La marée haute
Alcancei o cais com esforço. O suor corria-me pelas faces e as minhas mãos suavam de tal forma que poderia beber o meu próprio medo pelos pulsos. Comecei a andar na direcção da multidão. Na cidades, não se cumprimentam as pessoas, a não ser que precisemos delas. “Boa tarde, desculpe, como posso chegar ao Bairro da Chusma?”
Vasco Pires Sousa, in VermelhoLivros que prometem escritores começam assim. Meia dúzia de palavras e um mundo dentro a palpitar. Como um coração. Vermelho.
Parabéns, Vasco.
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Dame Agatha May Clarissa Mallowan
120º aniversário de Agatha ChristieAquele
Assassínio na Mesopotâmia é sublime. E todos os outros que li, alinhados em fila na estante, cativando-me a atenção e eu logo me desligo,
mais tarde, digo-lhes,
mais tarde, nas férias, que vocês cativam-me tanto e eu agora não quero retomar feitiços.Do outro e por outro lado...
escrever é um feitiço, um apelo a que não resisto nem quero resistir.
Não sei quem perguntou e quem respondeu, o diálogo foi este e foi tudo o que se plasmou na memória:
É mais você quando escreve?
Só sou eu quando escrevo.
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História do Rei Transparente
Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre. Vi na minha vida coisas maravilhisas. Fiz na minha vida coisas maravilhosas. Durante algum tempo, o mundo foi um milagre. Depois a escuridão voltou.É assim, devorador e com gritos para dentro, que começa
História do Rei Transparente, de Rosa Montero.
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Quanto ao facto de saber se o sexual e o religioso são antagónicos e opostos, eu responderia do seguinte modo: todos os elementos ou aspectos da vida, por muito pobres, por muito duvidosos que sejam (para nós), são susceptíveis de conversão, e na verdade devem ser transpostos para outro nível, de acordo com a nossa maturidade e inteligência.O esforço visando eliminar os aspectos «repugnantes» da existência, que é a obsessão dos moralistas, não só é absurdo, como fútil. É possível ser-se bem sucedido na repressão dos pensamentos e desejos, dos impulsos e tendências feios e «pecaminosos». mas os resultados são manifestamente desastrosos. (É estreita a margem que separa um santo e um criminoso). Viver plenamente os seus desejos e, ao fazê-lo, modificar subtilmente a natureza destes, é o objectivo de todo o indivíduo que aspira a desenvolver-se. Mas o desejo é soberano e inextirpável, mesmo quando, como dizem os budistas, se converte no seu contrário. Para alguém se poder libertar do desejo, tem que desejar fazê-lo.Henry Miller, in
"O Mundo do Sexo"Etiquetas: ler
Reflexões avulsas (título pomposo, Miss Vague)
No campo do sexo como noutros campos, costumamos referir-nos a uma norma - mas a norma indica apenas o que é estatisticamente verdade para a grande massa dos homens e das mulheres. Aquilo que pode ser normal, razoável, salutar, para a grande maioria, não nos fornece um critério de comportamento no caso do indivíduo excepcional. O homem de génio, quer pela sua obra, quer pelo seu exemplo pessoal, parece estar sempre a proclamar a verdade segundo a qual cada um é a sua própria lei, e o caminho para a realização passa pelo reconhecimento e pela compreensão do facto de que todos somos únicos.Henry Miller, in "O Mundo do Sexo"
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Real Sex for Real Women*
*Excerpt from
Real Sex for Real WomenBy Dr. Laura Berman
É incontornável, pela sua naturalidade e nossa natureza, o tema e as questões associadas de intimidade e sexualidade. E não custa nada reforçar.
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Afectos e sexualidades à luz da sociedade actual
Com a devida vénia à Isabel Freire, do
Sexualidade Feminina, reproduzo um post seu, pelo interesse e atenção que o tema merece aos que se interessam pelas questões dos afectos e da sexualidade, como partes fundamentais da saúde de um ser humano que se deseja completo e na perspectiva da reflexão sobre a vivência desses afectos e dessa sexualidade numa sociedade tão consumista e efémera como a actual - características que acabam por moldar muitos tipos de relacionamentos.
Muito interessante!
Na quinta-feira, dia 13 de Novembro, e na sexta, 14 de Novembro, entre as 10h e as 18h, no Pequeno Auditório da Culturgest, terá lugar a conferência subordinada ao tema "As Regras da Atracção" , comissariada por Rui Trindade. O propósito central desta conferência é o de equacionar as múltiplas variáveis que hoje afectam o domínio das relações nas sociedades avançadas contemporâneas. Com quatro sessões: "O Sexo na Cidade", "Novas Atracções", "Emoções e Afectos" e "Sex Toys", esta conferência retrata as repercussões de uma mudança de paradigma: a passagem da sexualidade de algo interdito para algo aceite e da sexualização como componente cultural, sob variados pontos de vista.
