia uma força mágica, desceu a brusca ladeira que rodeava a casa e correu até à beira-mar, julgando-se Ájax ou Perseu e povoando de feridas e batalhas a obscuridade salobra. O que procurava era o preciso sabor daquele momento; não lhe importava o resto: as afrontas do desafio, o torpe combate, o regresso com a lâmina ensan­guentada. "
(...)


Jorge Luis Borges

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  JL Borges - 2

(...)
" Gradualmente, o formoso universo foi-o abandonando; uma teimosa neblina confundiu-lhe as linhas da mão, a noite despovoou-se de estre­las, a terra era insegura sob os seus pés. Tudo se afastava e confundia. Quando soube que estava a ficar cego, gritou; o pudor estóico ainda não fora inventado e Heitor podia fugir sem deslustre. «Já não verei — per­cebeu — nem o céu cheio de pavor mitológico, nem esta cara que os anos transformarão.» Dias e noites passaram sobre esse desespero na sua carne, mas uma manhã acordou, olhou (já sem espanto) as indistintas coisas que o rodeavam e inexplicavelmente sentiu, como quem reconhece uma música ou uma voz, que tudo isso já lhe tinha acontecido e que o encarara com temor, mas também com júbilo, esperança e curiosidade. Então desceu à sua memória, que lhe pareceu interminável, e conseguiu tirar daquela vertigem a recordação perdida que reluziu como uma moe­da sob a chuva, talvez porque nunca a tivesse olhado, salvo, quem sabe, num sonho."
(...)

Jorge Luis Borges

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  JL Borges - a excelência do escrever - 1 de 4

" Nunca se tinha demorado nos prazeres da memória. As impressões resvalavam sobre ele, momentâneas e vívidas; o vermelhão de um oleiro, a abóbada carregada de estrelas que também eram deuses, a lua, de onde tinha caído um leão, a lisura do mármore sob as lentas gemas sensíveis, o sabor da carne de javali, que gostava de rasgar com dentadas brancas e bruscas, uma palavra fenícia, a sombra negra que uma lança projecta na areia amarela, a proximidade do mar ou das mulheres, o pesado vinho cuja aspereza o mel mitigava podiam abarcar por inteiro o âmbito da sua alma. Conhecia o terror, mas também a cólera e a coragem, tendo sido uma vez o primeiro a escalar um muro inimigo. Ávido, curioso, casual, sem outra lei que a do gozo e da indiferença imediata, andou pela terra vária e olhou, numa e noutra margem do mar, as cidades dos homens e os seus palácios. Nos mercados populosos ou no sopé de uma montanha de cume incerto, onde bem podia haver sátiros, tinha escutado complica­das histórias que recebeu como recebia a realidade, sem indagar se eram verdadeiras ou falsas. "
(...)


Jorge Luis Borges

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  O trevinho dos sonhos



A Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, precisa de fundos para construir a "Casa dos Marcos".

Posso sugerir? Compre o Trevinho e ajude a construir uma casa para os meninos e jovens com doenças mentais e raras. Nunca é demais dizer o que sempre digo e penso: podia ser qualquer um de nós a precisar de ajuda, podia ser você, é a minha forma de lidar com isto.

Por cada TREVINHO que compra estará a contribuir com 4€ para construção de uma residência para jovens com deficiências mentais e Raras. Pode encomendá-lo directamente neste formulário, ou fazê-lo pelo telefone
96 965 74 44.

Aqui


Merci :)
 
 

"...Debo fingir que hay otros. Es mentira. Sólo tú eres. Tú, mi desventura y mi ventura, inagotable y pura..."

Borges

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  reclamação

tinha uma hora à frente dele, tempo previsível de espera até o dentista o atender. desceu à rua, viu no quiosque um livro pequeno com um nome grande ("como lidar com pessoas difíceis") e, não perco nada, pensou. na sala de espera leu-o em meia hora e saiu para reclamar: segundo o livro, era ele a pessoa difícil.
 
 

se o vento é a ignição
das árvores venha o
temporal, elas ateadas sobre
as nossas cabeças, desmembradas
da terra como voadores desajeitados, meu pai
já conheço o vão da tua fome, peço-te,
faz de mim uma colher
divina

valter hugo mãe

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terça-feira, junho 26, 2007
 



Jean Marc Durou
 
 

Reservo-me o domingo para a busca
receosa e teimosa da alegria.
Meu coração devia ser alegre
como um pássaro novo,
meu coração devia ser alegre
como o vinho ou o fogo
No entanto, onde está a alegria?
onde estão as sementes da alegria?
onde vive a alegria? No entanto,
pergunto às coisas e às gentes
de domingo onde está a alegria.
Mesmo que a não encontre
destino-lhe o domingo,
este e outros domingos,
este sol e outros ventos,
este mar e outras ruas,
estas mãos e estes olhos.
Assim acho razão para não estar triste.



