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La marée haute
segunda-feira, abril 30, 2007
  A memória do amor

Fiquei um pouco surpreendida - vai longe a infância - de ouvir crianças de 8, 10 e 13 anos falar dos seus sentimentos de gostar de alguém, de dizerem como o coração fala mais alto quando estão com certa pessoa, de falarem de falta de apetite e de nós no estômago.

E dizia o psicólogo Eduardo de Sá, nesse programa - Livro de Reclamações, da SIC, - que todas as pessoas que amámos ao longo da vida ficam dentro de nós,

e cada uma que amamos vale a anterior e mais um bocadinho.


Nota da censura: faço uma pequena (é como quem diz...) adenda para limpar a memória esquecida e repôr a verdade - não estou tão longe da infância assim e ainda me deslumbro - e lembro-me do frio no estômago muito antes da idade oficial que o início deste post parece querer impôr: de ter uns 12 anos e me fazer de desinteressada por aquele rapaz pondo-se o mais possível ao alcance da visão dele; ou antes ainda, com 8 ou 9 anos, encontrar no meu vizinho da frente o rapaz perfeito com que eu sonhava descobrir o mundo de mão dada.

Com este esclarecimento fundamental, o Biography Channel já tem aqui dados suficientes para começar as entrevistas. De nada, rapazez!

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  O beijo




João Bénard da Costa, no seu livro Como o cinema era belo, refere o beijo de Maureen O'Hara e John Wayne em The quiet man, como sendo o mais bonito da história do cinema.
 
  nos interstícios da madrugada



confesso a minha falta de jeito para nomear blogs que se distingam, por uma razão ou por outra, na minha blogosfera.
a colher de chá, que mora na rua quieta passou-me o testemunho ao ter a gentileza de me nomear para esse mesmo prémio, o que agradeço, sabe bem, obrigada, teaspoon! mas eu fiquei com o menino ao colo sabendo de antemão que não iria nomear ninguém. isto porque: não é um nem dois nem duas meias dúzias de blogs que me cativam; todos os que tenho ali ao lado, numa ocasião ou noutra, fizeram-me sorrir ou olhar para as coisas de outra perspectiva, seduziram-me com a ternura, o sentimento de entre-ajuda, o humor, a inteligência e não sei de que forma repartiria tais características por entre os blogs. a minha blogosfera é feita de vários blogs e eu não quero escolher nem os que mais me fazem pensar, nem os que mais me fazem sorrir ou rir, ou inventar novas formas de os entender. e é curioso que alguns que me fazem - vá lá, concedo um pouco - pensar, não são os mais óbvios. por tudo e mais alguma coisa e também por serem cinco da manhã não vou escolher nenhum e vou continuar a ter todos debaixo de asa, atenta quando a surpresa de os ler estiver à minha espera para me apanhar na curva dos dias.

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JoSon

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domingo, abril 29, 2007
  E pode fazer a diferença

Existe um registo nacional de dadores de medula óssea - o CEDACE - que significa Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão que por sua vez está associado a um banco mundial de dadores.

Mesmo assim é por vezes muito difícil encontrar um dador compatível. Vejam-se as seguintes fases, claramente explicadas aqui:

"A pesquisa de um dador compatível orienta-se primeiro para os irmãos do doente mas as famílias numerosas são cada vez mais raras e além disso apenas 1 doente em cada 4 encontra um dador idêntico entre os irmãos, isto é, que tenha herdado as mesmas características tecidulares paternas e maternas.

Por isso, em muitos casos, a única esperança de cura é encontrada em dadores voluntários compatíveis com o doente."

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  Afinal não custa nada ser dador de medula óssea

"A palavra transplante induz muitas pessoas em erro quando se trata de medula óssea. Este transplante difere da maioria dos outros transplantes de órgãos, pois o doente recebe as células de medula óssea do dador por via endovenosa, ou seja, por transfusão. Essas células saudáveis migram pelo sangue do paciente para se fixarem na medula óssea e multiplicarem para suprir as necessidades fisiológicas no organismo.

Para quem doa, o processo é igualmente simples. Depois dos muitos exames que são feitos para comprovar a compatibilidade genética e a ausência de doenças infecciosas, a colheita é simples e não demora mais de uma hora. O dador está descontraído e pode até ver televisão. O sangue é tirado e passado para uma máquina onde ficam as células necessárias para regenerar a medula óssea do doente. O restante volta a ser injectado na veia do dador."

