La marée haute
A chave, o segredo da casa
Manhã fresca e luminosa. No contentor, além do saco de lixo poisam incrédulas as chaves de casa e os meus olhos. O coração vermelho ri-se para mim, em tom de desafio.
O dono do café, o amigo que passa, vou buscar uma vassoura, vou empurrar o contentor pra o chão, depois é só varrer, depois é só saltar para dentro e ir buscá-las. Vejo o polícia do outro lado da rua e opto pela segurança, aceno e peço ajuda com um sorriso que se quer rir.
Podia ter sido pior, diz o polícia sorrindo, enquanto com o bastão que se lhe ajusta ao corpo e à correnteza dos dias, pesca no fundo do mar o meu regresso a casa. Abro a porta, deixo a água correr.
Recomeço.
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Tudo parado. Boa altura para apapedica lapsus.
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A perigosa letra P
Dada a perícia apressada com que envio um sms, rezo para que não calhe nenhuma inoportuna e indevida ao senhor padre ou terei missa cantada e excomunhão garantida.
Lembro-me disto de cada vez que envio sms para os nomes que começam por P. Tenho mesmo que ter cuidado, distraída como às vezes sou ou me permito ser. Mas há que fazer um esforço para estar atenta ao alerta em forma de ditado
Fia-te na Virgem e não corras, pelo que interiorizo o dito.
Sou católica e este post parece-me uma heresia.
Delete. Publish. Plim!
Etiquetas: apadedica
,
e hoje já caminhei 4 km, de manhã ninguém me segura. à noite estou ko como de costume. cheguei a sair de um jantar a meio alegando justo impedimento (que agora não me ocorre) para ir descansar para o sofá.
sou única. e absolutamente banal - no melhor sentido :)
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simpatia
encontro um velho amigo meu que me mostra as fotas dos filhos:
e eu:
como são lindos! são parecidos com a mãe??Etiquetas: apadedica
imaginação parcelar
pode ser a da fundadora da
Apadedica que tem duas costelas partidas e não se lembra de nada.
caiu? teve algum acidente?
não me lembro de nada, só sei que a tosse me dá cada vez mais um aperto, uma dor no peito e até respirar fundo me dói e o médico imaginário, divertido
esqueçamos a tossetambém pode ser amorEtiquetas: apadedica
E se o alarme não tocasse estava agora a fazer marcha atrás para devolver a mala
Passo pelos sensores da loja e o alarme apita à saída. Resignada, espero pelo segurança, certa que ele me vai dizer que a compra que fiz noutra loja despoletou o alarme daquela. Mas eis que vejo na minha mão esquerda uma mala desconhecida e com etiqueta da casa. Espantada de a ver nem sequer consigo ficar envergonhada quando o segurança olha para mim. Balbucio
um desculpe nem me apercebi, devo ter pegado na mala e nem a pousei depois, enquanto à volta as pessoas deviam pensar coisas bonitas a meu respeito. A segurança da loja em frente fixou-me os olhos e eu aguentei-lhe o olhar até ela desviar o dela. Vê-se mesmo que não conhece a APADEDICA.
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A idade da inocência
Antes de entrar para o cinema, dirigi-me à casa de banho, abri a porta e avancei, distraída. Perante a visão de louças sanitárias diferentes das habituais, dei uma meia volta muito rápida e se não corei foi porque nenhuma das ditas louças tinha no momento utilizador.
Juro que não fiz de propósito.
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Andava eu na faculdade quando cometi uma gaffe particularmente inventiva.
De tal modo o achava parecido com uma colega minha e tendo-a ouvido falar no avô, cruzei a informação dentro da minha cabeça, com algum fio solto algures e tentei convencer um senhor que ia comigo no comboio que ele era avô da minha colega.
- Ando com a sua neta na faculdade!
- Ah mas eu não tenho netos...
- Então não tem? A S. é sua neta!
- Olhe que não (piscar de olho)
- A S. não é sua neta?
- Não.
- Mas é tão parecida consigo...!
- Pois mas eu não tenho netos.
- Olhe pois eu juraria que...
Não insisti. Ele devia saber...acho.
