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La marée haute
quarta-feira, outubro 14, 2009
  Ela disse: vou ver na minha mala



Nem sei como começar. Perante este papel em branco estou como as mulheres perante as suas malas. Também elas não sabem nunca por onde começar. Conto uma pequena história, ocorrida no feriado do 5 de Outubro.
Em Londres, a apanhar o avião de regresso, já depois de ter percebido que tinha gasto as últimas libras, apeteceu-me uma água, não viesse aquele ataque de pânico visitar-me antes do embarque e que, às vezes, requer um comprimido milagroso. Valeu, no entanto, que as máquinas anunciavam que, para além de libras, também aceitavam euros, mas desgraçadamente eu não tinha as moedas necessárias (1 e 0.50 euros). Dirigi-me a um casal que pela pinta percebi serem tugas para arranjar uma moeda de 50 cêntimos. Ele viu a sua carteira num ápice e disse: desculpe, mas não tenho. Ela disse: vou ver. E começa a meter a mão na mala. E tirou isto e mais aquilo, mas de lá saía tudo menos o que procurava. Até que, finalmente, após uma busca desesperada lá saiu daquela mala cheia de segredos a carteira milagrosa. A carteira era em si outro labirinto, com cartões, talões e o diabo a sete. Viu e disse-me: olhe, gostava muito de lhe ser útil, mas não tenho uma moeda de 50 cêntimos. Fiquei desanimado, a ansiedade crescia, mas não me fui embora, sem que antes lhe tenha agradecido tanto esforço e tanta simpatia (ele esteve com aquela cara de chateado que alguns homens sabem pôr, do género, a pensar para os seus botões, só me faltava agora este marmelo….). Mas, mal voltei costas, a mulher, não desarmando, chamou-me: Olhe, espere aí. Lembrei-me agora que ainda não vi no porta-moedas. E, após mais umas incursões da sua mão pelos fundos da mala, lá o apanhou, qual pescador nas artes da pesca, e me arranjou então os 50 cêntimos que me faltavam.
Por fim, dirigi-me à máquina munido de um euro e meio e muito contente por ir arranjar a garrafinha milagrosa, mas desafortunadamente e, ao contrário do que anunciava, a máquina não aceitava a moeda de 50 cêntimos. Fiquei sem água e sem um euro que também já tinha introduzido na ranhura.
A máquina falhou, mesmo em Inglaterra as máquinas às vezes falham, mas a mulher é que não. Por ser portuguesa? Ou, por usar mala?


Afonso

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Comments:
Afonso, adorei a história, que termina com essa inefável interrogação :)


Eu diria sintetizando e em jeito de remate, p/ ficar bem, q é por ser mulher, ser portuguesa e usar mala, mas como acho isso um tanto ou quanto redutor, respondo com mais verdade: é por usar mala :)
E usa mala pq é mulher.
Confuso?
Pois.
 
Nenhuma mulher falha... a não ser a Maitê Proença que parece que está em falha para com o povo português.
Afonso, uma bela história que nos prende até ao fim :)
 
Mt bem contada - afinal o nosso amigo é um contador de histórias nato :))

Não me fales na MP - acho q já não posso ovir falar dela; mas tb te digo, alguns comentários q li nos jornais são de uma grosseria inqualificável!
Mas q ela mt esteve mal, esteve.
 
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