Afectos e sexualidades à luz da sociedade actual
Com a devida vénia à Isabel Freire, do
Sexualidade Feminina, reproduzo um post seu, pelo interesse e atenção que o tema merece aos que se interessam pelas questões dos afectos e da sexualidade, como partes fundamentais da saúde de um ser humano que se deseja completo e na perspectiva da reflexão sobre a vivência desses afectos e dessa sexualidade numa sociedade tão consumista e efémera como a actual - características que acabam por moldar muitos tipos de relacionamentos.
Muito interessante!
Na quinta-feira, dia 13 de Novembro, e na sexta, 14 de Novembro, entre as 10h e as 18h, no Pequeno Auditório da Culturgest, terá lugar a conferência subordinada ao tema "As Regras da Atracção" , comissariada por Rui Trindade. O propósito central desta conferência é o de equacionar as múltiplas variáveis que hoje afectam o domínio das relações nas sociedades avançadas contemporâneas. Com quatro sessões: "O Sexo na Cidade", "Novas Atracções", "Emoções e Afectos" e "Sex Toys", esta conferência retrata as repercussões de uma mudança de paradigma: a passagem da sexualidade de algo interdito para algo aceite e da sexualização como componente cultural, sob variados pontos de vista.
A entrada é gratuita mediante o levantamento de senha de acesso 30 min. antes de cada sessão, no limite dos lugares disponíveis.
QUI 13 Nov
sessão 1 O Sexo na Cidade
10h00 – 11h00 Fiona Attwood, Universidade Sheffield (UK)
11h30 – 13h00 Helen Fisher, Dep. Antropologia Universidade de Rutgers (EUA)
sessão 2 Novas Atracções
15h00 – 16h00 Ana Carvalheira, ISPA (Portugal)
16h30 – 18h00 Bernardo Coelho, ISCTE (Portugal)
SEX 14 NOV
sessão 3 Emoções e Afectos
10h00 – 11h00 Stuart Walton, Ensaísta (UK)
11h30 – 13h00 Anália Torres, ISCTE (Portugal) sessão 4 Sex Toys
15h00 – 16h00 João Oliveira, ISCTE (Portugal)
16h30 – 18h00 Baptiste Coulmont, Université Paris 8 (França)
Num tempo em que os interditos sexuais parecem ter-se desagregado, permitindo todo o tipo de conjugações, em que os géneros reclamam para si estatutos específicos e as sociedades, de um modo geral, incorporaram nas suas estratégias colectivas atitudes e comportamentos que de periféricos – num passado recente – migraram para o mainstream cultural de forma ostensiva e permanente, importa interrogar, de forma aberta, transversal e descomprometida as razões de tal evolução. No entanto, dado o conjunto de variáveis em jogo, muitas vezes aparentemente contraditórias entre si, o propósito desta conferência só pode ser o de tentar fazer um ponto da situação, acolhendo olhares diversos sobre o tema, a partir de uma premissa: trata-se de reflectir, com base nos conhecimentos mais recentes, sobre os comportamentos contemporâneos ligados aos afectos, às emoções, à sexualidade, às relações.
Se é certo que a liberdade amorosa parece hoje um dado adquirido nas nossas sociedades, a verdade é que estas, cada vez mais altamente voláteis na sua vertigem de mudança, alteraram para sempre a consciência do tempo e, sobretudo, o da antiga e codificada longa duração relacional.
Alimentando sem cesso o culto da sedução e do narcisismo individual, estas sociedades fragmentaram sentimentos e afectos, redesenharam contextos familiares novos e criaram, de certa forma, também, paradoxalmente, a figura do desamparo naqueles que, perdidas as sólidas referências dos valores instituídos, se vêm hoje constrangidos a «construir a sua própria narrativa», como escreve Alain Ehrenberg em La Fatigue d' Être Soi. Ora nem todos conseguem re-inventar-se ou projectar-se numa nova narrativa, colapsando emocionalmente numa deriva sem fim, em busca de uma re-ligação afectiva, erótica e sentimental.
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