Eu não impus quotas mas aqui quase nem seria preciso, dado o tema em causa:) De qualquer forma gosto de saber o que eles pensam e acho o tema da guerra dos sexos assaz interessante se levado como brincadeira e com alguma picardia pelo meio :) Porque também podemos falar a sério destas coisas e aí eu sou uma acérrima defensora dos direitos femininos e interessam-me as questões de género. Tenho uma pilha enorme de dossiers à minha frente, o pc bloqueia a cada meia hora e eu tenho tanto mas tanto por fazer que só me apetece voltar costas a tudo. Não desistas, oiço do outro lado da linha. Claro que não, foi um desabafo (muito sentido). E vou perseverar e tentar fazer hoje o melhor, sentindo que há alturas na vida das pessoas que são autênticos testes à sua capacidade de luta, de resiliência e de encaixe para suportar os pequenos grandes dramas misturados com alguma injustiça. E com tanto para fazer ainda arranjas tempo para vir aqui escrever? Quantas vezes já o disse, escrever é para mim respirar e o Ioga da alma. Como sabes o oxigénio é o must have da sobrevivência :)
Nem sei como começar. Perante este papel em branco estou como as mulheres perante as suas malas. Também elas não sabem nunca por onde começar. Conto uma pequena história, ocorrida no feriado do 5 de Outubro. Em Londres, a apanhar o avião de regresso, já depois de ter percebido que tinha gasto as últimas libras, apeteceu-me uma água, não viesse aquele ataque de pânico visitar-me antes do embarque e que, às vezes, requer um comprimido milagroso. Valeu, no entanto, que as máquinas anunciavam que, para além de libras, também aceitavam euros, mas desgraçadamente eu não tinha as moedas necessárias (1 e 0.50 euros). Dirigi-me a um casal que pela pinta percebi serem tugas para arranjar uma moeda de 50 cêntimos. Ele viu a sua carteira num ápice e disse: desculpe, mas não tenho. Ela disse: vou ver. E começa a meter a mão na mala. E tirou isto e mais aquilo, mas de lá saía tudo menos o que procurava. Até que, finalmente, após uma busca desesperada lá saiu daquela mala cheia de segredos a carteira milagrosa. A carteira era em si outro labirinto, com cartões, talões e o diabo a sete. Viu e disse-me: olhe, gostava muito de lhe ser útil, mas não tenho uma moeda de 50 cêntimos. Fiquei desanimado, a ansiedade crescia, mas não me fui embora, sem que antes lhe tenha agradecido tanto esforço e tanta simpatia (ele esteve com aquela cara de chateado que alguns homens sabem pôr, do género, a pensar para os seus botões, só me faltava agora este marmelo….). Mas, mal voltei costas, a mulher, não desarmando, chamou-me: Olhe, espere aí. Lembrei-me agora que ainda não vi no porta-moedas. E, após mais umas incursões da sua mão pelos fundos da mala, lá o apanhou, qual pescador nas artes da pesca, e me arranjou então os 50 cêntimos que me faltavam. Por fim, dirigi-me à máquina munido de um euro e meio e muito contente por ir arranjar a garrafinha milagrosa, mas desafortunadamente e, ao contrário do que anunciava, a máquina não aceitava a moeda de 50 cêntimos. Fiquei sem água e sem um euro que também já tinha introduzido na ranhura. A máquina falhou, mesmo em Inglaterra as máquinas às vezes falham, mas a mulher é que não. Por ser portuguesa? Ou, por usar mala?
A minha mala é um poço sem fundo. Um buraco negro. Aliás, é quase sempre negro, que essa deve ser a cor predominante das minhas malas, tal como sapatos e botas e luvas e roupa e até enfeites, ainda que nestes últimos já não me importe de abusar da cor. Mas, tal como prometido, vou fazer uma lista desta que anda ultimamente a rodar para trás e para a frente, que não tenho grande pachorra para trocar de mala como quem troca de cuecas e fico semanas a fio com a mesma coisa a tiracolo.
Comecemos:
Caixas de óculos, que são duas, uma para os óculos de ver e outra para os óculos de sol Porta-documentos com o habitual, desde a carta de condução e os documentos do carro, até ao cartão do sindicato. Também lá costuma andar uma nota de cinquenta euros escondida, para qualquer emergência Porta-moedas, que leva mais do que só moedas; também tem notas (quando há notas) e todos os cartões que estão a uso para sacar as notas que se acabam demasiado depressa Telemóvel Outro telemóvel Chaves do carro Chaves de casa Gloss (três, de cores diferentes, obviamente) Sombra, blush e rimel Maço de cigarros de reserva Isqueiro de reserva Cigarreira Escova e pasta dos dentes Lenços de papel Mont Blanc de estimação Trident Senses (tropical mix, obviamente) Mp3 player Escova de cabelo Pensos rápidos Penso higiénico e tampão SOS Contas várias para conferir Talões vários de desconto em gasolina e/ou compras que nunca uso Pinça Mini-lanterna Máquina fotográfica (mas nem sempre; o telemóvel serve quase sempre para as pequena fotos do dia-a-dia)
E carrego com tudo, qual mula, sem sequer me lembrar de protestar. E nem pensar em ficar-me só por 10 linhas: era um insulto à minha mala, ora!