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sábado, abril 28, 2007
  como o cinema era belo

tenho aqui, resultado da incursão pela 'minha' cineteca 3 livros dedicados à temática do cinema.
Como o cinema era belo, de João Bénard da Costa
Cinema erótico, Ed. Taschen
l001 filmes para ver antes de morrer , vários autores; não aprecio este título bombástico, mas o conteúdo merece atenção pelo indicação, resumo e crítica de cada um dos filmes seleccionados e os autores, é justo dizê-lo, seleccionaram grandes obras primas da Sétima Arte.

deixo uma fotografia inesquecível do imaginário cinéfilo.



Deborah Kerr e Burt Lancaster
Até à eternidade (1953)

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  a menina cotovia

era feia e desengraçada. a sua existência dava a seus pais uma imensa alegria e a mágoa de a imaginar sozinha quando partissem. embalaram-lhe o necessário para uma semana de férias com os tios que não a viam há anos. deixaram-na na estação e voltaram para casa cabisbaixos e tristes como se não se fossem ver por muito tempo. nunca se tinham separado e estes dias de férias mútuas deixava-os estranhos de se sentiram apenas dois.

vou nos primeiros capítulos de um livro tocante, de imensa ternura.
adivinham-no?

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quinta-feira, abril 26, 2007
  vou

buscar um filme, sugestões?...
tenho visto bons filmes e um pouco pesados também. queria um filme que fosse leve e bem disposto sem ser tão pateta que me deixe com a sensação de estar a perder tempo e de não me acrescentar nada. e é tão difícil encontrar uma boa comédia.

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  creio bem...

que só me falta uma faca de mato, um canivete suíco, um saco cama, uma muda de roupa e umas barritas de cereais para o meu carro se tranformar num kit de sobrevivência no campo ou na cidade.

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quarta-feira, abril 25, 2007
  por ti

interceptarei a morte
e oferecerei o peito ao medo

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  Sobre a verdade

Assumo que pouco sei sobre o 25 de Abril de 1974 para além do básico (embora o básico não seja assim tão óbvio para muitos).
O meu pai foi mobilizado para a guerra colonial. Esteve mais de 2 anos no Ultramar, no mato, em plena guerra e viu tombar colegas que não voltaram. Duro para um jovem homem de 22 anos.
Alegro-me com a liberdade que o 25 de Abril trouxe mas não adiro de alma e coração à propaganda. Gostaria de conhecer melhor esta história, os diversos personagens da peça, a forma como a descolonização foi feita e por quem foi dirigida, para que não caia no erro de louvar as pessoas erradas, branqueando por ignorância tristes papéis na História. Sim, tenho umas luzes, mas são poucas...

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Tippi Hedren, Sean Connery
Marnie

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  Parêntesis

Eu não sei porque escrevo. Interessa pouco à humanidade o que digo, o que penso, o que imagino ou ficciono. Não vai mudar o mundo e dir-me-ão os meus amigos em coro, se paciência tiverem, a paciência que me falta, que a minha ambição secreta seria fazer A Diferença. Mas nã... Ser famoso dá muito trabalho e custa a privacidade, os olhos dos outros sempre postos em nós, os melhores lugares dos restaurantes sem esperarmos democraticamente pela nossa vez, isso é injusto. Hum, onde é que já vou (voo)? Vejo-me a mudar o mundo? ah ah! a ser tão conhecida na rua que me perguntarão os entrevistadores se não me aborrece tanta exposição, ao que eu responderão que não, que as pessoas são muito simpáticas e que só raramente me admoestam pelas minhas posições polémicas, ou me lançam encómios por ser excelente ponta-de-lança ou pelas minhas descobertas científicas ou então pela minha participação exuberante nos reality shows da Tvi, ou ou ou ou, todas situações que como se sabe contribuem para mudar o nosso mundo, um grande e o outro pequeno, sendo as prioridades arbitrárias. E olho para trás e vejo que, xi! fiz uma frase de cinco linhas, vou lê-la, entender-me-ei? Uma frase tão comprida desmotiva a leitura e lá se vai a minha ambição secreta de mudar o mundo com a força das palavras.
Cheira-me a queimado na cozinha.
 
