
Quando leio as notícias sobre a pequena Fátima Letícia que a dizem uma criança alegre e brincalhona com um comportamento que não indicia a extrema violência a que foi sujeita, penso na infinita capacidade de recuperação que o ser humano tem de
sobreviver. Provando que as frases feitas são o resultado de muitas experiências com resultados iguais em muitas pessoas diferentes, digo também que não podemos prever a capacidade de resistência própria ou alheia e frequentemente nos surpreendemos com a coragem e determinação dos outros e de nós mesmos em circunstâncias adversas. Não sei se os acontecimentos maus nos dão força quando conseguimos deixar que fiquem para trás num lugar escondido na memória que em momentos de auto-compaixão visitamos ou se nos fragilizam por ficarem como referência de situações futuras que lhes acendem o rastilho. Talvez a essência do ser humano resida (também) nesse frágil equilíbrio, talvez aí esteja também a nossa humanidade,
logo, a nossa força. Como se nós fossemos o resultado de uma
plasticidade vivencial. Isto a propósito do filme
Inside I'm dancing ou
Rory Shea was here. Não é um filme cor de rosa mas é de certeza baseado em muitas histórias reais e mostra o lado irredutível de força e capacidade de voar que cada um de nós (deficientes ou não) pode ter dentro de si.