António Rebordão Navarro
O Dia Dentro da Noite
Poemas (1952 - 1982)

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segunda-feira, junho 25, 2007
  Bon jour, tristesse

Li num blog cujo nome não recordo e por isso me penitencio, a observação de que é necessário fazermos a distinção entre tristeza e depressão. Ao soar da tristeza dizemo-nos deprimidos, quando talvez estamos só a senti-la, essa tristeza que faz falta à alegria para esta florir. A depressão é uma doença e é grave, acrescentava-se; a tristeza é um estado de espírito, uma melancolia que não temos de soterrar com comprimidos e ânsias de felicidade constante, acrescento eu.
A boa e velha tristeza (pronunciam-se estas palavras com um leve aperto na garganta e um sábio e condescendente aceno de cabeça), ah se eu pudesse afogava-te para sempre num banho de serotonina.
 
 



Tea Ceremony
Jean-Marc Durou
 
  a lua de Sintra

 
  na claridade

 
 

Não, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar.


Ana Luísa Amaral

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Yasmine and David, 1967
Rene Burri
 
domingo, junho 24, 2007
 



Cat and Flower
Hubert & Klein
 
 

O que é que vos faz sorrir?
 
 



Marlene Dietrich Actress, Portrait Smiling Seated Sitting on Couch Sofa
Mirrorpix
 
sábado, junho 23, 2007
 



Mandy Reinmuth
 
  Não se incomode

Na loja, pergunta-lhe a vendedora

Queres ter um mano?

Deixa estar. Papá compra.
 
  Bom dia!

 
sexta-feira, junho 22, 2007
 

Imagino que não haverá quem deseje ter o último primeiro beijo...Ah, inquietação, inquietação, c'est l'air du temps e eu a querer discutir estas questões sob o ponto de vista teórico e académico. Será que hoje ninguém deseja a eternidade?
 
  um dia



Manhattan's Exit
Thomas Reis
 
 

Elephant gun, dos Beirut

mágica.
 
quinta-feira, junho 21, 2007
  O primeiro

Sendo o ritmo e o estilo de vida vertiginoso e as solicitações muitas, haverá quem deseje ou acredite no último primeiro beijo? Ou só a novidade constante apazigua a inquietação? E a inquietação é coutada dos indecisos e/ou inseguros?
Ai que dúvidas tão difíceis de desfazer.
 
  ...irei



Yellow Cab
Thomas Reis
 
 

Retirei-me do mundo não porque tivesse inimigos, mas porque tinha amigos. Não que eles não me fossem prestáveis, como é habitual, mas julgavam-me melhor do que sou. É uma mentira que eu não posso suportar.

Norman Vicent Peale

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  mais cedo ou mais tarde



5th
Thomas Reis
 
  Cedo ou tarde

Devias saber
que é sempre tarde
que se nasce, que é
sempre cedo
que se morre. E devias
saber também
que a nenhuma árvore
é lícito escolher
o ramo onde as aves
fazem ninho e as flores
procriam.



Albano Martins
 
quarta-feira, junho 20, 2007
  Fio da navalha

Encontrei muita liberdade e segurança na minha loucura. A liberdade da solidão e a segurança de nunca ser compreendido (aqueles que nos compreendem fazem de nós escravos).

Kahil Gibran

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  Prémio Stuart Carvalhais - a minha CL* de hoje :)



Jazz, Stuart Carvalhais

Parabéns ao José Bandeira, que ganhou o Prémio Stuart de Tira cómica 2007 e aos restantes premiados: António Antunes foi o premiado na categoria de Cartoon/Caricatura e o Stuart de Desenho de Imprensa foi ganho por João Fazenda.

Entre os 3 finalistas das 3 categorias do Prémio Stuart será escolhido o vencedor do Grande Prémio Stuart.

Este prémio foi instituído em homenagem a Stuart Carvalhais (1887- 1961), o "pai" da banda desenhada em Portugal.


* CL: Cultura Geral
 
  Talvez o próximo



Os anjos exterminadores

de Jean-Claude Brisseau
 
terça-feira, junho 19, 2007
  Desejo

Quando o objecto original de um desejo instintivo se perde em consequência da repressão, é frequentemente substituido por uma interminável série de objectos-substitutos, nenhum deles fornecendo total satisfação. Isto poderá explicar a falta de estabilidade no objecto-escolha, da "ânsia pelo estímulo", que é tão frequentemente uma característica do amor dos adultos.


Sigmund Freud
 
  Vício

Um homem deve ter pelo menos dois vícios. Um só é demasiado.

