1) Que Saramago está senil, concordo, Luís. Não é grave, pode acontecer a qualquer um. A desonestidade intelectual que ele atribui aos outros que não pensam como ele é que me parece abusiva, e digno de reparo é a natureza deste tipo de golpe publicitário, eivado das características que S. atribui a Deus. A inveja e o rancor. É assim que vejo este nobelizado escritor. Se é bom ou mau ou alguma coisa algures por aí não sei. A mim nunca me tocou particularmente e agora muito menos, em coerência comigo própria. Não proclamo isenção, já agora. Gostei de nos meus 15 anos ter lido o Memorial e há 2 aquele livro sobre o fim da morte, está ali na estante, As intermitências ou algo assim. É um autor que nunca me fez vibrar. E isso é algo de puramente pessoal, é como a química nas relações. Quero lá saber que tenha ganho o Nobel - a maior parte dos Nobeis eu certamente não li.
2) Maitê Proença - uma espécie de desilusão. Enfim, publicidade gratuita à senhora. O que reparei quando passei os olhos na diagonal nos comentários dos leitores de jornais foi a falta de civismo de muitos deles. Sim, ela esteve muito mal. Mas caramba. Tem que se pôr o pai e a mãe ao barulho? Senti ali também alguma (muita) invejinha. Afinal é uma mulher linda e esplendora nos seus 50 anos. Se estava a pedi-las? Estava. Ficava-lhe bem ter sentido de oportunidade e civismo. Mas os comentários... bom alguns são de um calibre tão boçal que definem - sem dúvida - quem os profere. Mas que interessa, são comentários anónimos, não comprometem ninguém e cumprem eventualidade uma função psico-social.
3) Gostei da forma inteligente e cordial como Cavaco Silva declinou o convite dos Gato Fedorento. Desapontar-me-ia se tivesse aceite. Como me desapontou a explicação atabalhoada sobre as escutas a Belém. Não percebi nada e neste momento tenho mais que fazer e que pensar. Sei lá, se vou comprar botas novas, se no fim de semana faz chuva ou sol, coisas assim.
4) Há pessoas que ou se amam ou se odeiam. Odiar é palavra forte, indiferença define melhor o que (não) se sente por certas pessoas.
5) O vermelho das unhas secou, tomar comprimido, dormir até de manhã, acordar repousada. Um sonho: dormir bem.
e assim começa, com um dia a menos, mais uma semana de trabalho depois de um fim de semana em banho-maria, entre ida ao hospital para consulta e exames subsequentes obrigatórios, depois ficar em casa a descansar, deve estar tudo bem mas por precaução é melhor, mais uma ida a-ver-o-mar e os Expressos atrasados na mala onde cabe este mundo e mais que houvesse, não nos entendo a nós, mulheres, se a mala é pequena, ai que falta o verniz, lenços de papel, a agenda, o livro, a garrafa de água, o caderno de notas, e todos os essenciais que nunca chegam a fazer falta quando os levamos, se é grande, andamos ali minutos sem fim a apalpar os cantos à casa e onde é que estão as chaves, o telemóvel, a caneta, etc etc etc, ser mulher dá muuiiitooo trabalho às vezes, e eu vou cultivar o meu lado zen, mas é, que o resto da semana está com o tempo contado, boa terça-feira, quarta, quinta e - 'tá quase! sexta, ufa
Visitei a exposição desta pintora espanhola, Eva Navarro, no CCB. Gostei das cores fortes, da força, dos pormenores, das circunstâncias. Do mistério e da transparência.
Gostei desta amostra à primeira audiç/ão/, vis/ão/, sensaç/ão. Gosto de máscaras, do que escondem do que revelam. As chaves na porta, as músicas em sequência, os saltos altos, o suspiro, tudo nos conta uma história e nos apresenta um trabalho precioso e cativante.
Passei pela Fnac, ouvi cada uma das faixas e disse é meu. Mas o bichinho dos U2 deixou-me indecisa por momentos. Peguei no No line on the horizon sem largar o Day and Age. Olhei para os dois, a minha futilidade ficou ali a oscilar uns segundos mais. Acabei por trazer os U2 mas tenho os The Killers under my blood red eye. (Só não posso escrever a última frase porque não tenho o olho vermelho mas que ficava a matar, ficava!)