  A perspectiva cor de rosa

E tu sabes onde as mamãs e os pápás vão buscar os bébés?

- Ao Modeo.

Lembrou-se do Modelo, mas também podia dizer 'Marché' de Intermarché ou 'Pigo doce', que não precisa de tradução.
Pois se é aos supermercados que se vão buscar as coisas que temos em casa.

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  2 anos + 3/4 de 1/2 de titi

No quarto da avó, apreciando,

- Vó, o teu quarto tá muito arrumado.

e logo depois, comparando,

- O meu tá mais ou menos.
 
terça-feira, abril 24, 2007
  lume?



Brando
 
  correspondências

tenho uma bonita planta em cima da secretária e o carro cheio de terra
(ao transportar a viçosa planta, o vaso fez as curvas)
 
segunda-feira, abril 23, 2007
 



Greta Garbo, John Gilbert


Não saberei nunca dizer adeus. Afinal só os mortos sabem morrer.
Mia Couto
 
  Não adormeças já

"Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres."


Maria do Rosário Pedreira
de A Casa e o Cheiro dos Livros

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  bloco de notas

http://www.voluntariado.pt/arquivo_destaques.asp

http://www.chsul.pt/

http://www.beirutband.com/

http://www.attambur.com/Noticias/20042t/quintetoTati.htm
 
domingo, abril 22, 2007
 



Kristin Scott Thomas, Ralph Fiennes
O paciente inglês
 
  a pasta

trouxe algum trabalho para casa este fim de semana. coisa leve, levaria no máximo duas horas. mas a pasta repousa calmamente desde sexta-feira na mesa da cozinha: de cada vez que por lá passo olha-me com ar inquisidor e eu sinto uma leve angústia. que pelos vistos não vai ser suficiente para me impedir de continuar a ver o Hotel Ruanda.
 
  Aquecimento global?

Leio: A histeria é de tal forma virulenta e a indústria mediática do medo é tão eficaz que eu já nem sei se alguém tem interesse em saber a verdade científica.

O Blogville remete para o De Rerum Natura, aqui. Aconselho a ler para que nos permitamos pôr em causa algumas certezas que construímos. É que o aquecimento global não é um dado tão unânime como nos querem fazer crer. Para reflectir e estar atento...
 
sábado, abril 21, 2007
  coke

"Sometimes you fantasize that people who are really up there and rich and living it up have something you don't have, and their things must be better than your things because they have more money than you. But they drink the same Coke and eat the same hot dogs and wear the same clothes and see the same TV and the same movies. . . You can get just as revolted as they can -- you can have the same nightmares. All this is really American."

Andy Warhol
 
sexta-feira, abril 20, 2007
 



Laraine Day, Robert Mitchum
The Locket
 
  nos bares

Nos bares do ocidente à hora de fechar todos os bêbados se abraçam, e contam a vida desde pequeninos.

José Amaro Dionísio
 
  receita

uma chávena de arroz uma de açucar duas de água um litro de leite uma casca de limão canela pau e pó três gemas sal
ligue o rádio e com vagar
coloque a água dentro de um recipiente dê-lhe fogo quando as coisas aquecerem dê-lhe o arroz
a água tê-lo-à absorvido entretanto revista-se de paciência e sabedoria e alimente o arroz com leite quente mexendo-o sempre sempre até se fundir o arroz com o leite num sensual e líquido creme
quando tudo estiver ligado e cremoso junte o açucar e depois
apague o fogo e atire-se às gemas misturando-as bem umas com as outras e depois no arroz
arrependa-se de ter apagado o fogo e ateie-o de novo só para que ele prove as gemas
agora deixe arrefecer e
relaxe

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quinta-feira, abril 19, 2007
  arroz doce

o porte rígido e soturno confundia-a porque ele no momento seguinte tinha gestos de implacável ternura que a desarmavam da indiferença, por ex, quando trazia do café em frente
um arroz doce para ti, sei que gostas
e deixava-lhe a taça na secretária com colher e guardanapo
ou quando
interrompia um longo e obscuro silêncio
para lhe apertar as mãos como quem afaga um tesouro de luz

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quarta-feira, abril 18, 2007
 



Greta Garbo
 
  continuando no género noir :)

e continuamos a acertar-nos nos mesmos alvos e a sofrer, flagrante sinal de que nos pertencemos.

