Casa Pia: “Eu sei que é hoje”, diz Bernardo Teixeira, vítima e testemunha

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E tem pena que nem todos os “culpados” estejam a ser julgados. “Falta muita gente, há gente demasiado importante e gente menos importante que, por erros da polícia e do Estado, foi ilibada”, lamenta.
Nunca pensou noutra hipótese que não fosse “entrar pela porta da frente”, porque “as pessoas precisam de ver que este processo tem vítimas de carne e osso”. Mas agora mostra receio, nervosismo, angústia. “Preciso urgentemente de um abraço desde que me levantei”, confessa. Entra no Campus da Justiça, passa por vários jornalistas, ninguém repara. Ouve-se-lhe o coração, olha para todo o lado, busca “uma cara conhecida”. Não encontra, dirige-se à porta, ninguém o vê.
“Também quero que a minha palavra se oiça, para contrapor à dos arguidos”, tinha dito minutos antes.
Já lá dentro, conta à Lusa por sms: “Ainda não começou, a sala ainda não está cheia. A juíza ainda não entrou.” Oito minutos depois: “A sala é pequena. Somos cinco vítimas. Os arguidos não param de olhar para nós. Os advogados deles olham para intimidar. Está muito abafado e o clima muito tenso.” Dezoito minutos depois: “3,2,1 – começa a leitura”.
Jornal I, 03.09.10
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