Bertold Brecht
 
 




Foi uma sensação estranha ver aqueles fetos que não nasceram, vê-los de idades várias, desde 12 semanas à quase formação completa mas que o imponderável deteve à entrada da vida.

Perturbante e enriquecedor. E tão gratificante expandirmos os horizontes...
 
 

(...)
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que falhei
o sabor do sempre
(...)


Mia Couto

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Marco Tamburro
 
segunda-feira, junho 18, 2007
  Iris

Iris Murdoch - estou a descobri-la, aliciada pela forma apaixonada como Ana Teresa Pereira se lhe refere, dedicando-lhe quase todos os seus livros.
 
 



Marco Tamburro
 
  Existencialmente vague

Parecendo que não, estou com vontade de emigrar para um lugar cheio de passarinhos a cantar acabados de nascer o rabinho a dar a dar, piu piu piu piu, porque este stress, esta vida mata. E antes que a vida me leve, quero levá-la eu ao peito, agarradinha a mim e eu a tudo o que me leva ao colo, porque tudo é um momento, o que hoje é certo não sabemos como é amanhã e a crueldade de que por vezes a vida se reveste pode não nos quebrar mas esvaziar-nos fazendo-nos correr o risco de um dia sermos só carapaça.
O que vale é que há uma coisa chamada resilência e essa coisa chamada vontade de ser feliz.
Saia fresquinho um post de poesia!

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  And the winner is...

Do Portugal Profundo

"O" blog com tomates.
 
  Toma tes



Tendo sido uma das nomeadas do ano na categoria "blog com tomates", quero agradecer ao Luis, que votou em mim, à Academia que soube reconhecer o meu talento, aos meus colegas (sem vocês não teria chegado aqui), à produção, à caracterização e ao meu primo Zé Manel, que foi quem colocou a minha família na rota para a fama ao ser o primeiro de nós que pôs as mãos no Walk of fame (pôs as mãos noutras coisas também, mas isso foi antes de ele se ter reabilitado, pelo que nem vou mencionar o assunto).

Agora a sério, Luis: Obrigada pelo remembering :)
 
  Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.

Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.

A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?



Paulo Leminski

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sábado, junho 16, 2007
  Bodies até Setembro



Curiosa e didáctica, alarga-nos os horizontes e quase obriga a que nos imaginemos literalmente debaixo da pele, músculos e nervos a olho nu.
 
  Os cúmplices perigosos

- Não tenho medo de matar.
- Eu não tenho medo de morrer.
 
 

Bom dia

........................sábado!
 
sexta-feira, junho 15, 2007
 

senhorita chuva
me concede a honra
desta contradança
e vamos sair
por esses campos
ao som desta chuva
(...)


Paulo Leminski

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quinta-feira, junho 14, 2007
 



Sara Bizarro
 
  E também o Dia Mundial do Dador do Sangue

No dia 12 de Junho assinalou-se o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil.


Não será num dia que nos sentiremos sensibilizados e rendidos a estas causas, mas há que começar por um destaque, embora o começo esteja sempre antes do começo. Na nossa contemporaneidade mediática, dispersa e dispersora, precisamos que as coisas importantes não se percam na nossa (in)definição de prioridades. Às vezes penso que gostaria de viver num sítio onde a vida se vivesse com mais serenidade, onde houvesse o essencial que não existe mais: um cafézinho, uma leitaria, a mercearia, uma biblioteca cheia de livros, um lago para dar uns mergulhos, árvores, solidão, companhia e aconchego. Onde o trânsito não existisse, onde a publicidade não precisasse de existir e onde os pássaros me acordassem de manhã ou os galos de madrugada. Onde o pão fosse vendido à porta e o leite deixado de manhã cedo. Onde os jornais (um por dia, bastava) tivessem notícias não sensacionalistas. Uma cápsula do tempo onde eu me perderia por já não saber viver assim.
 
  Dia Mundial da Luta Contra a Dor

Em 1978 foi criada, no IPO de Lisboa, a Clínica da Dor e em 2006 cerca de 60% dos hospitais portugueses tiveram consultas da Dor.

Fala-se aqui da dor crónica e inútil , ou seja, uma dor que esgotou a sua utilidade quando permitiu o diagnóstico, retirando, a partir daí, a qualidade de vida ao paciente.

A terapêutica medicamentosa, que inclui os opióides, é, em termos de dosagem, bastante mais limitada no nosso país, que nos restantes países europeus, talvez devido ao receio que a prescrição mais livre de drogas vá parar a mãos erradas. Mas será que esse risco não ficaria substancialmente reduzido através de um controlo rigoroso e acompanhado das situações clínicas dos pacientes a quem as drogas são receitadas?

