40!

Levam avanço só até
elas fazerem 40 :)
Os 30 são uma idade bonita de dizer que se tem, altura que é,
normalmente, de força, de sedimentação do percurso académico e/ou profissional. É o tempo em que uma mulher se sente tão jovem como se tivesse 20.
Quando dobrei o cabo da boa esperança e pus os pés nos 30, fi-lo com leveza e sem nenhum questionar existencial das duas décadas que já roubara ao século. Depois fui fazendo 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39 e
finalmente estou nos 40 anos, em pleno, ainda a habituar-me a responder: 40. E penso: Eu que sempre disse que a idade não é importante, eu que disse que nunca esconderia a idade, com receio talvez das estigmatizações quase inultrapassáveis...mas que raio! porque resisto a pôr no perfil a minha idade? abdico daquilo em que acredito por causa da forma como os outros me podem percepcionar? Cada um que
percepione o que entender de mim, não sou responsável por isso nem quero saber,
se querem saber.
Gosto do anonimato, excepto quando tenho que enfrentar alguém. Aí, sem ser corajosa, gosto de dar a cara, ou o nick, falando na blogosfera. É que não dar a cara quando se ataca ou se discorda é um bocadinho fácil e
demasiado vulgar, quiçá até cobarde e eu gosto de ser original. Vaidade pura, que hei-de fazer? E não posso viver a minha vida pelas percepções e preconceitos dos outros (nem dos meus, embora), lição que me custou a interiorizar, dividida entre o que queria e a aprovação dos outros.
Isto a propósito de? Ah sim, o encontro, face to face, com os 40's. Há a dizer que foi um pouco estranho, sobretudo porque não nos conhecíamos.
Não me estava a reconhecer pois na omissão declarada da idade no perfil, por tudo o que atrás disse. Outra coisa que costumava dizer é que não pintaria o cabelo quando começasse a ficar com cabelos brancos. Mas pinto, experimento as cores do supermercado, experimento. Mas a verdade é que a genética me
abençoou (whatever it means here) nesse domínio e apenas alguns fios prateados afoitos abrem caminho. Cada vez mais longe, é certo.
Se eu tivesse coragem deixaria o cabelo embranquecer naturalmente. Quem sabe um dia. É a escolha pela diferença, é a demarcação da uniformização da cor do cabelo de (quase) todas as mulheres a partir dos 30's.
Até eu já fiz
madeixas.
Uma mulher bonita, sendo que a beleza é sabermos tirar partido das nossas características e dos nossos defeitos, maquilhada com mestria ou casual chic sem nada, com um bom corte de cabelo e o cabelo a embranquecer...é bonito de ver.
- 40.
- A sério?
- É. (sorriso vaidoso)
E tendo sido entre os 27 e os 30 e tal que vivi o que até hoje foi o tempo mais chuvoso da minha vida, em que vi literalmente ou quase, a escuridão e a sombra dos dias e entre eles o sol, quando me levavam da enfermaria para a zona de exames do hospital, deitada numa maca enquanto ele esse mesmo sol sorridente me beijava o corpo quieto e magoado, inteiramente quieto e inteiramente dependente durante uma temporada,
foi por isso também que sei que para mim é verdade: A vida começa aos 40 (interpretar num sentido não literal, please) e há que viver intensamente cada momento bom, cada momento de sol e de novo o prazer daquele sol me invade intensamente.
(acho que ainda me arrependo e apago este post.
calma, vague, não estás a dizer nada de especial, aliás estás e é muito bonito. estou, sim, isto é íntimo.
e tu achas que ficas refém dos outros por isso? acho que não porque eu não permito familiariedadezinhas, falo como ser humano que sente que tem
demasiado dentro de si.
então não apagues. sim, eu sei demarcar-me e sei des-confundir as coisas quando se impôe. se apagar, apago. todos nós nos apagamos um dia.)