Pedro Paixão
 
  quase nada

voltei-me para trás no último exacto momento, não senti nada e sobreveio a dor de nada sentir. quase nada faltou para ser amor.

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This is my life. It always will be. Nothing else...just us. The camera...and those wonderful people out there in the dark. Allright, Mr. Demille, I'm ready for my close-up.

Sunset Boulevard
 
terça-feira, abril 17, 2007
  Sunset Boulevard



ou O crepúsculo dos deuses
1950
com William Holden, Gloria Swanson e Erich von Stroheim.
 
  qual filme?

Ninguém me pediu satisfações mas eu dou-as, nesta forma generosa de ser (smile).
A poucos blogs tenho ido e muito menos comentado, ocupada que estou com as minhas interioridades inventadas. Agradeço por isso a vossa falta de respeito pela reciprocidade ao visitarem-me estando eu tão ausente de vos ver. Quando a maré subir abro caminho sobre ela até aos blogs e digo olá aqui estou eu.
Hoje vou ver o seguinte filme: (ver próximo post)
 
  o filme

o coração saltava-me do peito sem que o conseguisse ou quisesse abrandar. tinha a urgência inapelável de olhar o abismo e ofuscado pelo deslumbramento do voo, o medo de cair desfez-se no ar.

jurei a mim mesma que me portava como uma senhora mas não consegui manter a postura de filme e voltei-me para trás no último momento. antes de desapareceres na multidão voltei-me para a frente de novo, corpo ausente desafiando a razão prática das coisas e estendi os olhos molhados à claridade.
 
segunda-feira, abril 16, 2007
  disse ele

As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física.

Nietzsche
 
  Para a Sara

 
  os olhos enormes

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.


Carlos Drummond de Andrade

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sexta-feira, abril 13, 2007
  eterna



Gina Lollobrigida
 
  corpo ausente

Já a luz se apagou do chão do mundo,
deixei de ser mortal a noite inteira;
ofensa grave a minha, que tentei
misturar-me aos duendes na floresta.
De máscara perfeita, e corpo ausente,
a todos enganei, e ninguém nunca
saberia que ainda permaneço
deste lado do tempo onde sou gente.
Não fora o gesto humano de querer-te
como quem, tendo sede, vê na água
o reflexo da mão que a oferece,
seria folha de árvore ou sério gnomo
absorto no silêncio de uma rima
onde a morte cessasse para sempre.


António Franco Alexandre
 
quinta-feira, abril 12, 2007
  bela e inteligente



Claudia Cardinale
 
  O júri

Quando pensei que a TVI não podia descer mais na sua opção por programas-lixo, eis que surge A bela e o mestre. Ali existe discriminação sexual, exploração de clichés estereotipados, pavoneamento de escritores e jornalistas a dar um ar da sua muito pouca graça ao gozar descaradamente as concorrentes. O conceito do programa não presta e a prestação das meninas é fraca, mas quem está ali a fazer um papel ridículo é o júri. Imaginava-os pessoas melhor formadas. Enfim, o dinheiro é uma miragem muito apelativa para todos: TVI, concorrentes, jurados.
 
  (-.)

Women like me can only submit to men capable of dominating them, and I have never found anyone capable of dominating me.

Anna Magnani
 
  carisma



Anna Magnani
 
segunda-feira, abril 09, 2007
  Estrela do mar

Tenho parado pouco por aqui e pelos 'meus' blogs. Não há razão para isso a não ser a falta de vontade de escrever, de falar, de me comunicar! Por isso o silêncio, essa nuvem onde gosto de mergulhar em alturas em que o mundo me cansa e a a minha concha me basta. A minha concha e a estrela do mar...
 
 



Rolfe Horn




Gianni Berengo Gardin
 
 

Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram –
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique –
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste um dia que chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.