Como diz o artigo em que me baseei, em expressão acertada, a dor pode ser desumanizante e é importante que reivindiquemos, neste contexto, a humanização dos cuidados de saúde. Se não for por mais nada, que seja pelo motivo egoísta de podermos vir a precisar!


Fonte: www.seleccoes.pt - Junho 2007
 
quarta-feira, junho 13, 2007
  Há pessoas a quem o amor conhece de olhos fechados

Esta é da estirpe das mais belas e corajosas histórias de amor.

(Via corta-fitas)


Conheço-me as fronteiras.
Quero o resto.


Helder Macedo

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  Antes de ele dizer já eu tinha o ninho (de passarinhos e flamingos) atrás da orelha

Será que, como o M. Sousa Tavares diz, este volte face repentino não será uma forma de legitimar a escolha da Ota? Imagine-se que é apresentado um estudo do LNEC q diz q não senhor, que os passarinhos e os flamingos e não sei quê e volta Ota que não te merecemos. O Governo terá dado provas de abertura e a Ota sai legitimada com nunca sairia se o processo avançasse cortando a direito. hum...
 
  Beirute



Apenas excelente.
 
terça-feira, junho 12, 2007
 




Bandeira
 
  Um mês depois,

folheada a última página de Cotovia, de Deszó Kosztolányi, sobra-me nas mãos algum desencanto. Reconheço a mestria do autor ao criar um enredo numa história que se conta em duas linhas. Uma situação tão pouco complicada como a de uma filha adulta que vive com os pais idosos e se ausenta para uma semana de férias parece desdizer qualquer trama. Penso que o mais importante no livro é a densidade psicológica dos personagens, densidade e ternura, que não precisa de enredos para existir e se expressar. O que lemos e sentimos são os momentos que o casal vive na ausência da filha, que lhes abre novos campos de possibilidades e descobertas interiores e lhes molda a visão do seu pequeno mundo, agora um pouco maior.
 
  (Os amigos)

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor



José Tolentino de Mendonça

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  Dos reinos de além-mar

Em que reinos desconhecidos viverá a imaginação, essa senhora enigmática e de sorriso gracioso que submete os afortunados que a veneram?

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segunda-feira, junho 11, 2007
 

resumo do folhetim: eu se calhar não sou o tweety



atropelamentos, câmaras municipais, polícias, tudo feito para me tramar e afinal a lesada tinha sido eu e o meu carrinho. eles pensavam que se safavam por serem do poder mas eu tinha tirado a matrícula e aquele pormenor do leão adolescente perto do hospital não foi despiciendo. e além disso ainda há pessoal íntegro nos corredores do poder e outros que pareciam tão leais quando tinham oks de todo o lado, mas sozinhos, sem mais apoios que o da sua consciência, o fundamental suporte pensava eu, sozinhos valem menos que nada pois o nada é honesto e sabe o seu lugar. e eu ali toda partida por dentro mais que por fora a fingir que não era nada comigo enquanto traçava com ânimo acrescido e com o meu improvisado staff a estratégia que derrotaria não só aquela direcção mas toda a deslealdade e gente sem princípios que só me provocavam um segundo olhar do mais profundo desprezo. não estava certa a vitória apesar das provas incontestáveis a meu favor, pois eu sabia que eles tudo iriam fazer para as destruir ou desacreditar. era fundamental passar o mais despercebida possível. com um turbilhão de pensamentos a atingir-me ao mesmo tempo baixei a cabeça quando as velhas passaram na rua para que não me vissem deitada na maca do hospital a esconder-me dos olhares vingativos e conspícuos dos guardas.

publicado por vague às 2.5.07 5 comments
Terça-feira, Maio 01, 2007


eu sabia que qualquer passo que desse em falso podia comprometer o resultado final de toda a estratégia, pelo que depois de sair do hospital restringi ao máximo as saídas à rua. sentia-me duplamente debilitada pelo acidente e pela traição posterior pelo que acertámos que o melhor seria resguardar-me até que estivesse reunida toda a documentação incriminatória evitando-se assim a possibilidade de confrontos desnecessários e perturbadores da minha paz mental e integridade física.

publicado por vague às 2.5.07


donald pegou-me na mão transmitindo-me uma certeza: a de não estar sozinha naquela inesperada aventura. desde o acidente e o posterior desenrolar dos acontecimentos a sua crescente proximidade e rectidão de carácter tinham-no transformado aos meus olhos no mais seguro porto de abrigo.
sorri-lhe reconhecida. quando chegámos à reunião ainda vinhamos de mão dada, a mão dele agarrando a minha, abandonada, na sua pele.

