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La marée haute
terça-feira, novembro 02, 2010
  Orwell

Uma das questões que me incomoda no facebook e nem sei porque razão lá ando, é a questão da privacidade. No outro dia disse-me um amigo, certeiramente, que era uma falsa questão. Se a falta de privacidade me incomoda eu que não esteja no facebok. Simples, muito simples.

Só que o facebook traz consigo um pouco da água que mata a sede de partilhar. Ou da ilusão da água. E é apelativo, é atractivo, é um mundo. É O mundo. Será? Será que as redes sociais como o facebook são a decorrência mediata e incontornável da globalização, da célebre aldeia global de que há décadas ouvimos falar? E se for, só existe quem está no facebook?

Não. Não defendo isso e creio que o facebok talvez seja apenas uma moda mais. Num par de anos tanta coisa muda nestas novas tecnologias. A questão quase paradoxal da privacidade ou da falta dela no facebook há-de fazer mossas.

Certo é que eu e os meus pudores não nos damos bem com o entrar pela casa do outro, não me interessa, mesmo quando sou levada link atrás de link de amigo e "amigo" e me deparo com fotos demasiado pessoais. Aí algo em mim se detém, dá meia volta e parte apressada. Creio que até muita gente que se expõe nem se dá conta do quão acessível está. Outros sim, sabem-no e não se importam. Cada um sabe de si.

Penso que profissionalmente o face pode ser de uma mais valia extraordinária em certas actividades e a quantidade de "amigos" traz mediatismo e ganhos justos. Como eu apenas funciono ali no campo puramente pessoal e lúdico, a assimetria da amizade (dum lado ou doutro) cria-me reservas. Sei lá, não quero ser "amiga" do vizinho do lado nem saber o que ele andou a fazer nas férias. Não quero que uma pessoa com quem tenho uma relação profissional conheça o meu lado lúdico, não quero, não me interessa, não me diz nada. Não quero ser amiga do café que frequento nem dos restaurantes onde vou. Eventualmente algum amigo que eu convidei pensará o mesmo de mim? É disto que é feita a assimetria. Mas isto é puramente pessoal, cada um (re)interpreta-se no facebook à sua maneira. E nada mas nada é linear. Tão pouco este post o é, embora resida nele a (vã) tentativa de o ser...

Se fizéssemos uma analogia com o cinema, eu diria que os blogs são filmes, o facebook é uma pequeníssima cena isolada e descontextualizada a que toda a gente tem acesso. Mas este lado democrático é enganador. Não acredito no facebook e nas pistas que deixamos. São concerteza os meus fantasmas orwelianos a acenarem-me com esta questão do controlo. Tudo tem um preço e cada um de nós, mais cedo ou mais tarde estará a gerir o delicado equilíbrio entre a exposição/partilha e a privacidade... que não tem preço.


(Post susceptível de entrar em obras)

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Comments:
não sei o que diga, Vague.

estive por lá e não consegui perceber o encanto da coisa.

achei aquilo estranho, vazio e sai como entrei, em silêncio.

e curiosamente, não sinto saudades. em muitas coisas, sou um gajo à antiga...
 
:))
A ver vamos. Se vou, se fico. Não estou seduzida mas isto tem fases :))
 
Olá, Vague.

O Facebook é uma montra onde qualquer um pode expôr a imagem que pretende vender aos outros.

É "tão" vida como a televisão ou a secção de classificados de qualquer jornal.

Pode ser (utilizando as devidas precauções) tão interessante como qualquer outro meio de comunicação.

Mas é uma "vida" estropiada e vivida através de um Doppelgänger.

;-)
 
Viva Tom, que bom ver-te! :)

Concordo c/ o que dizes, é uma montra, mas todos nós somos montras de nós próprios.

Como em tudo, há várias de o utilizar, de se deixar seduzir, mas parece quase algo incontornável. Até a Rainha Isabel II se rendeu, li hojr.

Essa do "Doppelgänger" obrigou-me a fazer trabalho de casa, mas segui a pista do terno e do significado, novo p/ mim. Mt curioso, de facto...

Segundo a wiki:
"Doppelgänger - segundo as lendas germânicas de onde provém, é um monstro ou ser fantástico que tem o dom de representar uma cópia idêntica de uma pessoa que ele escolhe ou que passa a acompanhar (como dando uma idéia de que cada pessoa tem o seu próprio). Ele imita em tudo a pessoa copiada, até mesmo suas características internas mais profundas. O nome Doppelgänger se originou da fusão das palavras alemãs doppel (significa duplo, réplica ou duplicata) e gänger (andante, ambulante ou aquele que vaga).

Digo-te, o meu Doppelgänger não me representa, nem aqui nem noutro lado qualquer :) A virtualidade se bem que real, é uma ilusão :0)

___Mas é difícil às vezes distanciarmo-nos dele, tão cúmplice ele se nos faz, qual sombra. Mas lá está, as sombras reflectem apenas os contornos e podem ser elas tb ilusórias. Olha as sombras q podes fazer nas paredes com 5 dedos de uma mão :p
 
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