A Vague Maria quer saber o que há dentro da minha mala. Oh caraças! Nem eu sei o que vai dentro da minha mala! Mais vale ir buscá-la para fazer a lista mais logo. E talvez aproveitar para fazer uma limpeza geral àquele poço sem fundo de onde o que entra nunca mais sai, tirando quando troco de mala e começo o mesmo ciclo vicioso uma e outra vez.
Ficava sempre surpreendido pela diversidade de coisas que via sair do interior da mala da Paola. Tinha sempre à mão algo que nos fazia falta, naquele pequeno escritório, recheado de papeis e inutilidades. E não eram apenas objectos tipicamente femininos, como o rimel ou baton. Percebia-se que havia na Paola um grande sentido de previdência, tão útil para todos. A Rita dizia que existia algum toque de magia, na capacidade de arrumação da nossa amiga. Eu limitava-me a sorrir, embora acreditasse na possibilidade de um dia destes, ver sair daquele "bazar" de pele castanha, um coelho ou uma pomba branca...
O Luís Eme, neste post e a propósito de nós mulheres andarmos com a casa às costas, ou algumas de nós, ou todas nós de vez em quando, pronto! disse que ia escrever sobre esse insondável mistério (a qualificação é minha) que deve constituir para um homem uma mala de mulher. E disse que lhe ia dar o nome de bazar, palavra que já reflecte o tumulto interior em que vocês homens imaginam que vivem as nossas malas (e muitas vezes imaginam bem).
Ora isto deu-me a ideia para vos lançar um repto. Gosto deste tipo de desafios de palavras e jogos de palavras e alguns dos momentos mais divertidos da blogosfera passei-os nesta interactividade de resposta aos vossos desafios e na apreciação prazerosa das respostas aos meus.
O Luís deu a deixa e o nome inventivo e eu, não sem antes me penitenciar por ter agarrado a ideia do nome, que friso, é dele, desafio-vos, homens e mulheres, gatos e cães (e toda a gente, pronto, a lei da paridade deixa-me os nervos em franja :D) a escreverem sobre o tema uma mala de mulher é um bazar.
Peço 5, 10 linhas no máximo. Acho que é um desafio giro e se o Luís Pedro Nunes tivesse blog (deve ter, eu é que não conheço), desafiava-o também porque ele esmiúça bem e com evidente prazer esta tensão latente entre o feminino e o masculino :)
Não tendo este repto o objectivo de desvendar mistérios que são como pinceladas de cor no cinzentodos dias e assim se devem manter...
.......................enviem-me para o mail do Sapo as respostas - mais que uma já é plural : )
Caros colegas, o desafio está lançado. Deixo para conversas mais privadas eventuais desenvolvimentos. Está tudo em aberto - até a não concretização do desafio. E porque lhe chamei desafio? Em primeiro lugar, porque, quando se está deste lado - ou desse -, nas caseiras pantufas do conforto, o acto de atravessar o écran envolve alguma coragem e despreendimento. Em segundo lugar, é um desafio porque implica quase sempre alguma desconstrução do outro aos nossos olhos e uma desconstrução de nós próprios aos olhos alheios. E de coisa tão simples se fez tratado existencial! É mais forte q eu.
Gracias aos que responderam ou vierem a responder ao desafio. :)
Um almoço, um jantar, um sítio a meio caminho, that goes to somewhere or nowhere, neste tempo frio que deseja paz e abertura de espírito, cruzar o virtual com o real. O meu desafio é pois este: um encontro entre aqueles de nós que desejam conhecer ao vivo alguns outros de nós. Um almoço de amigos virtuais, um paradoxo! Mesmo assim ou por isso mesmo me apetece. Quem me acompanha na vontade?
Maritta Haggenmacher, After dinner
Introduz-se nota after post: o desafio não é apenas o de cruzar virtualidades, é de cruzar virtualidades e materialidades eventualmente já existentes; o desafio é cruzar palavras e textos com as mãos e os olhos que lhes deram vida. E o que está na base tal como a entendo é a vontade sincera de estar aberto ao outro. Alguns de nós já se conhecem fisicamente, outros não. Sou por natureza avessa a grupinhos e outras manifestações tribalistas pelo que quem vier por bem, vem...bem :) E talvez me convença a aparecer. Ó deuses da contradição! Às vezes sou tão bicho-do-mato!
Luís, escolhe uma de entre duas: queres teorias plausíveis ou teorias sobre-naturais? (quécomoquemdiz, as que vão para além do que a natureza consegue explicar?)
Hipatia, atendendo à minha presente e notória falta de criatividade, encara este apontamento como homenagem a um filme que fez furor há 35 anos - e sobretudo ao poderoso e muito à flor da pele Marlon Brando; ainda hoje, repara como se me distende o olhar na visão destes abençoados cinquenta anos.
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