O sono perseguia-a, adivinhando que ela lhe poderia dar atenção redobrada. As férias chegavam assim, astutas, deixando-a lânguida e sem pressa de pertencer à correria do tempo, mesmo que de descanso fosse. Decidiu que nesse dia só pertenceria a si mesma.
Escolhi a maravilhosa voz e interpretação de Beth Gibbons para dedicar ao Angélico Vieira e a todos os que são ceifados pelo imprevisto, nas várias formas de que este se reveste. A vida é-nos oferecida, mas nada, absolutamente nada, nos é garantido, apesar de tudo tomarmos como certo e adquirido. Somos humanos, pois. Se conseguirmos fazê-lo, celebremos o presente, que o passado não mora cá e o futuro é projecção e sonho. A vida, essa, é agora.