A entrada é gratuita mediante o levantamento de senha de acesso 30 min. antes de cada sessão, no limite dos lugares disponíveis.
QUI 13 Nov
sessão 1 O Sexo na Cidade
10h00 – 11h00 Fiona Attwood, Universidade Sheffield (UK)
11h30 – 13h00 Helen Fisher, Dep. Antropologia Universidade de Rutgers (EUA)
sessão 2 Novas Atracções
15h00 – 16h00 Ana Carvalheira, ISPA (Portugal)
16h30 – 18h00 Bernardo Coelho, ISCTE (Portugal)
SEX 14 NOV
sessão 3 Emoções e Afectos
10h00 – 11h00 Stuart Walton, Ensaísta (UK)
11h30 – 13h00 Anália Torres, ISCTE (Portugal) sessão 4 Sex Toys
15h00 – 16h00 João Oliveira, ISCTE (Portugal)
16h30 – 18h00 Baptiste Coulmont, Université Paris 8 (França)
Num tempo em que os interditos sexuais parecem ter-se desagregado, permitindo todo o tipo de conjugações, em que os géneros reclamam para si estatutos específicos e as sociedades, de um modo geral, incorporaram nas suas estratégias colectivas atitudes e comportamentos que de periféricos – num passado recente – migraram para o mainstream cultural de forma ostensiva e permanente, importa interrogar, de forma aberta, transversal e descomprometida as razões de tal evolução. No entanto, dado o conjunto de variáveis em jogo, muitas vezes aparentemente contraditórias entre si, o propósito desta conferência só pode ser o de tentar fazer um ponto da situação, acolhendo olhares diversos sobre o tema, a partir de uma premissa: trata-se de reflectir, com base nos conhecimentos mais recentes, sobre os comportamentos contemporâneos ligados aos afectos, às emoções, à sexualidade, às relações.
Se é certo que a liberdade amorosa parece hoje um dado adquirido nas nossas sociedades, a verdade é que estas, cada vez mais altamente voláteis na sua vertigem de mudança, alteraram para sempre a consciência do tempo e, sobretudo, o da antiga e codificada longa duração relacional.
Alimentando sem cesso o culto da sedução e do narcisismo individual, estas sociedades fragmentaram sentimentos e afectos, redesenharam contextos familiares novos e criaram, de certa forma, também, paradoxalmente, a figura do desamparo naqueles que, perdidas as sólidas referências dos valores instituídos, se vêm hoje constrangidos a «construir a sua própria narrativa», como escreve Alain Ehrenberg em La Fatigue d' Être Soi. Ora nem todos conseguem re-inventar-se ou projectar-se numa nova narrativa, colapsando emocionalmente numa deriva sem fim, em busca de uma re-ligação afectiva, erótica e sentimental.
Fundação Caixa Geral de Depósitos - Culturgest
Telf: 21 790 54 54
Fax: 21 848 39 03
www.culturgest.ptAs regras da atracçãoEtiquetas: ler
Avião da Alitalia quase chocou com OVNI Os OVNI's, o Triângulo das Bermudas, e a
Vida
Depois da
Morte eram os grandes mistérios da minha adolescência. Ao re-arrumar as estantes encontrei os livros, velhinhos e de folhas amarelecidas, que tanto me fizeram sonhar.
E agora, 20 anos passados, há explicações para os desaparecimentos ocorrido no Triângulo das Bermudas?
Não perca o próximo episódio!
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Os Não-lugares, o espaço
Não-Lugares
Introdução a uma Antropologia da Sobremodernidadede Marc Augé
Sinopse da
Fnac:
"Não se trata já de saber para onde vamos mas sim de perceber onde estamos: a "impossível viagem" quando o lugar não existe, quando o espaço é indefinido, quando o passado se confunde com o presente e o futuro. Só as palavras contêm e mostram o sentido. Nos não-lugares cada vez mais se cruzam os destinos irrequietos e perdidos numa experiência crua da solidão disfarçada pela aparência de uma superabundância de comunicações, afinal apenas fingidas.
Neste livro, Marc Augé prossegue a sua antropologia do quotidiano explorando os não-lugares, esses espaços de anonimato que acolhem indivíduos de dia para dia mais numerosos. Propondo uma antropologia da sobremodernidade, abrem-se novas perspectivas que nos introduzem ao que se poderia designar por uma etnologia da solidão". Etiquetas: "qualquer coisa em forma de assim" a o'neill, ler
Academia dos livros - A Paixão segundo G.H.

