2 filmes

Era tanta a fome de cinema. Hoje, com saudades de mim e de mim apenas, deixei para trás o bulício dos últimos dias e fui à sessão da hora do almoço, horário de luxo pois há pouca gente, não há filas e sinto-me uma privilegiada por gostar de ir ao cinema a estas horas que não são carne nem são peixe. São
qualquer coisa de intermédio.Escolhi
O ABC da sedução e surpreendeu-me positivamente, pois não ia com grande expectativa. E revelou um senhor actor que não conhecia, mas que, meninas, digo-vos, é tiro e queda para quem gosta de morenos simpáticos e que, olaré, sabem representar.
Saio da sessão deliciada com um filme alegre e divertido e penso: Agora dou uma voltinha a ver os saldos e depois tenho à hora do lanche o
Sinédoque, Nova Iorque. Hum, vou hoje, deixo para a semana?

Fui. E depois do fim perguntei-me se não deveria ter deixado este último para outro dia, tal é a diferença que separa ambos os filmes e a marca que cada um deixa em nós -
O ABC da sedução é um filme leve mas que toca nos pontos G das relações entre homens e mulheres, é bem interpretado e divertido.
Já o filme protagonizado por Philip Seymour Hoffman é estranho, hermético e ao mesmo tempo compreensível, fala de dias banais, de paixões, da fragilidade e da necessidade de redenção. Neste sentido é mais pesado, às tantas é um filme dentro de outro filme dentro da cabeça do protagonista que se divide (multiplica?) noutro "Eu". Uma espécie de meta filme? que me leva pensar na palavra loucura, na esquizofrenia e também na rejeição e desejos reprimidos. E meus caros, a interpretação de Philip Seymour é grandiosa, quase dói vê-lo, é um trapo, uma ilusão dentro de outra ilusão. É tal a entrega a um papel tão duro e a interpretação é tão forte e verosímil que nos perguntamos de onde tira um actor a força para representar assim.
Etiquetas: cinema, Filmes 2009