Ainda hoje nos cumprimentamos, eu e o tal senhor avô. A minha colega? Nunca mais soube dela.
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APADEDICA
Em Maio de 2006
APAPEDICA reabriu a sua sede. Um ano depois convocam-se os associados para uma nova reunião; a do ano passado teve fraca afluência: muitos dos nossos associados esqueceram-se do dia, uns quantos enganaram-se na porta e meia dúzia deles tinha consulta marcada no dentista.
Ordem de trabalhos
Ponto um: rever o
projecto de estatuto da APADEDICA.
Ponto dois: decidir quanto à expulsão dos associados que o ano passado compareceram no dia, hora e local indicado na convocatória.
Esqueci-me de alguma coisa?
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vague no seu melhor
numa loja, para a lojista
queria uns sapatos do género dos seus, mas mais bonitosEtiquetas: apadedica
Reabertura da sede da A.P.A.DE.DI.CA.

Bem vindos.
A
Associação para a Defesa dos Distraídos do Caraças informa os seus associados que concluídas que estão as obras de remodelação da sede, abre de novo as suas portas a todos quantos queiram partilhar as suas distracções. Reabre hoje à noite, prevendo-se, com sorte, a enchente do bar ao lado, pois os nossos associados, mantende-se fiéis à tradição da casa, comparecem ou no estabelecimento mais próximo ou no dia seguinte aqui mesmo.
Renovo os votos de boas vindas salientando que foi decidido por unanimidade minha incluir nos estatutos uma norma que estipula a obrigatoriedade de um voluntário na área da psicologia passar a prestar apoio a todos os associados, mediante marcação.
A nossa associação é a mais abrangente de todas quantas existem pelo que merece o apoio e empenho dos associados e amigos: desde argolas pescadas em sarjetas, até mãos que se entalam em gavetas e vozes que se esquecem de gritar com a dor, passando por idas ao Porto que terminam no Porto Alto, parabenizações de aniversário feitas com antecedência de um mês ou mesmo de anos, aqui cabe tudo e mais que houvesse.
Posto isto, marchemos. Até já. Vou trabalhar um bocadinho e pôr o meu ar marcial. O capacete é que não ajuda muito.
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APADEDICA new
Chamei lá a casa o senhor que arranja a máquina de lavar. Afinal não havia nenhum problema - a espuma que saía da dita e me transformava a cozinha numa sedutora e luxuriante casa de banho era resultado do uso do detergente
manual na máquina de lavar.
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Assine já!
A minha última distracção, digna de figurar na APADEDICA aconteceu um dia destes, quando combinei encontrar-me com o meu pai. Eu caminhava no passeio quando vejo um homem a seguir na mesma direcção que eu, uns metros mais à frente. Pelo porte pareceu-me o meu pai e, muito naturalmente, chamei-o. Não se voltou e chamei de novo mais umas duas vezes até que desisti, ele já se sumia na pequena multidão e eu continuei a andar.
Dali a pouco vejo o meu pai à minha frente a perguntar-me
Porque é que me estavas a chamar se eu me estava a dirigir a ti? Conclui para mim própria que, induzida no meu próprio erro de suposição e de aparência, quase nem via que quem procurava estava mais perto, tão perto que quase me assustou.
(O excerto acima transcrito faz parte do manual de sobrevivência e auto-ajuda a publicar na editora
Pense por si mesmo e deixe a caravana passar; é um livro on-line, com um formato de jornal, cada semana um capítulo. Faça já a sua subscrição e receba todas as semanas GRÁTIS um copo de cristal desenhado pela dupla de cabeleireiros mais famosa do país!)
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APADEDICA
Alguém tem mais notícias para o boletim informativo de Fevereiro da APADEDICA?
A mais recente notícia deste lado foi dizer a uma mãe que levava o seu bébé no elevador que ele estava muito desenvolvido para a idade
'Tem 3 meses, não?'.
Tem 7, diz ela.
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Torneira precisa-se

Por alguma razão um electricista é um electricista e um canalizador é um canalizador. Era suposto o primeiro dar um jeitinho na torneira avariada do chuveiro e assim evitar a vinda do segundo. O jeitinho resultou numa torneira partida e agora não posso tomar duche. Em vez de ir trabalhar tenho que ir comprar uma torneira.