Clarice. Ou se adere apaixonadamente à sua escrita visceral, pura e intuitiva ou se lhe é indiferente. Acredito que não haja meio termo para referir o encontro com Clarice Lispector.
Respondo ao desafio da Ameixa e sugiro a leitura de
A Paixão segundo G.H.Deixarei aqui um breve trecho. Amanhã.
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NeuromarkeTinG

Nelly Arenas
Falta introduzir um factor não (nada) despiciendo: o poder do neuromarketing, luta desigual.
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E agora, de onde é que eu retirei isto, que guardei em draft para mais tarde recordar e não cuidei de guardar a autoria?
Que me desculpe o autor desta peça, que saiu algures numa revista. Quase que preferiria não a citar mas encontro tanta riqueza nesta abordagem que opto por não a deixar passar em branco.

(...)
o movimento feminista, ao alterar o perfil da mulher ― sobretudo o da mulher urbana ―, dando-lhe voz fora do ambiente doméstico, um papel cada vez mais decisório nos rumos da sociedade e autonomia financeira, distanciou-a do antigo paradigma de comportamento, no qual ela esteve confinada por séculos, sem que semelhante processo de distensão e mudanças psicossociais tenha ocorrido com o homem, que permanece atado a um modelo desgastado e imbuído de conceitos bastante semelhantes aos de mais de meio-século atrás, de uma época na qual o feminismo ainda não havia ganhado o seu grande impulso. O resultado disso é que, generalizando um pouco, temos, hoje, mulheres do século XXI relacionando-se com homens da década de 1950.(...)
O homem médio contemporâneo, por não haver acompanhado a evolução da mulher, não consegue dialogar com ela de forma satisfatória, não é capaz de compreender e admirar essa nova mulher.
As mulheres, por sua parte, tornaram-se mais exigentes. Muitas se recusam, acertadamente, a permanecer em relacionamentos vazios e frustrantes, com maridos ou namorados que, gradualmente, vão se acomodando a uma rotina insossa e egoísta, privando suas companheiras, do carinho, da atenção, da cumplicidade e do diálogo, que elas tanto valorizam.
Outras, por medo da solidão e da perspectiva de abandonar a segurança de uma relação e encontrar alguém ainda pior pela frente, acabam se resignando e passam a viver uma vida pela metade.
Uma frase que resume bem essa segunda opção, que é mais comum do que muita gente imagina, é o título, engraçadíssimo e bastante espirituoso, de um livro da argentina Viviana Gómez Thorpe, que deu origem a uma peça de grande sucesso, chamado
Não sou feliz, mas tenho marido.
(...)
Antes que discordem ou concordem
de mim, aviso que, como sempre, as citações que faço não reflectem necessariamente a minha opinião, são antes de mais pistas de raciocínio que gosto de partilhar com quem me dá o prazer de me acompanhar nestas viagens.
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Esse verão
Jorge de Sousa Braga
O Poeta Nueu, este livro e uma tarde ao sol numa praia
quase deserta.
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"Muito antes de nos familiarizarmos com o ser amado, às vezes temos a impressão curiosa de que somos velhos amigos. Parece-nos que já o conhecemos de outro sítio qualquer, talvez de uma outra vida ou dos nossos sonhos. Em
O Banquete de Platão, Aristófanes explica essa sensação de familiaridade quando diz que o ser amado é a nossa 'outra metade' há muito perdida, a cujo corpo o nosso esteve originalmente unido. No princípio, todos os seres humanos eram hermafroditas, com dois dorsos, quatro pernas, quatro braço e dois rostos, virados um para cada lado, na mesma cabeça. Esses hermafroditas eram tão poderosos e arrogantes que Zeus se viu obrigado a cortá-los ao meio, numa metade masculina e numa metade feminina - e a partir desse dia cada homem e cada mulher passou a viver na ânsia de encontrar a metade que lhes foi amputada."
Alain de Botton, Ensaios de amor
Etiquetas: de amor, ler
LeR
Não entendo. Temos em Portugal défice de leitura, as pessoas lêem pouco e mal, existem ainda índices de analfabetismo consideráveis, uma iliteracia preocupante e um constante violar de elementares regras de Português; Por outro lado há livros que estão meses seguidos nos top's de vendas, existe uma pretensa
literatura massificada e banal que ombreia nos escaparates com os livros que nos revolvem por dentro.
Lê-se em Portugal? E o quê? E será que é melhor ler
qualquer coisa que não ler nada? Uma boa leitura não é aquela que nos questiona, maravilha e melhora como seres humanos?
