Há filmes que quero ver em que o componente casting é fundamental. Por ex, e vai faltar aqui alguém, se eles me estiverem a ler que me perdoem, eu depois compenso-os: Brad Pitt, Sandra Bullock, Julia Roberts, George Clooney, Hugh Jackman, Hugh Grant, Michelle Pfeiffer e por aí fora. E lá fui ver "A proposta", com Sandra Bullock e Ryan Reynolds. É uma comédia romântica e eu gosto de comédias românticas embora não excessivamente. (Além disso o preço dos bilhetes de cinema é elevado e há que ser criterioso - eu tento ser, embora me deixe levar também pelo impulso do momento, não quero ser uma máquina). Tem que haver algo que me puxe mais. Sei lá, o meu estado de espírito, os actores (a Sandra Bullock é engraçada e gira, a perfeita girl next door e é uma boa actriz). A trama não é o que me puxa, sabemos sempre como vai acabar uma comédia romântica. Foi divertido e gostei.
E agora something completely new
Uma autêntica cena de filme, quando numa conferência de imprensa um jornalista gay se declara a George Clooney. Repare-se no fair-play do actor. Delicioso. Mas eu sou suspeita, porque o acho sempre delicioso:)
Era tanta a fome de cinema. Hoje, com saudades de mim e de mim apenas, deixei para trás o bulício dos últimos dias e fui à sessão da hora do almoço, horário de luxo pois há pouca gente, não há filas e sinto-me uma privilegiada por gostar de ir ao cinema a estas horas que não são carne nem são peixe. São qualquer coisa de intermédio.
Escolhi O ABC da sedução e surpreendeu-me positivamente, pois não ia com grande expectativa. E revelou um senhor actor que não conhecia, mas que, meninas, digo-vos, é tiro e queda para quem gosta de morenos simpáticos e que, olaré, sabem representar. Saio da sessão deliciada com um filme alegre e divertido e penso: Agora dou uma voltinha a ver os saldos e depois tenho à hora do lanche o Sinédoque, Nova Iorque. Hum, vou hoje, deixo para a semana?
Fui. E depois do fim perguntei-me se não deveria ter deixado este último para outro dia, tal é a diferença que separa ambos os filmes e a marca que cada um deixa em nós - O ABC da sedução é um filme leve mas que toca nos pontos G das relações entre homens e mulheres, é bem interpretado e divertido.
Já o filme protagonizado por Philip Seymour Hoffman é estranho, hermético e ao mesmo tempo compreensível, fala de dias banais, de paixões, da fragilidade e da necessidade de redenção. Neste sentido é mais pesado, às tantas é um filme dentro de outro filme dentro da cabeça do protagonista que se divide (multiplica?) noutro "Eu". Uma espécie de meta filme? que me leva pensar na palavra loucura, na esquizofrenia e também na rejeição e desejos reprimidos. E meus caros, a interpretação de Philip Seymour é grandiosa, quase dói vê-lo, é um trapo, uma ilusão dentro de outra ilusão. É tal a entrega a um papel tão duro e a interpretação é tão forte e verosímil que nos perguntamos de onde tira um actor a força para representar assim.
o que tenho a dizer sobre este filme em meia dúzia de palavras? ... hum.... creio que já as esgotei com a interrogação :) vou rever o trailer e lembrar o filme visto há dias
Em O estranho caso de Benjamin Button e Quem quer ser milionário? existe um denominador comum que se insinua no desenrolar das respectivas histórias e que faz parte de uma amálgama de peças soltas que acabam por fazer sentido a(final). É o e se, a sorte, o destino, a coincidência, o azar, o não controlável. Preciso de rever estes dois filmes para melhor os absorver e sentir. São notáveis, por estes motivos e pelos que cada um dá ao espectador que se dá ao filme. Mas hoje estou na onda Eastwood...
O estranho caso de Benjamin Button, de David Fincher.
Baseado num livro de F. Scott Fitzgerald, que desde O Grande Gatsby, passou a ser um autor referencial meu. Como será o livro? Não o vou procurar, a não ser que ele se me atravesse à frente como o destino quando nos apanha na curva.
Passei as 3 horas do filme a chorar e a enxugar discretamente as lágrimas fingindo mexer no cabelo. Não me apetece alongar em dissertações sobre lágrimas e filmes - ando muito pouco de escrever e de ler seja o que for, blogs e livros (apesar de sentir uma feroz necessidadade de o fazer, raio de letargia a resolver com tempo? e sossego).
Eu vi o filme. Eu amei o filme. Eu senti o filme. E o curioso é que no meio de todo o fantástico, no meio do inesperado, acontece magia, beleza, possibilidade e acaso. Os acasos, o destino. A fabulosa ideia de um relógio que anda para trás para mudar o futuro e uma fresta do tempo ao contrário por onde entrou um ser humano que tinha de nascer.
Tem tanta fantasia e (no entanto) faz sentido, toca nos limites. Um soco de leve no estômago quando Cate Blanchett diz a Brad Pitt: "Todos acabamos de fraldas". E o estômago faz e desfaz um pequeno nó.
A um passo do amor, com Emma Thompson e Dustin Hoffman, par de elite que me dispensa investigação de argumento, género e realização. Estreia amanhã, dia 5.