A primeira de várias negociações com o meu pai
Eu tinha 5 anos e meio quando o meu pai fez o primeiro acordo comigo. Dentro da berraria diária que era deixar-me todos os dias a chorar baba e ranho à porta do infantário, infeliz e abandonada, o meu pai perguntou-me se eu não queria mesmo ir para a escola aprender a ler e a escrever como os outros meninos. Ora como eu já sabia escrever o meu nome e umas letras mais, achava que estava razoavelmente preparada para a vida, mas dei uma oportunidade ao meu pai, embora com reserva. Disse-lhe que não ia naquela altura, mais tarde eu iria. Perguntou-me quando é que eu pensava ir para a escola. Respondi então que iria no dia 1 de Fevereiro.
O meu pai aceitou e eu durante uns meses andei sossegada, senhora do meu destino. O meu pai não me falou mais sobre o assunto. De vez em quando eu perguntava quando é que era o dia 1 de Fevereiro.
Não é ainda, respondia o meu pai. Até que um dia a véspera do dia combinado chegou. O meu pai levou-me à escola e eu, já em paz com a vida, entrei no carreirinho das letras e dos números. Esta é umas birras e traquinices que o meu pai conta com um quase indisfarçável orgulho e eu mais orgulho tenho nele, por todas as qualidades que lhe conheço e pela sua força interior, optimismo e lealdade indómita.
Além disso é um pai todo giro e de fato ou de calças de ganga tem a classe de um verdadeiro gentleman. Sem peneiras. Um super pai:)
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