publicado por vague às 2.5.07 2 comments


descemos ao local da reunião, uma sala escura e aquecida onde o fumo desenhava no ar círculos enigmáticos e a rádio tocava uma música impossivelmente bela.
donald largou-me a mão e olhou-me apreensivo. quando cruzei os olhos com os dele regressei à realidade e senti o coração a bater com um compasso dorido e rápido, como se um mecanismo invisível me desse pancadas surdas no peito. de tanto bater o meu coração parou. no meio do improvável, lembrei-me do título do filme.
"boa noite, meus senhores", cumprimentei, sentindo a voz trémula mas decidida.

publicado por vague às 3.5.07



"o que nos traz aqui tem a ver, mais que com o acidente, com a forma como esta câmara está a desvirtuar as suas responsabilidades políticas e cívicas, num grau tal que me leva a pensar se não será isto um princípio - ou já, quem sabe? sintoma - de uma imensa bola de neve que nos arrastará a todos para uma nova ditadura."
a pouco e pouco senti-me desfalecer. não tinha comido nada desde o almoço e a fraqueza e o ar excessivamente aquecido da sala causaram-me um efeito estranho: sentia-me quase a desmaiar e, ao mesmo tempo, o coração batia fortemente, como se estivesse dentro da minha cabeça.
deixei de atribuir significado aos rostos que me cercavam e comecei a ver imagens como num sonho: via um coração gigante a correr e a arfar por ter corrido; depois a deixar-se cair e a imobilizar-se no chão. de seguida vi o homem-aranha a saltar dos céus e a fazer-lhe respiração boca-a-boca. donald disse-me mais tarde que desmaiei e que quando acordei a primeira coisa que lhe disse foi que queria ir ver o novo filme do Homem-aranha. não entendo os mecanismos da mente mas atribuo aqueles momentos de inconsciência ao cansaço dos últimos dias e aos meus nervos abalados. sei que devo ter adormecido, pois quando acordei estava deitava na cama de donald.

publicado por vague às 3.5.07 3 comments




descobri a música que tocava baixinho como sendo a que tinha ouvido na véspera. mais uma coincidência e aquela música impossivelmente bela seria minha - nossa? - para sempre.
e depois pensei. mas que sonhos andava eu a sonhar sem chão para me suster? porque pensava de repente em donald como se ele fizesse parte da minha vida? e porque estava deitada numa cama onde nunca tinha estado e não me sentia estranha?
decidida a pôr de lado pensamentos inoportunos levantei-me e dirigi-me à sala. precisava de saber que balanço tinha sido feito do dia de ontem. depois disso pensaria em donald.

publicado por vague às 8.5.07 4 comments


quando entrei na sala donald estava sentado a uma secretária e tão absorto em documentos que senti necessidade de me fazer anunciar por uma diplomática tosse. vi-lhe o perfil a contornar a luz e a buscar-me os olhos.
entra. dormiste bem? estás com um ar tão sereno.

publicado por vague às 21.5.07

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Marlene Dietrich
 
  Ser diferente

Aceitemos que ser diferente é normal.

Se a sexualidade ainda é tabu em determinados contextos (incluindo os menos pudicos) fale-se em sexualidade na deficiência e imagine-se a obscuridade que falta desbravar. Se falarmos em fantasias eróticas, então...

Bem haja, Ana por nos ajudar a tornar mais conscientes da normalidade da diferença, que pode estar em qualquer um de nós, deste ou desse lado.
 
  A não esquecer...

Dia 14 de Junho assinala-se o Dia Nacional da Luta Contra a Dor.

Associação portuguesa para o estudo da dor.
 
domingo, junho 10, 2007
  Remember?



Leonard Nimoy e William Shatner
 
 

Apesar das ruínas
e da morte
Onde sempre acabou
cada ilusão,
A força dos meus sonhos
é tão forte,
Que de tudo renasce
a exaltação
E nunca as minhas
mãos ficam vazias.


Sophia

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  num dia dividido onde as nuvens dançam

 
 

O problema não é
meter o mundo no poema; alimentá-lo
de luz, planetas vegetação. Nem
tão- pouco
enriquecê-lo, ornamentá-lo
com palavras delicadas, abertas
ao amor e à morte, ao sol, ao vício,
aos corpos nus dos amantes -


o problema é torná-lo habitável, indispensável
a quem seja mais pobre, a quem esteja
mais só
do que as palavras
acompanhadas
no poema.



Casimiro de Brito

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sábado, junho 09, 2007
 



Juliette Binoche

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As paredes são brancas e suam de terror
A sombra devagar suga o meu sangue
Tudo é como eu fechado e interior
Não sei por onde o vento possa entrar.


