Casa
Depois de dar a volta à chave e ter fechado as portas do carro, foi o que escutei: casa. Ouvia a palavra dentro do cérebro, pensava nos versos de Sophia, na música de Sakamoto, no sítio onde temos o coração.
Estou feliz se a felicidade não for muito exigente hoje, e também cansada do dia e da formalidade, da simpatia e da imagem com que me sinto bem, mas que se cola demais e me disfarça o eu, asfixia-o como se eu não fosse mais ninguém a não ser a pessoa que está ali a trabalhar. E o tédio está perversamente à espreita.
E dou comigo a pensar em ti, desejando partir em viagem para o sítio branco, só nosso, neve, frio, imensidão e aconchego, poesia nas mãos que só fizeram sentido entrelaçadas. E a frontalidade dos nossos olhos em duelo de paixão. E o sangue de um coração que nos bateu sem compasso, brutal no desejo da ternura e do corpo. O que desejávamos mais, a alma, o corpo? Talvez apenas tudo, sem medida e sem medo, no bailado perfeito das tuas mãos nos meus cabelos e dos meus dedos nos teus lábios, contorno perfeito.Etiquetas: "qualquer coisa em forma de assim" a o'neill