Os dias assim

Gosto de dias assim. Dias de feriado seguidos de fim de semana em que não corro para lado nenhum para os
aproveitar e que faço desabrochar a meu bel-prazer, sem nada ter marcado, tudo pode ser combinado no momento de seguir os impulsos do coração, da preguiça, ou da boémia que se esconde em mim como num discreto gato deitado num sofá.
Atrás de mim a pasta com trabalho para adiantar, sendo que não será um drama se não pegar nela, na cozinha a parafernália de ingredientes a postos para confeccionar algumas refeições que descongelarei durante a semana ou então farei apenas o meu arroz-doce. Ao meu lado meia dúzia de livros disputa a minha atenção, que de si tem tendência para se dividir, generosa e distraída,
dispersa. E as fotografias, as notícias, os amigos longe, a casa, o mar, o um dia voar, o sonho lá tão alto e eu pragmática a saber que vou conseguir, debruçada na realidade e a viver o presente. Pois foi longo e difícil o caminho mas foi nessa forma oblíqua que aprendi a ser feliz. Não se nota? :)
ps: não tenho nada a ver com Itália, mas encanta-me a imagem.
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