Sophia

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  "Le cadavre exquis boira le vin nouveau"

Inspirada pela ideia da S., (uma ideia copiada faz jus à bondade da ideia primeira) um dia destes lanço aqui um desafio de construção de um cadavre exquis, texto a muitas mãos, tantas como as que se me quiserem dar :)

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  receita nocturna - leite quente whisky e mel

como está a senhora dona vague?

sussurrando com a (ausência de) voz mais sensual de que há memória em tempo de resfriados, (tenta) responde

afónica.
 
sexta-feira, junho 08, 2007
 



katharine hepburn
 
  O marketing e a ilusão

Aborrece-me o espírito grupal de seguir caminhos que todos trilham por moda, inquietação pouco existencial ou mera falta de sentido de perspectiva.
Isto a propósito das ofertas de dvd's pelo Correio da Manhã aos fins de semana. Quando o tento comprar está esgotado, excepto a versão só jornal que o dvd já foi. Ainda pensei em reservar mas falha-me a paciência para estar dependente da obrigação de ir à mesma papelaria, de reservar. Estamos a falar de um dvd! E alguns serão se calhar alguns para que não olharia duas vezes se os visse no clube de vídeo. No início comprei, consegui comprar; agora, quando vejo esta correria toda, as reservas, fico saturada da mentalidade ai que o mundo cai se eu não reservar o jornal (há uns tempos era o Expresso) e apesar de ser relativamente fácil encomendar, simplesmente não o faço, não me diz nada, não estou para aí virada. Chamem-me snob, se calhar têm razão, mas quando me soa a carneirinhos obedientes a marchar com badalos nos sininhos, eu afasto-me e deixo passar.
 
 



Romy Schneider e Karlheinz Böhm, Sissi
 
  Negligência médica

Ainda a propósito de negligência médica e da condenação do médico e alegado cirurgião plástico José Mendia no pedido de indemnização cível, sublinho o comentário que vem corroborar, para mim, a necessidade de tornar rigorosos os mecanismos de selecção de profissionais credenciados. Não sei se o Dr. José Mendia é credenciado como cirurgião plástico. Penso que não. Para além da credenciação, condição básica de exercício da profissão, importante será, em qualquer ramo da Medicina e de tudo o que 'mexa' com as pessoas, a existência de uma série de atributos de ordem pessoal e humana que atestem da capacidade e da sensibilidade desses profissionais para lidar com os aspectos psicológicos da doença ou imperfeição, que como bem se sabe, são como o código postal - meio caminho andado para a cura.
Eu não aceito que alguém, por virtude de se achar revestido de poder numa determinada área se sinta superior e isento de prestar contas dos actos e erros. Aliás neste caso do Dr. José Mendia, se me chocou a morte da Rute, igualmente me chocou a atitude pessoal do médico, pela ligeireza e insensibilidade que lhe vi, bem como agora também me choca a forma como ele tratou a pessoa que comentou naquele post. Não se trata a doença ou a imperfeição que se quer corrigir - tratam-se as pessoas.
 
quinta-feira, junho 07, 2007
 

Na minha vida há um silêncio morto
Uma parte de mim que não se pode
Nem desligar nem partir nem regressar
Aonde as coisas eram uma intimamente
Como no seio morno de uma noite.


Sophia

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Catherine Deneuve, Belle de Jour
 
 

Não, a serpente não
seduziu Eva com a maçã.
Tudo isso é simplesmente
corrupção dos factos.

Adão comeu a maçã.
Eva comeu Adão.
A serpente comeu Eva.
É esse o escuro intestino.

A serpente, entretanto,
digere a refeição no paraíso -
sorrindo ao ouvir
Deus rezingão a chamar
.


Ted Hughes

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quarta-feira, junho 06, 2007
 

Não procures verdade no que sabes
Nem destino procures nos teus gestos
Tudo quanto acontece é solitário
Fora de saber fora das leis
Dentro de um ritmo cego inumerável
Onde nunca foi dito nenhum nome.


Sophia

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Lentamente despe-se o tempo de verdades e ambíguo é o desejo.

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Garbo

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A vida é bela, diziam-lhe quando a viam parada e sem expressão visível a olho nu; soubessem eles perfurar-lhe a solidão...

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  FJV

Hoje comprem o livro inédito do Francisco José Viegas e recebem como oferta a revista Sábado.

Dele só conheço alguma poesia e pressinto que devo gostar da prosa escrita. Que a falada é charmosa e amável, vejam-se programas televisivos.
 
 

O livro está aberto e há demasiada luz.
(...)
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.



António Ramos Rosa

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  Dance me to the end of love



Cyd Charisse e Fred Astaire
 
  Redacção*

Uma senhora pediu-me
um poema de amor.

Não de amor por ela,
mas «de amor, de amor».