Ou lemos apenas para passar o tempo?Etiquetas: "qualquer coisa em forma de assim" a o'neill, ler
Dar
" (...)
- O que é é que te leva a pensar que ajudas mais os outros do que eu, por exemplo?
- Como é que te hei-de explicar...(...) só para te dar uma ideia, acho que uma pessoa sem quaisquer limitações, sem ter passado por uma experiência de vida mais complexa não tem à partida a mesma sensibilidade para dar algo de si a desconhecidos...(...) eu acho que em geral todos os homens, ou quase todos, têm bom fundo, vontade de dar algo de si. Contudo, quando a vida não nos põe à prova, quando não nos mostra sem sombra de dúvida que podemos sempre dar mais de nós mesmos, as nossas boas acções acabam por ficar circunscritas a um grupo limitado de pessoas, aquelas com quem vivemos diariamente. Para teres uma noção do que quero dizer, antes do desastre acho que sempre fui bom filho, bom neto, amigo, etc...sempre que podia ajudava os outros, facilitava-lhes a vida naquilo que me dizia respeito. Apesar disso nunca me passou pela cabeça ir ajudar um desconhecido. Por exemplo, perder uma tarde com os meus amigos para na praia para ir ajudar crianças ou pobres, ou algo do género. Acho que as pessoas que o fazem, sem que tenham passado por experiências realmente marcantes, são pessoas que devem ter uma vocação especial, um chamamento interior imperceptível aos outros. Acho que essas pessoas, que encaram a vida quase com espírito de missão, têm um valor enorme, e que muitas vezes não é devidamente reconhecido. É muito difícil sairmos de nós próprios, darmo-nos aos outros sem esperar nada em troca... "
Ser feliz assim - Salvador Mendes de Almeida
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e era aqui que os lia (ou adormecia)
Serena Lounge ChairEtiquetas: design, ler
Passeando na livraria
despertaram-me interesse e desejo de os ler,
Dar
Bill Clinton
Porque fala de generosidade, despojamento, solidariedade e reforça uma ideia que não é clara para nós: a de que cada um pode
mesmo fazer a diferença.
Qual é a minha ou a tua língua? Cem Poemas de Amor de Outras Línguas
Organização por Jorge Sousa Braga
Porque fala de amor, porque admiro muitíssimo a sensibilidade de J. Sousa Braga, um dos meus poetas preferidos, visceral, apaixonado, perturbador, linear na sua complexidade e que encontrou, de outros poetas, poemas belíssimos de onde jorra também visceralidade. Dois dois que li em pé (ia dizer
e ao relento, que soava bem mas era pouco crível) cativou-me essa força e essa paixão, às vezes tão crua, às vezes tão terna, às vezes tão tudo ao mesmo tempo.
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"Ser feliz assim" - Salvador Mendes de Almeida (1)
- Quer dizer...(...) o que é que te leva a pensar que ajudas os outros, mais do que qualquer pessoa? Em que é que ajudas mais os outros do que eu, por ex?
- (...) só para te dar uma ideia, acho que uma pessoa sem quaisquer limitações, sem ter passado por uma experiência de vida mais complexa não tem à partida a mesma sensibilidade para dar algo de si a desconhecidos...
Eu ia interrompê-lo mas ele não deixou.
- Deixa-me acabar... - disse resoluto - ... eu acho que em geral todos os homens, ou quase todos, têm bom fundo, vontade de dar algo de si. Contudo, quando a vida não nos põe à prova, quando não nos mostra sem sombras de dúvida que podemos sempre dar mais de nós mesmos, as nossas boas acções acabem por ficar circunscritas a um grupo limitado de pessoas, aqueles com quem vivemos diariamente. Para teres uma noção do que quero dizer, antes do desastre acho que sempre fui um bom filho, bom neto, amigo, etc... sempre que podia ajudava os outros, facilitava-lhes a vida naquilo que me dizia respeito. Apesar disso nunca me passou pela cabeça ir ajudar um desconhecido. Por exemplo, perder uma tarde com os meus amigos na praia para ir ajudar crianças ou pobres, ou algo do género. Acho que as pessoas que o fazem, sem que tenham passado por experiências realmente marcantes, são pessoas que devem sentir uma vocação especial, um chamamento interior impercepível aos outros. Acho que essas pessoas, que encaram a vida quase com espírito de missão, têm um valor enorme, e que muitas vezes não é devidamente reconhecido. É muito difícil sairmos de nós próprios, darmo-nos aos outros sem esperar nada em troca...Etiquetas: ler
E leio o livro do Salvador Mendes de Almeida
Ser feliz assimBravo e valente
Salvador...
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