Maria do Rosário Pedreira
De "O Canto do Vento nos Ciprestes", Gótica, 2001, 80 pags.
 
sexta-feira, abril 06, 2007
 



Michael Bird
 
  Sexta feira Santa

- Hoje comemora-se a Ressurreição de Cristo, não é?
- Não, hoje é a Crucificação. Tu não és boa católica mas - antes isso! - és boa cristã.
 
quinta-feira, abril 05, 2007
  As coisas simples

Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos. O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida. Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras. Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.


Nuno Júdice

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  E por falar em italianas

 
  De como Jack o estripador se cruza com os cafés numa viagem de carro

Enquanto conduzia pensava nas várias e imaginativas maneiras de pedir um café, se faz favor - não, realmente não tenho mais nada em que pensar - e na Antena 3 começou a tocar uma música que falava precisamente em Jack o estripador, portuguesa por sinal, neste nosso país de já não tanto brandos costumes.
Prossegui a viagem mental e a outra.

Além do básico e nitidamente simplório, era um café e um copo de água sff
temos muitas mais formas que são sinal do espírito de invenção dos portugueses, (fraquinho mas cheio de boa vontade).

Por favor, um café cheio com adoçante e um copo de água (mesmo assim banal)

Queria uma bica curta e uma água com gás

Trazia-me uma italiana?

Olhe, era um café com adoçante em chávena escaldada!

Sai um café com cheirinho!

Dê-me uma bica pingada

Era um café curto em chávena escaldada com adoçante e um copo de água morna



Já venho :)
 
quarta-feira, abril 04, 2007
  Pequenas reflexões virtuais

Diz a blogger do Silêncio, em entrevista ao Miniscente sobre a blogosfera: A liberdade para tantos, um corte com a solidão, um aprofundar da solidão.

Há demasiada palha, gerou-se demasiada palha e eu deixei de querer ter tempo para procurar as agulhas.


Às vezes penso nisso, não em termos de quantidade de palha, que a há, mas em termos de blogs interessantes que existem e não conheço e outros que ainda não existem e que terei curiosidade em conhecer.
Só que, dois pontos: isto nunca pára nem há-de acabar. Há sempre temas interessantes a debater, há pessoas que escrevem deliciosamente. Se me perguntarem se quero conhecer e estar atenta ao maior número de blogs possível, eu digo que não. Tal como não quero ler todos os livros interessantes que gostaria de ler, nem folhear todas as revistas ou ouvir todos os discos que sei que me preencheriam um pouco mais. Mas a realidade é incontornável e viciante: enquanto estiver aqui não me vou impôr restrições no sentido de limitar o número de blogs a que acedo, pelo que prevejo que a solução final será apagar os vestígios, arrumar a tralha e partir para uma ilha simpática onde não exista nada disto. E a verdade, verdadinha, é que nada disto existe.

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terça-feira, abril 03, 2007
  uma coisa em forma de assim*

a noite crescia o medo assustava por dentro o coração batia com força força dos músculos tensos tensa mas o ar distendeu-se ao meu lado eras tu inventei-te

*Alexandre O'Neill

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segunda-feira, abril 02, 2007
  Parabéns miúda




As minhas verdadeiras amigas são intemporais. Não tem a ver com a idade, credo!:) mas com a forma como eu vejo a amizade; as pessoas que estão lá quando precisamos de colo e palramos os mesmos necessários desabafos ou quando nos enrodilhamos num doloroso silêncio feito de abismo e vazio. Que não medem esforços para nos tirar do poço. Que gritam vivas à nossa felicidade! E com quem trocamos sumos disparates e maquiavelices :)
Amiga Bastet, Parabéns.

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domingo, abril 01, 2007
 



hoje permiti-me ser turista em lisboa e deixei-me guiar pelo meu lado errante. ajeitei a mala ao ombro e os óculos de sol ao rosto e vamos caminhar! entrei em igrejas, locais que gosto sempre de visitar, folheei livros em segunda mão nas bancadas de rua, entrei numa loja de produtos portugueses de marcas antigas, uma delícia, entrei na bertrand mais bonita do mundo, comi um crepe com gelado, desci o chiado, fui à fnac. e pensei que lisboa é uma cidade magnífica de visitar e merece ser apreciada pelos nativos com ócio de férias e vagar de turista.

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Sur la marée haute je suis montée la tête est pleine mais le coeur n'a pas assez. Lhasa de Sela


mareehaute.is.vague@gmail.com

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