À parte aquelas
trivialidades «minha rosa, lua do meu céu interior»
que podia eu dizer
para ela, a não destinatária,
que não fosse por ela?

Sem objecto, o poema
é uma redacção
dos 100 Modelos
de Cartas de Amor.



*Alexandre O'Neill
in «No Reino da Dinamarca»
 
terça-feira, junho 05, 2007
  Saudável...



Colin Firth

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  À sua saúde

A Organização Mundial de Saúde, fundada em 1948, define saúde como

"estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de enfermidade ou invalidez".


Por este prisma não creio que alguém tenha saúde. Não pode ser. Tenho que procurar mais. Follow me se paciência tiverem em perceber estas coisas, tanta como eu, que a tenho em défice, salva-me a curiosidade.


...........O texto que se segue foi retirado da Revista de Saúde Pública
...... ...................vol..31, no. 5, São Paulo Oct. 1997



A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde não apenas como a ausência de doença, mas como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social. Essa definição, até avançada para a época em que foi realizada, é, no momento (artigo de 1997) irreal, ultrapassada e unilateral.

Trata-se de definição irreal por que, aludindo ao "perfeito bem-estar", coloca uma utopia. O que é "perfeito bem-estar?" É por acaso possível caracterizar-se a "perfeição"?

Por outro lado, a angústia (com oscilações), tendo essa angústia repercussão somática maior ou menor (por exemplo, um cólon irritativo ou uma gastrite), configura situação habitual, inerente às próprias condições do ser humano. Divergir de posturas da sociedade, e até marginalizar-se ou de ser marginalizado frente a essa mesma sociedade, não obstante o sofrimento que essas situações trazem, é comum e até desejável para o homem sintonizado com o ambiente em que vive.
Recentemente, médicos dos EUA criaram uma entidade nosológica e até lhe deram um C.I.D.: é a "síndrome da felicidade", incompatível com a situação do homem, com suas dificuldades, dúvidas, medos e incertezas. Seria dessa "felicidade" que a OMS tiraria seus parâmetros para caracterizar o "perfeito bem-estar mental"?

Discute-se a validade da distincão entre soma, psique e sociedade, esposando o conceito de homem "integrado", e registrando situações em que a interação entre os três aspectos citados é absolutamente cristalina.

Freud (1938) já supunha que, entre as possibilidades de defesa disponíveis para o sujeito assolado pelo "mal-estar na civilização", estava a fuga para a doença somática (junto à fuga para a neurose ou para a psicose ou, ainda, para o comportamento anti-social).

Suponha-se que decorra da percepção dessa "não clivagem" da pessoa a conhecida expressão "deve-se tratar o doente e não a doença", dando margem, a inobservância dessa proposta, ao sucesso das assim chamadas "formas não tradicionais de medicina" (muitas vezes maior do que o da medicina), por visarem, essas técnicas, muito mais a afetividade do "sujeito", do que a mera expressão somática de sua turbulência emocional.

Percebe-se a extrema dificuldade de aceitação, por muitos profissionais de saúde, do fato de fincar-se o êxito terapêutico no relacionamento afetivo com o cliente (o termo paciente não foi, propositadamente, usado para tornar mais distante a idéia de exclusiva aceitação, paciente, submissa, com relação ao profissional de saúde). O vínculo afetivo, embutido de confiança recíproca, na dupla que empreende uma ação de saúde (profissional-cliente), a par dos aspectos cognitivos, técnicos e científicos, é decisivo para que se possa esperar a melhora do estado do cliente.
Acredita-se ter esclarecido, na óptica do presente artigo, a inadequação de ainda se fazer distinção, mormente num conceito da OMS, entre o físico, o mental e o social.


E, concluindo, dentro desse enfoque, não se poderá dizer que saúde é um estado de razoável harmonia entre o sujeito e a sua própria realidade?

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...hum...
alguém sabe onde encontro a definição de saúde da OMS?...

 
  Saúde

Segundo os dados recentemente divulgados pelos jornais e partindo do princípio da sua fidedignidade, cerca de 500.000 portugueses sofrem de doenças ligadas ao foro mental. 5% da população portuguesa.
Não há sensibilização suficiente por parte da sociedade civil face à doença mental e ainda existe um certo estigma de inferioridade. Noutros países é considerado normal ir a um psicólogo ou fazer psicanálise e isso é sinal de cuidado com a saúde, a saúde global do ser humano.
Veja-se a noção de saúde da OMS.