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A APADEDICA
(breve resumo para um projecto de estatuto a discutir em assembleia geral, escrito à pressa e distraidamente que estou a meio de um trabalho)
A
APADEDICA (1) é uma instituição particular de solidaridade social e apoio individual a cada génio que se esconde dentro de cada
distraído do caraças. Tem como uma das suas finalidades básicas a catarse através do riso de coisas que nos dão cabo da cabeça, ou não chegam a dar porque entretanto estamos a rir para não dar cabo da cabeça do infeliz que está mais próximo.
O
distraído do caraças precisa de ser encorajado a sorrir perante os desaires e a rir de si mesmo, seja quando atropela os seus próprios óculos de sol ou quando fica apeado na estrada porque o depósito da gasolina não tem a habilidade de piar quando a dita se fina.
Espe projecto nasceu
aqui como ideia impensada e, como é próprio de cada distraído inventivo, logo se achou forma de o capitalizar. E vamos ao que interessa. O financiamento da APADEDICA é feito através de transferências cravas entre tlm da Optimus ou de Kargas dadas pelos tlm da TMN. Estamos em negociações com a Telecel também.
Confirmados estão alguns voluntários que precisamente
aqui expuseram seriamente um problema que é de todos, sobretudo dos génios, como muito bem disse a
Noite, logo secundada pela Maria de São Pedro, que se esqueceu de tirar as mãos antes de fechar a gaveta e os gritos ainda se ouvem. A
Emiéle, solidária, contou a experiência traumática de ter deixado o dinheiro na caixa do multibanco. Penso que a terapia feita em conjunto nos ensinará a enfrentar melhor as distracções, trapalhices e esquecimentos.
Apelamos à colaboração de todos no sentido de dar voz a uma causa que é de todos e tantas vezes esquecida (não te esqueças que também te pode acontecer a ti, Amigo!). Apelamos também às figuras públicas no sentido de promoverem a elaboração de um projecto de lei em que os direitos dos membros da APADEDIC sejam finalmente consagrados.
(1) Associação PAra a DEfesa dos DIstraídos do CAraçasadenda: A Associação chama-se APADEDICA e não APADEDIC - ligaram-me agora para corrigir o erro. Obrigada sic notícias!
(7.35h do dia seguinte, 20)
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post coradinho com arroz e batatinhas
Agora que já passou a maré emocional de hoje, hei-de-me lembrar para não esquecer de que preciso de me lembrar de talvez fazer um blog de distracções e trapalhices. Dava matéria para uma série de dias, sendo que quase cada dia há uma coisa nova. Eu não conheço os meus vizinhos do andar imediatamente abaixo do meu. Ainda bem ou coraria de vergonha quando os encontrasse no prédio. Hoje às 6 e meia saltei da cama e achei por bem desfazer a árvore de Natal, é sempre por esta altura que se trata destes assuntos, tradições familiares que metem aniversários, antes, durante e após o Natal. (As bolas eram todas cor de rosa este ano em homenagem à Alteza). Não sei como, eu estava a tirar uma bola de cada vez e eis que, catrapum! A árvore cai ao chão, as bolas espalham-se pela sala, saltitonas e eu a tapar os ouvidos para os vizinhos não ouvirem.
Já para não falar daquela vez em que atropelei os meus óculos de sol. Isto é tão verdade que me dá dó. Tinha-os comprado há pouco tempo, e não foram baratos. Saio da loja, com eles postos no decote e entro no carro ali estacionado em frente. Arranco. Mais tarde quando passei pelos sítios onde tinha estado, andava na fase à cata dos ditos, diz-me a senhora,
Ah, quando saiu daqui, o carro passou por cima de uns óculos. Eram os meus.
É cruel. Sobretudo se me lembrar que os óculos de sol anteriores estão algures caídos num tanque do Oceanário quando me debruçava para ver as focas.
E haja saúde, diz o povo e digo eu, Vague, my name is Vague e este é o Jornal das 8.
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