Vi Contraluz há umas semanas e deixou-me impressão profunda a explorar.
O vídeo de apresentação com o António Feio comove-me de cada vez que o vejo.
É, creio, a terceira vez que o deixo aqui; a primeira foi quando soube que o filme ia sair em breve e tocou-me bastante a mensagem do António Feio; a segunda foi depois de ele voar para o céu e a terceira é hoje porque sim.
Quero rever este filme. E ter sempre esta mensagem presente no coração.
Isto foi assim: eu tinha tido um dia de trabalho desde o raiar até ao pôr do sol ou quase e estava estafada, acho que se me encostasse um bocado fazia uma mini siesta e às vezes faço, 10 minutos eyes wide closed e fico como nova, aliás mais nova do que sou mas por dentro a agitação do dia fervilhava, os telefones, os mails, falar com as pessoas, e eu ainda estava quase com a adrenalina toda e propus vamos ver A Origem? Ok, vamos. O pior veio depois, quando me sentei na cadeira do cinema e os pensamentos começaram a acalmar devagarinho e eu a ceder ao cansaço. Tentei estar com atenção ao início do filme e apanhei os primeiros 10 minutos acordada. Depois passei pelas brasas, segundos concerteza, e quando acordei vi na tela coisas estranhas e sonhos dentro de sonhos, pessoas presas dentro de sonhos e dentro do Tempo e vi-me a mim também presa dentro do sono a tentar manter-me acordada e ao mesmo tempo a pensar ainda no dia. Ou seja, não desliguei completamente a ficha do dia e não fiz a transição para o cinema com um jantar descontraído. Não, foi tudo a correr, culpa mía. Resultado: perdi-me dentro do filme, às tantas eu era uma personagem mais mas... do pouco que vi e como sou uma rapariga muito esperta, apanhei a meada principal sem ter apanhado o fio condutor. Quero vê-lo de novo, atraiu-me o conceito, o realizador, os actores (A idade fez muito bem ao Leonardo DiCaprio), a ideia de que os sonhos podem ser manipuláveis. É fascinante. Mas quero vê-lo acordada, depois de uma boa noite bem dormida, sem pressa, sem sono e com um belissimo café como preliminar :)
Não sendo o meu género preferido de filme (e eu tenho lá género preferido no que toca a cinema?) moveu-me a curiosidade e o apelo mediático de toda a publicidade. Concedo sem condescência que está ali um filme muito bem feito e as três dimensões tornam-no muito rente a nós no escuro da sala. Tecnologicamente avançado não perdeu o toque humano e acho essa é uma das características mais extraordinárias do filme: Quando Neytiri diz a JakeSully I feel you... ela diz-lhe que é real o que existe entre eles, e essa é a forma mais bonita de dizer que o ama. E o amor é ele próprio uma divindade a que todos estão - ou podem estar ligados, se se conectarem com o mais profundo de si mesmos. As árvores, a floresta, os seres e aqueles animais voadores (what's their name?) que se tinham de conquistar para pertencerem aos nativos - e ambos se escolhiam mutuamente. O respeito pela Vida, em qualquer das suas formas que incluia a vida de um inimigo. Podia vê-lo de novo. Avatar.