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segunda-feira, junho 04, 2007
  Coisas que não entendo

Ou seja, apesar de os orgãos disponíveis para transplante não chegarem para as encomendas, perdoe-se-me a ligeireza da expressão num assunto tão mortal como este, apesar dessa escassez, dizia, cerca de 50 orgãos são desperdiçados anualmente em Portugal por falta de resposta logística e falta de timing. E entretanto fazem-se campanhas e as pessoas estão sensibilizadas para a doação de orgãos, de sangue, de medula óssea (a propósito o número de dadores de medula óssea cresce ao ritmo de 1000 por mês).
Quanto à doação de orgãos, estamos neste ponto: os orgãos que existem não chegam para as necessidades, mas dos orgãos que existem nem todos são aproveitados para salvar vidas que estão desesperadamente à sua espera.
Como diria o Fernando Pessa: e esta, heim?
 
 



Paul Newman
 
  Um chá no deserto, diz ela

Convidei-o para um chá no deserto que é uma forma bem mais poética de nomear o local onde vivo desde que o Mário Lino despejou aquela argolada.

Conhecido agora como o conformista fui-me a ele com a estratégia da aranha e teci-lhe os maiores elogios e atenções com a um pequeno buda. Até levei o chá para a varanda a pretexto de ver la luna que sempre é uma pronúncia mais sensual e os beijos fundos e húmidos derramaram-se naquela luz natural.

Apesar de não estarmos no ano de 1900 em que tanto estava por construir e descobrir e apesar de pelas décadas ter sido a nossa beleza roubada continuávamos sonhadores para dispor de energia para repetir algumas cenas de O último tango em Paris e não desperdiçámos a ocasião.


Chez Maria

Todos os títulos de filmes usados são de Bernardo Bertolucci:
2003 - Os Sonhadores
1996 - Beleza roubada
1993 - O pequeno buda
1990 - Um chá no deserto em Portugal
1979 - La Luna
1976 - 1900
1973 - O último tango em Paris
1971 - O Conformista
1970 - A estratégia da aranha
 
  Na casa do pecado o tempo foge

Perguntei "As Horas" a uma loura que tinha namorado "O Pianista" do hotel, antes de o ter abandonado, para trabalhar na casa onde se diz que "O Pecado Mora ao Lado"...
Ela respondeu-me que não usava relógio...

Luis Eme

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  A nostalgia e treze luas

- Somos a 'terceira geração', exclamou 'o soldado americano' em 'Berlim, Alexander Platz', - e eu bebi 'as lágrimas amargas da Petra von Kant'...
- Ahhh... 'a nostalgia de Veronika Voss' durou 'um ano de 13 luas'.
- Mas 'o amor é mais frio que a morte'! Vamos ao 'café, 'Martha'.
- Não! 'Só quero que me ames'.
- Essa é a tua 'querela', adeus.


Pirata-vermelho

Títulos de filmes de Rainer Werner Fassbinder

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domingo, junho 03, 2007
 

Depois desse Verão ficou conhecido como o homem que sabia demais. Pois só quem tivesse cruzado as pontes de Madison County podia sentir tão bem e tão implacavelmente a alma d'os condenados de Shawshank.


O homem que sabia demais
de Alfred Hitchcock, 1956
com James Stweart e Doris Day

As pontes de Madison County
de Clint Eastwood, 1995
com Clint Eastwood e Meryl Streep

Os condenados de Shawshank
de Frank Darabont, 1994
com Tim Robbins e Morgan Freeman

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sábado, junho 02, 2007
  The african queen

E se agora em vez de os livros dentro das palavras o desafio fosse as frases com filmes dentro?

Por ex,

A rainha africana desceu as escadas escuras e estreitas e quando chegou ào bar situado na cave ordenou ao empregado: Dê-me um streetcar named desire (cocktail de vodka, pimenta, coca cola, água das pedras e um fio de nata) com gelo q.b. para afogar as minhas mágoas.


A rainha africana
de John Huston, 1951
com Humphrey Bogart e Katharine Hepburn

Um eléctrico chamado desejo
de Elia Kazan, 1951
com Vivien Leigh e Marlon Brando

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  O dia da Noite

Parabéns querida Noite, que fez anos ontem , sendo que o dia dela é hoje e isto já parece o post do ano passado. Em cada ano farás dois? :)
Saudades :)*

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sexta-feira, junho 01, 2007
 



La Victoire
Rene Magritte

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  rosababy e o Pai Natal

Hoje à tarde.

- Estás a fazer um desenho, é?

- É uma carta para o Patá.

- E o que lhe vais dizer?

- Gosto muito de ti, Patá. Vem depressa.

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Canto-te
e tu definitivamente existes nos meus olhos
Sempre abertos porque é sempre os meus olhos
são os olhos da criança que nós somos sempre
diante da imensidão do teu espaço


Ana Hatherly
Eros Frenético, 1968
 
Sur la marée haute je suis montée la tête est pleine mais le coeur n'a pas assez. Lhasa de Sela


mareehaute.is.vague@gmail.com

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